Mostrando postagens com marcador isolamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador isolamento. Mostrar todas as postagens

dezembro 20, 2020

Lembras-te querida?

 

Passeata de desconfinamento mental. Multidões desconfinam pela manhã. A máscara desceu à rua num dia assim: de chuva. Filas intermináveis confinam com o desconfinamento. De volta à casa desconfino finalmente. Nada melhor que limpar a casa ao som de boa música...

outubro 16, 2020

Stayaway to heaven (perdão, stairway)

Tornou-se um costume cool usar máscara nas ruas de Braga. Não é de agora. Imagino que em outras geografias o mesmo se verifique. São as mesmas pessoas que enfartam os centros comercias e outras grandes superfícies de distribuição, acotovelando-se, ora em corredores de parafusos, ora em galerias de cuecas de gola alta, não respeitando distâncias, mesmo as socialmente aceitáveis antes da coisa, resmungando ultrajes causados pela demora que as disposições impõem nas linhas de caixa. A imbecilidade é um bem de primeira necessidade, e os paradoxos que a definem não estão ainda ao alcance de um ser humano normal.  

Não se inquietem: as apps fazem parte das nossas vidas. Descarregar a nova app stayaway covid (que original - soa a Allgarve) controleira, é um afago carinhosamente descarregado (um milhão já o fez sem necessidade de cassetete). Não que a levem a sério, terá o mesmo destino das máscaras reutilizadas semanas a fio, com o nariz ao léu, ou desfeitas em fanecos que adornam os rostos como peneiras. A aparência é uma religião. Faz pandã com as modas e com o medo.

A imbecilidade escorre lá de cima (deixem passar) e gosta de viajar para o lado. É como as nossas vidas suspensas: lateralizam-se, futebolisticamente falando, mas não avançam. Dizem-nos o que comer e beber, são padroeiros da nossa saúde, definem regras de leitura, perseguem a pirisca, que se amanhe o piropo (os trolhas ficam com as vistas afectadas, deixai-os com os nudes e os vídeos do tik tok), o mundo avança com as proteínas disponíveis e a delação, com ou sem máscara, segue o seu curso.

A app é apenas mais troço desse caminho. Não se trata apenas de controlo, as pessoas já escancaram a sua vida nas redes, ou por uns tostões em passerelles televisivas; a questão é de princípio, inconstitucional até à medula, relacionada com as liberdades fundamentais, um dos pilares do Estado de Direito.  Não importa se uma larga maioria a aceita placidamente, ainda que, sem grande convicção. A partir daí o céu é o limite:

outubro 13, 2020

Grilhetas

 

O Cristiano tem a coisa. Pasmo? Afinal a coisa tem uma relação de proximidade com a humanidade em geral. Mesmo a humanidade atlética e com algumas posses. Os especialistas dividem-se relativamente à coisa. Os políticos, consoante a geografia, também. A coisa segue o seu curso com determinação e algum enfado próprio das coisas. A sua invisibilidade é apenas aparente: vive no olhar de muitos de nós. Entre outras coisas, gostamos de ser pastoreados. Cada grilheta a seu dono.


maio 15, 2020

Isolamento XXXI


A Oeste nada de novo, ou, a nova (velha) normalidade: o Novo (velho) Banco, a velhíssima história de sempre: as constantes injecções (qual a novidade?), ou aquela dos prémios, not so fast you greedy bastards, como se alguém objectasse o saque. A tradição ainda é o que era. Ainda se admiram com as bujardas dos golpes baixos. O patriotismo é fundamental para o bolso.

maio 13, 2020

Isolamento XXX


"O Enigma de Paris" não contém nenhum enigma a não ser o que me terá levado à compra do livro. Mas até esse tem uma explicação: a entrada, obra de um acaso, numa feira do livro (assim era denominada), numa das minhas deambulações pelo interior, concretamente, em Figueira Castelo Rodrigo, 23-04-2019, um ano antes de A.C (antes da coisa). O nome do autor, embora não estranho, soava a jogador de futebol argentino ou uruguaio, De Santis, Pablo de Santis. A tradição da literatura argentina e a ausência de alternativas fizeram o resto. Cumpriu-se assim a tradição, consumista, da compra de um livro em quaisquer circunstâncias, especialmente numa feira do livro realizada no hall de um pavilhão, sem público, e com uma senhora muito simpática a tricotar pensamentos atrás de um balcão. Quanto ao resto, exceptuado sejam, algumas boas tiradas, e o enquadramento de um velho mundo de detectives prestes a desmoronar-se à sombra da Exposição Universal (onde já vimos isto?) e da inauguração da Torre (poderes ocultos e sociedades remotas se digladiam), não fica muito para deixarmos aos nossos descendentes. Entretanto, após a exposição universal de Paris, apeteceu-me uma visita a uma outra exposição: a da estupidez e crueldade humanas:


Entre uma e outra não medeiam muitos anos. 


Isolamento (notas musicais)

maio 10, 2020

Isolamento (notas)

(aqui)

Da emergência à calamidade:  O novo CEO do BPI «promete manter o legado deixado pelos seus sucessores.» (daqui). Risinhos. 

