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abril 06, 2020

Isolamento (notas)

Fileiras realistas de assentos de cinema ou teatro vermelhos ...

"A Arte Eléctrica em Portugal" é o único programa (vários episódios) de música da televisão portuguesa. Por acaso é um documentário: jornalistas, produtores, radialistas (vamos pô-los assim num saco), músicos e áreas adjacentes, como editores ou programadores, dizem umas coisas, e nós lá vamos ouvindo e esperando pela música, enquanto percebemos que tudo tem uma história e até fazemos parte dela. No programa da semana passada o tema era “A Era Global” (está disponível). Fui marcando com um sorriso os músicos e as bandas que já tinha assistido ao vivo (todos, exceptuando a Rita dos sapatos vermelhos), incluindo o improvável Tiago Miranda, mais conhecido como Conan Osíris: foi em Braga - noite branca - numa época (longínqua) em que a distância social mínima era de dois milímetros e ainda assim não era respeitada. 

novembro 16, 2016

Miau miau



O documentário "Autografia", da autoria de Miguel Gonçalves Mendes, passou na RTP2 nesta última segunda-feira, dia 14 de Novembro. Procurem. Miau...

julho 12, 2013

Por falar em cus, parece que a moça sabe ler e decorou uma deixa (sempre a mesma, aliás)


Certo é que, se alguma vez tivesse pegado num qualquer dicionário teria ficado a saber a definição de carrasco: executor da pena de morte; algoz; homem cruel (fig.). Ou mulher. Vá lá, descontraia. 

[o cu da Simone, perdão, a Simone fotografada por Art Shay – 1952]

julho 10, 2013

O cu como uma das belas-artes


Ou como até os programas merdosos têm as suas frinchas de luz. Diz que a moça até tem uma banda cujo nome, The Girl in the Black Bikini nos remete para o armário popular: o cu deve dizer com as calças

março 17, 2013

É a especialidade da casa, mas já não há


Mas a felicidade atinge o cúmulo quando se
persuadem que têm uma nova doutrina.
Erasmo (Elogio da Loucura)

Desliga a sanfona e vamos mas é beber um copo.
M. Naco (Obras incompletas até ver)


Companheiro de luta Relvas, sabemos que tem um plano. Também por isso, há que ser previdente e não dar demasiada corrente eléctrica à rádio televisão portuguesa, deixando-a em pousio, aguardando um assombro de luz viscosa que a incendeie por geração espontânea. O que vemos é um fartote de penumbra televisiva, quatrocentos golpes travestidos de galas, após o tombo temos direito a uma série de furúnculos segregando arredores de ficção, acolá uma tipa fala sobre fumo a sair de uma chaminé, diz que em Roma, e um outro com aroma a alheiras perto de Mirandela, em estúdio um (ia-mos jurar) ser humano dança enquanto entrevista um refugado e ali ao lado um painel de comentadores é revezado por um grupo de babuínos, sem que ninguém note diferença. Depois de tanta seiva um tipo já está a ferrar o dente ao sofá enquanto degusta a obra integral de Rodrigues dos Santos, como penitência.


É verdade, existem dois canais de convívio, fora os internacionais, no segundo estão sempre a aparecer leões, já os adoptámos de cor e salteado, no dia seguinte à sua exibição tornam a aparecer os mesmos leões mas a uma hora diferente, demonstrando-se assim que as suas reacções são sempre as mesmas independentemente da hora, diz que (aquilo) é um documentário, lá estão também as hienas para o provar. Por ali nunca se sabe quando vai aparecer um tipo qualquer de uma universidade privada de Cucujães ou de Santa Comba a debitar sobre os vestígios retardados do tv Rural e dos horizontes da memória, esta homónima de rtp. É verdade que a ausência total de ideias rumina sempre uma pergunta ou duas: que vamos meter entre o documentário dos leões e o 24horas? Quantas noites são, cinco? Mete-lhe um filme por noite e ficam aí cinco noites, cinco filmes. E foi assim que voltaram os filmes ao segundo.  

