janeiro 27, 2025
outubro 18, 2021
outubro 16, 2020
Stayaway to heaven (perdão, stairway)
Tornou-se um costume cool usar
máscara nas ruas de Braga. Não é de agora. Imagino que em outras geografias o
mesmo se verifique. São as mesmas pessoas que enfartam os centros comercias e
outras grandes superfícies de distribuição, acotovelando-se, ora em corredores
de parafusos, ora em galerias de cuecas de gola alta, não respeitando
distâncias, mesmo as socialmente aceitáveis antes da coisa, resmungando
ultrajes causados pela demora que as disposições impõem nas linhas de caixa. A
imbecilidade é um bem de primeira necessidade, e os paradoxos que a definem não
estão ainda ao alcance de um ser humano normal.
Não se inquietem: as apps fazem parte das nossas vidas.
Descarregar a nova app stayaway covid
(que original - soa a Allgarve) controleira, é um afago carinhosamente
descarregado (um milhão já o fez sem necessidade de cassetete). Não que a levem
a sério, terá o mesmo destino das máscaras reutilizadas semanas a fio, com o
nariz ao léu, ou desfeitas em fanecos que adornam os rostos como peneiras. A
aparência é uma religião. Faz pandã com as modas e com o medo.
A imbecilidade escorre lá de cima
(deixem passar) e gosta de viajar para o lado. É como as nossas vidas
suspensas: lateralizam-se, futebolisticamente falando, mas não avançam.
Dizem-nos o que comer e beber, são padroeiros da nossa saúde, definem regras de
leitura, perseguem a pirisca, que se amanhe o piropo (os trolhas ficam com as vistas afectadas, deixai-os com os nudes e os vídeos do tik tok), o mundo avança com as
proteínas disponíveis e a delação, com ou sem máscara, segue o seu curso.
A app é apenas mais troço desse caminho. Não se trata apenas de controlo, as pessoas já escancaram a sua vida nas redes, ou por uns tostões em passerelles televisivas; a questão é de princípio, inconstitucional até à medula, relacionada com as liberdades fundamentais, um dos pilares do Estado de Direito. Não importa se uma larga maioria a aceita placidamente, ainda que, sem grande convicção. A partir daí o céu é o limite:
outubro 13, 2020
Grilhetas
O Cristiano tem a coisa. Pasmo? Afinal
a coisa tem uma relação de proximidade com a humanidade em geral. Mesmo a
humanidade atlética e com algumas posses. Os especialistas dividem-se
relativamente à coisa. Os políticos, consoante a geografia, também. A coisa segue
o seu curso com determinação e algum enfado próprio das coisas. A sua invisibilidade é apenas
aparente: vive no olhar de muitos de nós. Entre outras coisas, gostamos de ser
pastoreados. Cada grilheta a seu dono.
setembro 25, 2020
mas isso será objeto de outro poema*
Eles assustam, mentem, manipulam, às falsas esperanças seguem-se as
ameaças a sério, as multas, e a promessa de que a desobediência se paga caro
põe todos os narizes para o mesmo lado, o rebanho obediente caminha atrás de
pastores que num mundo menos torto seriam levados à forca. Grande bênção o coronavírus, que
anuncia o admirável mundo novo. Reze-se um padre-nosso de graças a George
Orwell, que deixou o aviso, mas nada adiantou, porque as ovelhas não vêem, não
ouvem, não compreendem, são cegas, mansas, medrosas, gostam de obedecer e de
cacete no lombo.
(daqui)
(*sacado a Benjamin Péret)
setembro 24, 2020
setembro 06, 2020
agosto 31, 2020
A origem das espécies

(diz JPP aqui)
junho 19, 2020
Música de uma fanada melancolia

fevereiro 10, 2020
A greta pandémica

janeiro 28, 2020
Imbecis, demasiado imbecis

janeiro 25, 2020
O meu país é o que o mar - e Angola - não querem

dezembro 08, 2019
Quero cheirar o teu bacalhau, mas em inglês










