(Jornal as, edição de 24/06/2020)
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junho 25, 2020
abril 13, 2020
Isolamento (XVI)
(Agora mesmo, na rádio, The Velvet Underground: sunday morning…)
Números, estatísticas: fechados
em casa, 14% dos portugueses passaram duas semanas sem sair, lê-se no
Público de hoje. É muito papel higiénico.
A pandemia resultou da
desterritorialização, é a manifestação extrema da doença tecno-capitalista que
há mais de dois séculos se infiltrou nas sociedades humanas, escreve José
Gil (Público). Ensaio uma saída de fininho da subjectividade digital.
Rastreio digital:
Catedral vazia de
fiéis mas repleta de cristo (Correio da Manhã)
Costa às compras sem
os receios de Marcelo – Vídeo mostra Costa a levar a mão ao nariz (Correio
da Manhã)
Soltos pelo vírus (Jornal
de Notícias)
(sem comentários)
O bairro é o mundo. O stock de mal-estar não é ilimitado.
A propósito: O presidente Marcelo Rebelo de Sousa já falou com Luís, o enfermeiro de Boris
Johnson (Expresso online). A GNR
identificou promotores do “beijar da cruz” em Barcelos (Público online).
Sem sugestões.
Uma palavra para 2020: confinamento. Em todos os sentidos.
Incluindo o gosto.
março 31, 2020
Isolamento (notas)

Hieronymus Bosch - A Morte e o Avarento (1494)
"La pandemia de estos días encaja
en el segundo apartado, el de la fragilidad de nuestro cuerpo, pero es evidente
que comunica con todos los demás, incluido el apartado último, el que habla de
monotonía al vivir, aunque, a decir verdad, cuando se vive como en estos días
en un pronunciado riesgo de muerte, ese sentimiento de monotonía puede incluso
parecernos ridículo, aunque lo más probable es que sigamos desperdiciando buena
parte de nuestra vida en futilidades. ¿La causa de esa propensión a tirar tanto
el tiempo y a malgastarlo encima en una gran cantidad de ocupaciones tontas,
como, por ejemplo, llevar una bitácora-tostón de nuestro confinamiento? Que
seguimos teniendo tendencia a ir viviendo como si tuviéramos que vivir siempre
y no dispusiéramos ni de un segundo para acordarnos de que hemos de morir, una
realidad que estos días, de todos modos, aflora cada vez con mayor potencia,
para sorpresa mayúscula de muchos." (Enrique
Vila-Matas, aqui).
"O nosso presente não é o
confinamento que a sobrevivência nos impõe, é a abertura para todos os
possíveis. É sob o efeito do pânico que o Estado oligárquico é forçado a
adoptar medidas que ainda ontem declarava impossíveis. É ao chamamento da vida
e da terra a restaurar que queremos responder. A quarentena é boa para a
reflexão. O confinamento não abole a presença da rua, reinventa-a. Deixai-me
pensar, cum grano salis, que a insurreição da vida quotidiana tem virtudes
terapêuticas inesperadas." (Raoul Vaneigem, aqui por aqui)
março 19, 2020
novembro 12, 2018
De borla
(na lata)
Sobre o (suposto) trabalho voluntário, uma onda trendy muito em voga, que sustenta a "eventologia" (termo cunhado por Alain Bourdin) que pastoreia os nosso dias, entre festivais, eventos (supostamente) desportivos, sociais, tecnológicos, servidos à mesa por jovens (e menos jovens) de alma vaga, à procura de um lugar ao sol, devidamente peneirados. É um mundo de exploração sustentado pelos impostos de todos. Ou, pelo menos, de alguns. Duas crónicas recentes chamaram-me a atenção:
- Borlas & porreirismo: é a cultura, estúpido!; de João Pedro George
- Não vás ao engano; de Henrique Raposo (sim, do Henrique Raposo)
A minha tese de doutoramento (onde vai ela???), seria sobre isso: o nosso mundo é um evento, ou um parque temático, se quiserem. Talvez um dia. Mas não de borla.
abril 13, 2018
Terra de ninguém
(detalhe de "Sonho de uma tarde
dominical
na Alameda Central" - mural de
Diego Rivera)
Sobre cidades moribundas, homogeneização
e gentrificação dos centros históricos, sua museificação a olhos vistos; sobre a
parque tematização dos espaços históricos, enjaulados num cenário que os recria
em segunda mão, já muito disse e escrevi, disso tentei (ingenuamente) fazer
vida, ou quase, não fosse a graça da má sorte, desvarios vários, algumas
caminhadas, e ainda por lá andaria. Livros, alguns com décadas, anunciam a boa nova, por exemplo: “Simulacros e
Simulação” de Baudrillard, ou “O Direito à Cidade” de Lefebvre, que hoje
António Guerreiro também refere num artigo publicado no ÍPSILON (jornal
Público), denominado "A morte da cidade". Artigos, estudos, papeladas, a rodos. A Academia debruça-se sobre o
assunto entre dois coffee breaks.