[tv = x]

setembro 28, 2012

Fuga para a memória


A televisão [portuguesa] é hoje, em si mesma, uma memória. Em alguns casos boa. Ainda se consegue, concedo, de longe em muito longe ver um ou outro filme, uma ou outra série, um ou outro documentário (recentemente passou um sobre Herberto Helder na 2), e nada mais. Ponto. A cabo, pacote básico, ajuda pouco, um ou outro filme, uma ou outra série, uma ou outra merda qualquer, alguns desenhos animados, umas gajas a descascar bananas e a RTP Memória. Se calhar é mais a RTP Memória. Ontem dei por mim a ver o Falatório, (1997) com Dinis Machado, escritor, entre outros de “O que diz Molero”, also Dennis McShade para os policiais, de cigarrilha na mão, fumando e conversando (é o termo) com (uma suportável, à distância) Clara Ferreira Alves: literatura, vida, cinema, família, escrever não escrever, gandulagens. Muita gandulagem. A semana passada dei por mim a ver o Falatório, mais uma vez mediado por Clara Ferreira Alves (houveram outros apresentadores), com José Saramago, Sebastião Salgado e Chico Buarque, na televisão portuguesa!, ano de 1997. Por exemplo.
Recordo uma sala de cinema que foi a minha escola de cinema (não havia sequer outra disponível). Recordo a televisão das Conversas Vadias, com Agostinho da Silva. Um pequeno mundo. Era público. Era um serviço. E acabou.


[alfred]

abril 22, 2012

"As coisas modernas são bonitas mas não duram"


As palavras do título desta posta não saem de nenhum contestatário do consumismo, nem de nenhum sociólogo, nem receiem qualquer veleidade de um político com tendências supostamente esquerditóides; pertencem a Sonam, um nómada já entradote na idade, que vai sobrevivendo (num mundo cada vez mais hostil) algures além das montanhas do Himalaia Ocidental. Foi no documentário “The Broken Moon” ou “A Terra da Lua partida” que passou (e parece que vai passando) na RTP2 (20-04-11).

março 20, 2012

A oeste nada de novo: os prós do contras


Diz que é uma espécie de debate grande: o programa da Dona Fátima. Bastam sete minutos por ano para percebermos que de grande apenas a sua duração e permanência. De resto, um retrato cruel da basbaquice (e do faz de conta) nacional. E, parece, um bom emprego. Ontem lá andava o Sr. Villaverde Cabral, noutra reencarnação sociólogo, agora apenas reformado de si mesmo. Parece que o dito até apreciava trabalhar aos Sábados, pelo sossego, claro. Um dos atributos da inteligência é o respeito, mas nada disso é para ali chamado.  

fevereiro 29, 2012

O conto ao vigário, a pré irmandade e o culturalismo quase rafaelita


Ao Domingo, lá para o final da noite é quase certo que passa REV. (a gente chama-lhe o vigário) na Britcom (Rtp2), mas não é certo, de todo, que seja a primeira das séries a passar, esta semana por exemplo, foi a segunda, e já seriam 0h25m de segunda-feira. Vale a pena ensopar a insónia típica de domingo, ou simplesmente ensonar com o vigário Adam Smallbone e a sua congregação, Steve, Mick e por aí fora. O vigário Adam é um tipo que se chama Tom Hollander na vida real, mas ainda há dias era o John Ruskin na série Românticos Desesperados, que passava às segundas-feiras na Rtp2, e cuja acção decorre na Inglaterra do século XIX, contextualizando a Irmandade Pré-Rafaelita, ou parte desta, já que alguns dos efectivos da época não aparecem, mas pronto, lá está o Rosseti putanheiro e o Maníaco mais fixe dos pintores na televisão; de qualquer forma, bem melhor que O Mentalista, essa bosta metamorfoseada de inteligência postiça, cujo protagonista é um gajo com o nome da namorada do Tarzan, mais uma gaja chamada Lisbon – um portento de actriz com a expressividade de um paralelepípedo – obviamente sem nenhuma relação com as nossas amigas malucas, as irmãs Lisbon (suicidas), para que conste. Ora, o Ruskin foi um gajo que existiu mesmo, mas mesmo, um tipo que foi poeta, desenhador, esteta, filósofo, entre outros, mas especialmente um pensador da arte, da arquitectura e, sobretudo, da cidade, enquadrado (segundo Choay) no Pré-Urbanismo Culturalista. Sobre isto, evidentemente, muito pouco na série… com o Tom Hollander a confundir-nos entre o esteta filhinho da mamã, às segundas, e o conto do Mick ao vigário aos domingos, mas nem sempre. Fiquem lá com o mentalistazinho…mas apenas às segundas.

