junho 08, 2026
janeiro 22, 2025
A propósito
«- Um bom agente dos
serviços de informação está perdido quando tem que intervir nalguma coisa que
já aconteceu. A nossa profissão é fazer acontecer antecipadamente. Estamos a
gastar não pouco dinheiro para organizar tumultos nos boulevards. Não é preciso
muito, umas quantas dúzias de ex-detidos com alguns polícias à paisana,
saqueiam-se três restaurantes e dois bordéis cantando a Marselhesa,
incendeiam-se dois quiosques e, depois, chegam os nossos fardados e prendem-nos
a todos, depois de uma simulação de luta corpo a corpo.
- E para que serve
isso?
- Serve para manter no fio das preocupações os bons burgueses e convencer a todos de que são necessárias atitudes fortes. »
“ O Cemitério de Praga”, Umberto Eco (Gradiva)
setembro 09, 2023
julho 24, 2023
O homem que gostava de cães
março 06, 2022
janeiro 09, 2022
novembro 11, 2021
outubro 18, 2021
agosto 25, 2021
julho 11, 2021
junho 20, 2021
Ontem não te vi em Babilónia...estive a acabar o "Guerra e Paz"
Ia escrever: terminei o Guerra e Paz, mas não se termina o Guerra e Paz. Continua-se. Escrevi algures:
Acabei o Guerra e Paz e agora o que
fazer?
Escrevi algures:
- Que fizeste da tua vida?
- Li o Guerra e Paz.
Continua-se. Cerca de mil e
seiscentas páginas, edição da Presença, mais de dois quilos de papel, quantas
palavras?, milhares, milhares de palavras, o tempo, o da leitura, o tempo,
noutro espaço, o da escrita. Outro tempo. Para desopilar reli outra vez o fim,
e fui reler, a propósito de um recente programa de rádio, “A lotaria da
Babilónia”, um conto de Ficções
(1944), de Jorge Luis Borges. Estou farto de ser salvo pelas palavras: como todos os homens da Babilónia, fui
procônsul; como todos, escravo; também conheci a omnipotência, o opróbrio, o cárcere:
Olhem: à minha mão direita falta-lhe o indicador.
Continua-se. Agora assim:
junho 03, 2021
abril 30, 2021
abril 08, 2021
fevereiro 28, 2021
Manifestamente exageradas, as notícias da nossa retirada à Mark Twain
Acabada a empreitada (é disso que
se trata), adjudicada por ajuste directo, com início no final do ano passado,
prazos largamente incumpridos, onde se misturaram alhos com bugalhos de outras
leituras, cerca de mil e duzentas páginas e quase dois quilos de papel mal
pesados na minha balança da casa de banho depois, senti-me (isto foi na semana
passada) ligeiramente atormentado por um vago sentimento de dever cumprido.
Deixarei a análise afoita da obra para blogueiros mais audazes e dados a pareceres
técnicos sobre florzinhas e encontros literários com a pluma em riste. Temos
outros planos. Ainda indigeridos.
Entre outros, comecei com isto (desvairado):
dezembro 07, 2020
Todas as noites me despeço
Todas as noites me despeço
de mim. O dorso afunda-se.
O bulício, os relógios
prosseguem por fora,
Nenhum antegosto
ou prelúdio do fim.
Minha energia
aflui, reúne-me? Na órbita
do sono, some-se e resplandece
a máscara mortuária.
novembro 20, 2020
Jangada de Pedra
novembro 10, 2020
outubro 22, 2020
Águas-Fortes Portenhas
Acordei, bebi água, e voltei aos
lençóis. Dei uma vista de olhos aos jornais e enfiei de golada três “Águas-
Fortes Portenhas” de Roberto Arlt. O mata-bicho do dia. Na verdade, esta
história começa muitos anos antes, algures numa biblioteca.
Já não sei em qual foi: Barcelos,
Braga? Conheci Roberto Arlt na estante correspondente à América do
Sul, prateleira da Argentina. Ali estava ele, completamente desconhecido,
solitário, a caminhar desesperadamente pelas ruas de Buenos Aires. Mas isso eu
não sabia ainda. Encontrei os “Os sete loucos” por acaso, edição da Cavalo de
Ferro, na capa um homem segurava uma rosa com a boca. Gostei da capa e li freneticamente o livro. Pesquisei. Não encontrei mais nada editado em português
de Roberto Arlt. A vida continuou algures entre estantes, o tédio, e o
ganha-pão necessário.
Acabou por sair uma nova edição
da Cavalo de Ferro. Roberto Arlt passou a ser da casa. Entretanto saíram
“Escritor fracassado e outros contos”, pela Snob, e “Águas-Fortes Portenhas”
(Editora Exclamação) que vou consumindo aos tragos para não emborcar tudo de uma
vez. São crónicas ou “notas” pintadas à
mão enquanto Arlt vagueava por Buenos Aires, escritor caminhante, ou
caminhante escritor, não se sabe bem.
Se pesquisarem no google e se lerem o posfácio desta edição encontram Arlt nascido em 1900 e falecido em 1942. A crer em Alberto Caeiro uma biografia só tem duas datas: o nascimento e a morte. Entre uma e outra todos os dias foram de Roberto Arlt. A nós resta-nos o prazer de os tentar vislumbrar.
outubro 14, 2020
Conquanto


