Sobre a (digamos assim) temática,
aqui deixo dois textos (mansinhos) do Público de hoje. O já citado:
Agora vou ali dar para outro
peditório.
março 11, 2018
O paraíso das roçadoras
Não, não se trata de um filme porno, mas parece que ninguém
sabe ao certo até onde e quando deve ir a roçadora. Enquanto chove as costas
folgam. Esperemos que desta vez não se sacuda a água do capote. Entretanto, ficamos a saber de um resgate muito apropriado
para aconchegar as nossas consciências. A coisa, parece, teve honras de espaço
televisivo. Como não poderia deixar de ser. Lá fora, e nos nossos cafés ao balcão, não se fala de outra
coisa: a lista dos mais ricos do mundo, segundo a forbes. Parece que o número
de bilionários saltou 18% para 2.208 pessoas, contra 2.043 no ano passado. Duas
mil, duzentas e oito pessoas. O Pavilhão João Rocha sem casa cheia, ou uma boa
casa para o Belenenses num dia de sol. Somadas, as fortunas, dão para um gajo
arranjar um problema sério na hora de pagar a renda da casa, ou de dar uma
gorjeta. Todos os anos levamos com este festim de empreendedorismo jocoso. Talvez
porque, ao contrário dos cifrões, se tivéssemos que contar as pessoas do outro lado da balança, a cifra resultante tivesse que ser devidamente aconchegada por
mais uns quantos resgates caninos.
setembro 10, 2017
leituras
É improvável que “O Capital” seja muito lido em Sunderland ou em Greenwich
Village: passámos das simplificações em panfletos para os despropósitos no
Twitter. O dilema de Marx subsiste um século depois da revolução bolchevique,
dois séculos após o seu nascimento e no limiar da revolução cibernética. De um
lado, a fecundidade do capitalismo global na criação de riqueza. Do outro, a
forma assustadora como reduz o trabalhador a um fragmento de homem e o arrasta
com a mulher e os filhos para debaixo do rolo compressor.
David Reynolds, “O difícil legado de Karl Marx”, in New Statesman – Londres
No meio do marasmo editorial português,
valha-nos esta colectânea de textos (de várias fontes) com a cortesia do Courrier Internacional…
agosto 28, 2017
O nosso mundo é um parque temático
"Aquela que é a fronteira mais
militarizada do mundo é um verdadeiro museu a céu aberto para turistas, com observatórios,
túneis, memoriais, checkpoints e
povoações com importância histórica. Desembolsando um pouco mais [de dólares],
há a possibilidade de alguns tours serem
feitos na companhia de um desertor norte-coreano."
"Sonho distante", artigo sobre a península coreana, in jornal Expresso (26-08-17)
Por um punhado de dólares, temos assim acesso a um parque temático, não fosse aqui a simulação, uma manobra, uma ficção, em muito ultrapassada pela realidade dos factos. Uma península dividida há setenta anos. O mundo à beira de um ataque de nervos, com as sucessivas ameaças nucleares da Coreia do Norte, devidamente inflamadas pelo lança chamas Trump. É um cocktail digno do nosso disney world, não fosse a chatice de uma ou outra bomba poderem rebentar mesmo. Queremos estar lá para ver?
agosto 25, 2017
Que fazer quando tudo arde?
(Menco)
O fogo e os espalha brasas dos
jornalistas. O fogo e os espalha brasas dos comentadeiros a soldo. O fogo e os
espalha brasas dos políticos. O paiol que afinal era um ferro velho. Mais
espalha brasas. A praia: uma brasa. O campo: um braseiro. Mais jornalistas. Ali
ao lado o Trump lança-chamas. O pote das migas Coreano brinca com um isqueiro.
Queimam-se etapas para as autárquicas. Cheira a esturro. Os aceleras fanáticos passaram em Barcelona, diz que num dia que estava uma brasa. Que farei quando tudo arde*?
(*Sá de Miranda)
junho 19, 2017
E agora?
Não há rigorosamente nada de novo a dizer. Já tudo foi estudado,
explicado e escrito na última década e meia. Houve comissões para todos os
gostos e feitios. E foi feito muito trabalho sério. Faltou tudo o resto. Faltou
pôr a tratar de incêndios florestais quem percebe de floresta. Faltou integrar
prevenção e combate. Faltou ordenamento. Faltou pensar no longo prazo. E
adiou-se o mesmo de sempre: fazer da floresta uma prioridade, fazer de um terço
do território nacional uma prioridade.
Houve, ninguém nega, uma conjugação extraordinária de factores
adversos, como já tinha acontecido em 2003: ao ar seco e temperaturas altas
juntaram-se as trovoadas secas e o vento forte numa tragédia de dimensões
inéditas no país que provocou pelo menos 61 mortos e 62 feridos, alguns em
estado grave, no concelho de Pedrógão Grande.
(daqui)
março 05, 2017
Aluga-se
Portugal pode não ser perfeito, mas não é nada mau. É, de longe, o país com mais pessoas portuguesas e mais coisas portuguesas. Para quem gosta de pessoas e coisas portuguesas, Portugal é o melhor sítio onde perseguir esses gostos.
(Miguel Esteves Cardoso, Público, 05-03-17 - edição comemorativa dos 27 anos do jornal)
fevereiro 17, 2017
julho 17, 2016
Marx de cabeçeira
O grande problema, sublinha, é que “há uma insanidade nas novas formas
de urbanização”, não só pela escala como pelo facto de as cidades ficarem
cheias de casas vazias que são compradas sobretudo para fins de especulação e
não para habitação. “Hoje, grande parte do capital está a concentrar-se no
imobiliário e nas rendas." E, avisa Harvey, a agitação social começa a
surgir cada vez mais ligada às questões da vida quotidiana nas cidades – como
aconteceu no Brasil com os protestos que rebentaram em 2014, em parte por causa
dos transportes públicos.
O Geógrafo David Harvey esteve recentemente em Portugal como orador convidado na conferência de abertura do IX
Congresso Português de Sociologia, que decorreu na
Universidade do Algarve. A não perder uma entrevista sua ao jornal Público: Aqui.
junho 05, 2016
maio 31, 2016
abril 29, 2016
abril 02, 2016
outubro 13, 2015
outubro 11, 2015
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