fevereiro 08, 2012

A sorte é ser frio seco


Adequado o lameiro onde nos encontramos. Após uns dias em que o malabarismo televisivo deu para nos entreter com reportagens sobre o frio por esse país fora (sem esquecer os infelizes dos alfacinhas com direito a menções honrosas até nos diários desportivos), ficamos a saber da intrépida iniciativa do poeta VGM recusando a aplicação do acordo ortográfico no elefante lácteo do CCB, recebida ora com loas estratosféricas, ora com o gulag de sobreaviso. Contenda importantíssima, tendo em conta o nível elevado dos escrevinhadores e de gatafunhos que por aí ruminam e se publicam.
Na padaria, entre o pãozinho santo e a sopinha não se falava de outra coisa, “que sim, o Vasquinho fazia muito bem…”, e a Arminda “tão ansiosa pelo novo Lobo Antunes”. Da filha da Inácia, entrevadinha, já pouco se falava, letra morta, e duvidava-se da astúcia do Passos Coelho na Questão Coimbrã actual: o feriado de carnaval. O Esteves, gazeteiro de todos os dias, insurgia-se contra as palavras do primeiro-ministro - “piegas nunca!”, e o aumento dos martinis cerveja, e “não me venham para cá com ivas”, sentenciava...a conversa e o martini. Já de saída ainda escutei, “que trinque a língua dele e vá trabalhar para as obras” e, num último bafejo, uma vozinha, “a sorte é ser frio seco”, pareceu-me, mas posso estar enganado.

janeiro 13, 2012

Cloaca



Com o país a saque, assistimos ontem ao jornal da RTP2 das 22h, que desde há uns tempos parece que se chama enfaticamente de “Hoje”. Pois o Hoje durou ontem cerca de 40min., assumindo um processo de engorda característico de outros noticiários, (devidamente) repleto de couratos televisivos. Num cenário de aconchegado calorzinho, a apresentadora menina Felgueiras, apropriadamente semi-vestida, lá vai debitando aos gritinhos, enquanto caminha para trás, para a frente e, às vezes, para os lados.
O prato da semana, substituindo o velhinho da semana anterior (as lojas maçónicas em diatribes com as secretas), serve-se quentinho: nomeações para a EDP e Águas de Portugal. Em estúdio, a análise do convidado analisa. Sem ferir susceptibilidades; na posse de dados limitados; reconhecendo algum amiguismo, e deambulando entre a história da mulher de César e uma ou outra situação nomeadamente (e obviamente) contra-indicada. Risinhos. [esta(va)mos enganados quanto ao ensopado de filhadaputismos, mentiras, hipocrisia, trapaças e desprezo pela coisa cá em baixo]
Para petisco seguinte, uma visitinha à Grécia, país dos mal comportados, sinistramente emagrecido, onde agora as famílias são obrigadas a entregar as criancinhas a instituições, incapazes já de as sustentar. E ainda assim, nas ruas, manifestações, desordem e desvario. Por cá nada disso, nós ainda podemos beber copos de 5 ao balcão do Peidolas, com o IVA a 13, pois então.
E exportar pastéis de nata: encharcar o mundo de pastéis de nata; sugere-nos em sequência o nosso ministro da economia, o tio Álvaro. Em força, seguir o exemplo do MacDonald`s, do Nando`s, dos cogumelos canadianos. Sem demora a reportagem leva-nos dos pastéis de nata do Álvaro para Belém, para os pastéis de belém, para os turistas a comer pastéis de nata que são de belém. Entrevistas. Análise.
De seguida, ainda não refeitos, uma bomba: a GUCCI finalmente em Portugal: em Lisboa, ali na avenida. Olha ali a PRADA. Reportagem.
Por fim, ficamos a saber de um festival gourmet a decorrer no Hotel Vila Joya em Albufeira, com a participação de mais de 20 chefes e cerca de 65 estrelas Michelin.Entrevistas. Reportagem.
Encher o bandulho a ver os artistas na cozinha pode custar um pouco mais que um ordenado mínimo, por pessoa. Se ficarmos pela sala dos convivas, a brincadeira não chega a um ordenado mínimo por pessoa. Um festim para estômagos avisados e carteiras com algumas calorias.
Em frente, todos em força…

maio 09, 2010

Mas o que é que se passa lá fora?


