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março 15, 2012

Liru e companhia

“Aqui, tudo se equivale, e a “esquerda” está para a direita como os parceiros de sexo nas trocas de casais de sábado à noite. A neutralidade pseudo científica é agora o “nec plus ultra” dos intelectuais-lulus que no regaço da grande burguesia ganem de volúpia a sonhar com uma sociedade sem conflitos, onde o mercado regule harmoniosamente a ordem colectiva e a vida social, espécie de capitalismo utópico que, através de “consensos”, neutralize os choques de interesses e expulse definitivamente a política.

Uma sociedade sem conflitos só pode ser uma sociedade totalitária, e já não restam dúvidas de que a utopia capitalista abre caminho a uma implacável ditadura: a do mercado. O que está em jogo é o fim de um período do capitalismo ligado de certo modo à emergência de uma sociedade pluralista. A gigantesca redistribuição dos mercados mundiais a que hoje se entregam os colossos do capital financeiro, a concentração em poucas mãos de quantidades de dinheiro astronómicas, significam o dobre de finados do pluralismo sob todas as sua formas."

[Publicado no Diário de Lisboa, de 19/6/1987]

“Ideias Lebres”, Ernesto Sampaio (Ed. Fenda)

Sacado daqui 

janeiro 23, 2010

A semana requentada


Não sei bem, mas um destes dias, um destes dias, com a camisinha aberta até ao início do fim do diafragma, onde de resto (não faço por menos) pontificará um Cristo pendurado em prata de lei, entre convulsões mais ou menos enérgicas resultantes do consumo excessivo de espumante fita azul, comentarei, entre pratos, a notícia da semana; a saber, o Ricardo Sá Pinto, contra todas as expectativas, violentando um ex. caixa de supermercado que ganha agora 120.000 ouros, assim por alto. Por agora, não sei bem porquê, deambulo com o Chatwin, entre uma assoalhada e outra, enfarpelado de mutante intrépido, à procura de um tal Ravenstein, saído da pena de um gajo mais ou menos americano: um tal Bellow. “De belouuu não tinha nada”, remata o desaparecido Alfredo, menos fresco de que uma alface, e não é para menos, depois do temporal que se arremeteu contra as estufas do oeste. Depois, se tiver vagar, ainda vou ao youtube, guarnecer a minha sapiência de notas sobre fruta, bola e o sr. Pinto da Costa. Mas isso será lá mais para o fim da noite, quando encontrar o Céline espalmado numa vidraça, como consta numa obra apócrifa de um (outro) amigo meu. Que é um regalo para as vistas...

novembro 06, 2009

Estou a ficar farto: é o Público é o Sporting é o estado da tijoleira da cozinha

Ivone Rocha (advogada); Pedro Rosa Ferro (economista); José Assis (advogado). Eis o Espaço Público do jornal Público. A opinião, pois claro. Acresce um editorial sem erros ortográficos, correctíssimo, do ponto de vista da rectidão e do correcto, devidamente não assinado e lavrado por todos os silêncios que o acompanham. É claro que temos o resto do jornal, cada vez mais apagado e menos buscão. Temos a avançados ( e em idade avançada) o Vasco Pulido Valente, o (agora sóbrio) Esteves Cardoso, e (por enquanto) o Bartoon do Luís Afonso. Hoje aqui a carcaça inchou um euro e cinquenta pelo pasquim. Valha-nos alguma (cada vez mais rara) literatura no Ipsilon. Dava um conto para a liga de defesa dos leitores para que voltasse o Mil Folhas. O suplemento e o bolo.