abril 25, 2022
março 06, 2022
outubro 18, 2021
outubro 16, 2020
Stayaway to heaven (perdão, stairway)
Tornou-se um costume cool usar
máscara nas ruas de Braga. Não é de agora. Imagino que em outras geografias o
mesmo se verifique. São as mesmas pessoas que enfartam os centros comercias e
outras grandes superfícies de distribuição, acotovelando-se, ora em corredores
de parafusos, ora em galerias de cuecas de gola alta, não respeitando
distâncias, mesmo as socialmente aceitáveis antes da coisa, resmungando
ultrajes causados pela demora que as disposições impõem nas linhas de caixa. A
imbecilidade é um bem de primeira necessidade, e os paradoxos que a definem não
estão ainda ao alcance de um ser humano normal.
Não se inquietem: as apps fazem parte das nossas vidas.
Descarregar a nova app stayaway covid
(que original - soa a Allgarve) controleira, é um afago carinhosamente
descarregado (um milhão já o fez sem necessidade de cassetete). Não que a levem
a sério, terá o mesmo destino das máscaras reutilizadas semanas a fio, com o
nariz ao léu, ou desfeitas em fanecos que adornam os rostos como peneiras. A
aparência é uma religião. Faz pandã com as modas e com o medo.
A imbecilidade escorre lá de cima
(deixem passar) e gosta de viajar para o lado. É como as nossas vidas
suspensas: lateralizam-se, futebolisticamente falando, mas não avançam.
Dizem-nos o que comer e beber, são padroeiros da nossa saúde, definem regras de
leitura, perseguem a pirisca, que se amanhe o piropo (os trolhas ficam com as vistas afectadas, deixai-os com os nudes e os vídeos do tik tok), o mundo avança com as
proteínas disponíveis e a delação, com ou sem máscara, segue o seu curso.
A app é apenas mais troço desse caminho. Não se trata apenas de controlo, as pessoas já escancaram a sua vida nas redes, ou por uns tostões em passerelles televisivas; a questão é de princípio, inconstitucional até à medula, relacionada com as liberdades fundamentais, um dos pilares do Estado de Direito. Não importa se uma larga maioria a aceita placidamente, ainda que, sem grande convicção. A partir daí o céu é o limite:
setembro 25, 2020
mas isso será objeto de outro poema*
Eles assustam, mentem, manipulam, às falsas esperanças seguem-se as
ameaças a sério, as multas, e a promessa de que a desobediência se paga caro
põe todos os narizes para o mesmo lado, o rebanho obediente caminha atrás de
pastores que num mundo menos torto seriam levados à forca. Grande bênção o coronavírus, que
anuncia o admirável mundo novo. Reze-se um padre-nosso de graças a George
Orwell, que deixou o aviso, mas nada adiantou, porque as ovelhas não vêem, não
ouvem, não compreendem, são cegas, mansas, medrosas, gostam de obedecer e de
cacete no lombo.
(daqui)
(*sacado a Benjamin Péret)
outubro 29, 2018
Fui ver do mundo
março 14, 2013
O ser humano como lugar público (ou como aos poucos também os micos, mirones, bufos e cuscos perderão a sua ocupação milenar)
março 15, 2012
Liru e companhia
Uma sociedade sem conflitos só pode ser uma sociedade totalitária, e já não restam dúvidas de que a utopia capitalista abre caminho a uma implacável ditadura: a do mercado. O que está em jogo é o fim de um período do capitalismo ligado de certo modo à emergência de uma sociedade pluralista. A gigantesca redistribuição dos mercados mundiais a que hoje se entregam os colossos do capital financeiro, a concentração em poucas mãos de quantidades de dinheiro astronómicas, significam o dobre de finados do pluralismo sob todas as sua formas."
“Ideias Lebres”, Ernesto Sampaio (Ed. Fenda)
Sacado daqui
maio 01, 2011
Simplesmente inteligência
abril 17, 2011
Eles andam aí
"o filho-da-puta (mesmo quando ainda não o sabe) vive de um modo geral preocupado, vive tanto mais preocupado quanto mais filho-da-puta é, vive preocupado com as suas preocupações e com a despreocupação dos outros, vive em permanente inquietação mesmo quando aparenta calma, tudo o que é novo o perturba, é para ele causa de tormentos e temores (…).
De resto, o filho-da-puta gosta de falar de doenças, de assistir a desastres, de ver tristes ocorrências; o filho-da-puta sente-se confirmado sempre indirectamente, sempre na preocupação dos outros, ou no que ele julga ser a preocupação dos outros; por isso se alegra com a fraqueza alheia e ri das minorias, dos que são diferentes dele, ri porque tem a certeza de que é ele, filho-da-puta, que está certo, que sempre esteve e está certo."
“discurso sobre o filho-da-puta”, Alberto Pimenta, 7 nós, 6ª Edição (a 1ª edição remonta a 1977)
abril 28, 2009
Toda a gente tem um buda em casa perto daquele quadro do menino a chorar, não?
Agora e, já agora, fala-se de censura. Parece que também um livro do Ubaldo Ribeiro, que ninguém leu, inclusive eu, sim eu, o último dos leitores avulso e do prazer que ainda se dão ao trabalho de ler, foi excomungado. Ocorreu no denominado grupo (como?) Auchan, grupinho jumbo, que merece letra pequena, a acompanhar estas minudências dos apóstolos da razão. Parece que há gente que se insurge perante tal originalidade(?). Nunca li, ainda mais agora que me esfalfo por acompanhar a senda dos clássicos e dos outros menos clássicos que sem dúvida o serão no futuro, e ainda outros que dependem do meu egocentrismo de leitor, que parecem, assim à primeira vista, importantíssimos, e já estou a levar por tabela, contra as margens do minimamente correcto e oxidado mundinho. Enquanto as órbitas voltam ao lugar, deprimo durante 14 segundos e assou-o o nariz. Anacrónico, penso nos prodígios do condestável que apesar de militar afoito se tornou, afinal, santo. Antonin Artaud, que enlouqueceu rodeado de santos e seus bastões e rufias com a alma a rasgar-se, escreveu o seu “Heliogabalo ou o Anarquista Coroado”, desamarrando-se deste mundo pelo nariz, e eu anarquista descorçoado, vou se calhar ler o Ubaldo e "A Casa dos Budas Ditosos”, depois de reler uma viagem ao mundo de “Os Tarahumaras”, longe de serem clássicos….abril 25, 2009
E a 26?
Como dizia um amigo meu “o mais importante do 25 de Abril é o que acontece (e aconteceu) a 26 e por aí fora” Viu-se…





