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fevereiro 28, 2021

Manifestamente exageradas, as notícias da nossa retirada à Mark Twain

 


Acabada a empreitada (é disso que se trata), adjudicada por ajuste directo, com início no final do ano passado, prazos largamente incumpridos, onde se misturaram alhos com bugalhos de outras leituras, cerca de mil e duzentas páginas e quase dois quilos de papel mal pesados na minha balança da casa de banho depois, senti-me (isto foi na semana passada) ligeiramente atormentado por um vago sentimento de dever cumprido. Deixarei a análise afoita da obra para blogueiros mais audazes e dados a pareceres técnicos sobre florzinhas e encontros literários com a pluma em riste. Temos outros planos. Ainda indigeridos. 

Entre outros, comecei com isto (desvairado):


Escreve o pendura (por acaso foi Monsieur Vernet), pela pluma de Renard: confesso que a mim, como a todas as pessoas sérias, em certas ocasiões é agradável tomar banho com um pouco de lama. Isto dava panos para pangas, mas não temos tempo para análises vexatórias.   

agosto 29, 2012

Joga o Vila-Matas e se calhar o Renard


Eu cá cheguei ao Jules Renard através de uma desmarcação do Vila-Matas no Diário Volúvel. O Jules (até) estava cá em casa, ali no cantinho esquerdo das estantes, na decrépita secção poesia e arredores. Daí eu ignorava isto:
«O meu não come ratos, não gosta. Se apanha algum, é para [brincar com ele.
Quando brincou tudo, poupa-lhe a vida, e vai sonhar noutra parte,
[o inocente, sentado no caracol do seu rabo, a cabeça fechada [como um punho.
Mas, por causa das garras, o rato morreu.»
É “o gato” das Histórias Naturais*, um gato como este cá de casa, que gosta de sonhar longe quando não está por perto, e que brinca aos ratos com ratos verdadeiros. E se eles morrem já se sabe.
Poucas traduções portuguesas se encontram de Renard, parece. Em francês é fácil de encontrar, mas menos de ler. Entre outros, um dos passes de Vila-Matas, trazia esta frase de Renard: «Quando a preguiça te faz sentir infeliz, vale tanto como o trabalho». Tu queres ver…

 *in “poesia do século XX”, Antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena. Asa.