Não sei de nada. Após uma breve passagem pelo albergue de saúde e de um jantar digno de um anacoreta, estive a ver um documentário (1º de uma série de 6 episódios) denominado «APOCALYPSE» na RTP2, a horas decentes, ao contrário da anterior passagem que ninguém viu. Desta vez contaram-se, pelo menos, três espectadores razoavelmente atentos. Quanto ao resto não sei de nada.

dezembro 11, 2009

Momentos Ferrero Rocher: apetece-me algo

Soube apenas hoje que o sr. Vara foi à televisão para ser entrevistado pela sra. Judite. Viva o luxo. O senhor em causa, que se saiba, não tem (de momento) nenhum cargo público ou político, seja ele qual for, achando-se pendente a sua qualidade de administrador de BCP, antes que as necessidades especiais o potenciem para algo. Então? Uma conferência em horário nobre, uma cadeira disponível na televisão pública, a propósito de quê? E os outros arguidos ou interessados neste e noutros processos? Silêncio. 
A propósito, o ex. ministro da agricultura, Jaime Silva, depois de um trabalho memorável à frente e atrás do ministério (e como aluno bem comportado), já foi absorvido pela cooperativa europeia das necessidades especiais: chefe de gabinete do comissário europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural. Número dois. Pelo mesmo caminho vai o inexcedível sr. Constâncio do banco de Portugal, exímio regulador de bacoradas e taxices (e tachices) mais ou menos incontroláveis, em trânsito para: putativo vice-presidente do BCE, candidatura apresentada pelo sr Eng. Entretanto, escrevem-se livros: jornalistas; ex polícias; gajos da bola; actrizes e actoras; seguranças; amigos do amigo; gajos com experiências… 

julho 07, 2009

Nestes dias de nada elevado ao quadrado televisivo

dizia-me o Alfredo que "notícia perfeita, perfeita, seria o Cristiano Ronaldo apanha gripe A depois de assistir às cerimónias fúnebres do Michael Jackson - em casa…".

maio 27, 2009

Contei eu...e ainda não me recompus!

Os primeiros longuíssimos quarenta e cinco minutos do jornal da tarde da SIC foram consumidos em apenas dois temas (notícias?): o caso Alexandra (cerca de 30 min) e o sr. Oliveira e Costa (15 min), este último, recentemente galardoado com o prémio Vale e Azevedo. Depois foram para intervalo(!) e aproveitei a pausa para atirar o calmante pela janela fora e fugir…

maio 08, 2009

Vasco Granja e os serões com cheiro a toalhas de croché

(1925-2009)
Morreu o Vasco Granja. Já sei, já sei, que foi há uns dias, mas não me apeteceu escrever nada logo, a seco. Pensei que outros estariam mais habilitados (por o haverem conhecido), a escrever o seu obituário. Suponho que me enganei. Alguns dos paralíticos da memória, intelectualmente robustecidos a farinha maizena (vocábulo em voga) costumam arrumar o Vasco na prateleira dos “camaradas”, “vermelhos” e da animação polaca e da ex. URSS. Por vezes, imagino, até lhe batiam nas costas. Agora, imbuídos do espírito rasteiro do relativismo pós-moderno, caçoam da própria liberdade (que sonham castrar) e fazendo jus à sua ignorância tremenda, esquecem-no. Ainda bem que te esquecem Vasco. Olha o que te digo, ainda bem que te esquecem. Sucede ainda que o Vasco integrou com o seu programa denominado Cinema de Animação (que durou de 1974 a 1990, entre muitas outras coisas que fez na vida), um elenco televisivo que foi, e ainda é, um lastro portentoso de, se quiserem chamar-lhe, conhecimento (o termo cultura está definitivamente morto) e do nosso imaginário. Não era, como hoje, necessário estar perto de um cine clube para conhecer o cinema que se fazia pelo mundo. Ali descobri Samuel Fuller, Herzog, Fassbinder; vi e revi Fellini, Pasolini e Rossellini. Voei nas “Asas do desejo” e ainda tive tempo para rever em ciclos a cinematografia de um determinado actor ou um realizador. Orson Welles e a “Sede do mal” bateram como uma barra de ferro na minha cabeça. As histórias de Hitchcock. A Twilight Zone. O detective Columbo. Quem matou a chabala, no denaneio do Lynch? E muitos mais. Alguns livros, ainda. Coisa pouca, era pedir demais. E acontece que ainda havia o “Acontece” melhor que o nada ou o não acontece de hoje. E as pessoas viam, experimentavam e, claro, seleccionavam. Hoje tudo isto é possível apenas em locais que normalmente se chamam espaços, atravessados por determinado conceito e conteúdos, onde a malta vai, com a postura e estilo adequados, a preceito. Berdamerda.