Entretanto, diz que o futebol (onde está a massa?) vai voltar. A sério?

Já agora, visite o Museu Virtual do Cartoon (Galeria Anti COVID-19). É à borla.  

maio 09, 2020

Isolamento XXVIII

Computer Says No Little Britain Men's T-shirt | Kidozi.com

Calamidade: desgraça, catástrofe, flagelo, adversidade, o mal? Computer says yes. Rubem Fonseca says no. Ele dizia que cada palavra vive por si própria. Não existiam sinónimos, isso era coisa de gramático. A gramática actual, à falta de corrector ortográfico (esse fiasco cognominado de acordo) vive na matemática, na estatística. Ninguém (por aí além) se questiona: aplicações no telemóvel, certificados de imunidade, câmaras ocultas? Certamente. Praias com torniquetes, drones, raides aéreos? Se necessário. Os velhos por casa, no asilo (existem palavras que se adequam) sine die, restringidos por zonas e horários? É para o bem geral.

Rentes de Carvalho: Assusta-me também a perspetiva de que este ambiente de medo veio para ficar, porque ajuda eficazmente a manter o cidadão assustado, obediente, pronto a denunciar o vizinho que não obedece. o vizinho que não obedece.(…) Em matéria de catástrofes, a minha imaginação tem tendência para disparar, mas em momento nenhum me ocorreu que isto poderia acontecer, como ainda considero incrível o pouco valor que os indivíduos dão à liberdade e o tremendo poder do medo. (Diário de Notícias – 09/05/2020)

maio 01, 2020

Isolamento (XXVI)


Da emergência à calamidade: melhorou?
Infecção financeira na economia (assim, de ouvido): previsão, ou gosto pela roupagem vírica?

Dá-me a honra de uma dança? Uma valsa com a língua portuguesa (para desenfastiar): o pregador não tinha dois dentes na frente e isso, para mim, lhe dava alguma credibilidade. As pessoas sem dentes me comoviam. Além do mais era pálido e parecia hospedar em seu corpo todos os vermes conhecidos e desconhecidos da parasitologia tropical, escreve Rubem Fonseca em “A Grande Arte”. A falta de dois dentes na frente, para efeitos de credibilidade, recordou-me os Gato Fedorento (antes da criminalização do piropo, mesmo com o uso de máscara): aos 2m:11s, por favor.

Henrique Raposo é um conservador de direita, pertencente ao clube de fãs de Scruton, ao menos isso. Começo sempre, se disponível, o Expresso pelo fim. É uma questão de credibilidade, a entrada pelas traseiras. Ainda há pouco lia: Não aceito que você seja tratado como uma criança ou como um escravo. Se estas app que imitam as soluções chinesas não são inconstitucionais, então não sei para que serve a Constituição. Ser livre tem um preço. A liberdade tem um custo. Não podemos querer uma coisa e o seu contrário, não podemos desejar uma liberdade ocidental nos tempos normais e um Estado totalitário chinês quando os tempos apertam. Até porque estas app que surgem no sulco aberto pelo arado da covid-19 são apenas a porta de entrada para uma tentação possibilitada pela tecnologia. Começo a ter uma estranha relação de proximidade com Raposo, potenciada pelas nossas diferenças.

E a língua portuguesa continua: no sulco aberto pelo arado da covid-19, ou descarregado por um outro afluente, surge a inevitável (dizem-nos) questão: qual a primeira coisa que quer fazer (quando voltarmos à normalidade)? Pergunta do Expresso. Resposta de Adolfo Lúxuria Canibal: Estou a dar-me muito bem com o confinamento. É a realização do sonho pré-adolescente de um amor e uma cabana. Já tenho saudades disto, pensando que um dia vai acabar. Foi a desculpa perfeita para ser antissocial sem levantar suspeitas. Ainda há esperança. 

Isolamento (notas artísticas)


abril 28, 2020

Isolamento (notas artísticas)

Isolamento I (actualização II)



(28/04/2020)

Tudo volta, até as obras. A sua evolução foi sendo exposta aqui e aqui. O resto é obra da primavera, expressa nas folhagens das árvores. A minha rua e a senhora da caixa do Mini tinham ambas razão: são duas construções, a mais recente teve início ontem, e fica bem ao lado da referida anteriormente, uma supostamente ligada à distribuição, outra, dizem, à comida rápida, assim mesmo na língua de Camilo, que nunca a deverá ter provado. Leonardo Benevolo, no seu livro “A cidade na história da Europa” escreve: as obras que hoje fazemos nas cidades – as respostas que damos aos nossos problemas momentâneos – serão vinculativas por muitos anos, mesmo quando os modos de pensar e de viver já tiverem mudado, e como fazemos modificações cada vez maiores e mais frequentes, vamos prejudicar cada vez mais a vida das gerações futuras, sem todavia sabermos prever e gerir suficientemente os efeitos remotos dos nossos actos. A cidade, diz-nos Italo Calvino em “As Cidades Invisíveis”, não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes. Olho lá para fora com os olhos e os ouvidos, e recordo-me do título de um filme que anunciavam recentemente num dos canais da tevê: grávida…mas pouco. É isso Braga: cidade…mas pouco.