junho 03, 2021
setembro 14, 2018
Da crítica a livros e outros desvarios, já agora
junho 30, 2015
setembro 25, 2012
Um Sporting Sá Pintoniano absolutamente literário (contra um Gil Vicente não poderia ser de outra forma)
Tás lá Sá Pinto, caso contrário, como diz a Lianor [na farsa de Inês Pereira]: “dai isso por esquecido,/E buscai outra guarida.”
Sacado daqui
Nenhum jogo que disputarás será a Batalha de Agincourt. Não és Henrique V. Também não sou Shakespeare. Mas sempre que tiveres dúvidas, lê a peça. Vais ver que está lá mais do que em todos os livros sobre futebol que possas ler.
Sacado daqui
agosto 14, 2012
Viagens
” Viagem a Portugal (pp.31), José Saramago. Caminho.
tabuleta
julho 22, 2012
Não sei se o paraíso será uma espécie de biblioteca ou se ficará algures na Argentina: sucede que Borges escreveu assim sobre Manuel Mujica Lainez
el paraíso
junho 15, 2012
O papagaio de Flaubert*
“Os dois dialogavam, ele debitando à saciedade as três frases do seu reportório, e ela respondendo-lhe com palavras já sem sequência mas em que o seu coração se desafogava. Lulu, no seu isolamento, era quase um filho, um namorado. Ele subia-lhe pelos dedos, mordiscava-lhe os lábios, agarrava-se-lhe ao lenço; e, como ela inclinava a testa abanando a cabeça como as amas, as grandes abas da coifa e as asas do pássaro agitavam-se em conjunto.” “Um coração simples” (pp.39), in Três contos, Gustave Flaubert. Tradução de Pedro Tamen. Relógio de Água.
*Retirado do título de um livro de Julian Barnes, por sinal uma verdadeira obra-prima contemporânea, verdadeiramente inesquecível, pelo menos para mim, que é o que interessa, não é?
fevereiro 14, 2012
O crepúsculo em todo o lado

“Se eu fosse de férias à Grécia, pensava comigo, iria a Estágira inclinar-me perante a memória de Aristóteles, que ali nasceu, se eu fosse à Grécia, então, certamente, nem que fosse de ceroulas com atacadores junto dos tornozelos, correria a volta de honra, em memória de todos os vencedores de todos os Jogos Olímpicos, se eu fosse à Grécia…Se eu fosse à Grécia com aquela brigada socialista de trabalho, far-lhes-ia uma conferência sobre todos os suicidas, sobre Demóstenes, sobre Platão, sobre Sócrates (…) Mas já começou uma nova época, um mundo novo, os jovens pensam noutras coisas, talvez já tudo seja bem diferente neste mundo.”
“Uma Solidão Demasiado Ruidosa” (pp. 85/86), Bohumil Hrabal, Edição Afrontamento.Tradução de Ludmila Dismánova e Mário Gomes
janeiro 09, 2012
Porra: o “egoísmo vital experimenta medos pessoais”

«Os trapos da pequena abateram-se; uma após outra as tamancas caíram no vazio da noite e duas asas resplandecentes brotaram das suas espáduas. Ela voou, entre Santa Maria e Santa Madalena, em direcção a um astro rubro e desconhecido onde se encontram as ilhas dos Bem-aventurados. É aí que um ceifeiro misterioso vem todas as noites, com a lua por foice; ceifa, entre os prados de abróteas, estrelas cintilantes que semeia na noite.»
Marcel Schwob, “A Tamanca”, in “Coração Duplo, vol. 1”- Tradução de Raúl Henriques - Edição Cavalo de Ferro
novembro 01, 2011
Coisas mesmo importantes
outubro 23, 2011
Os 400 golpes mais 1
Estávamos em 1959, e recordei-me logo de uma frase do Pepe Carvalho (no Milénio I de Montalbán), aludindo ao ”envelhecimento da modernidade”, ou se quisermos, o envelhecimento precoce da modernidade. A coisa nasceu velha. De um capitalismo juncado (e fundado) em cadáveres, passamos - e estou agora claramente a extrapolar viajando no tempo- para um capitalismo juncado de dívidas e fundamentado nestas. Vítima alarve, dir-me-ão, mas não me comovo, sabendo que a estes políticos e dirigentes dá muito jeito a total ausência de memória, e um desconhecimento quase total do povo da (sua) história (para além de datas avulso e comemorações esvaziadas do seu sentido), reconhecendo-se, todavia, que aqueles políticos que constam da frase anterior também desconhecem a história e têm a memória mais curta que um peixe. Por isso dá jeito.
agosto 27, 2011
21 gramas
"Estava frio dentro do quarto. Fechei outra vez a porta, limpei o puxador com o lenço e voltei para junto do totem. Ajoelhei-me e observei a superfície de pêlo alto da carpete que ia até à porta da entrada. Pareceu-me ver dois sulcos paralelos como se tivessem arrastado nessa direcção os calcanhares de alguém. Quem quer que tivesse arrastado o corpo estava determinado. Homens mortos pesam mais do que corações partidos.(....)"
Philip Marlowe in “À Beira do Abismo” de Raymond Chandler
Tradução de Carlo Magalhães
julho 11, 2011
junho 19, 2010
maio 23, 2010
Irmãos em universo *
"Quando já se tem muita experiência do mundo, começamos a interrogar-nos se a experiência de todo esse tempo nos serviu realmente para alguma coisa e se aprendemos algo que possa ser para os nossos filhos, discípulos, amigos. Como não tenho filhos nem discípulos, concentro-me nos amigos. Reúno-os mentalmente num quarto às escuras, como se estivéssemos numa sessão de espiritismo. Cria-se uma certa expectativa face ao que agora lhes possa dizer. Esgoto todas as possibilidades de não ter de falar, porque, na realidade, ter de transmitir o que quer que seja para a posteridade é um problema, um grandessíssimo problema e uma chatice. Mas finalmente obrigam-me e digo:- Os que melhor falaram da morte morreram."
* A frase título inicial era: Este gajo faz-me bem. [Escrito na margem do livro]
abril 17, 2010
Leopoldo Lugones
Olharam-se então; e o que havia em seus olhos não era delícia senão dor. Algo tão distante do beijo, que nele cabia a eternidade.
in "Francesca".
fevereiro 21, 2010
Consta que é domingo...
À hora inquieta do “Coiote” na Antena 3, já carrego duas marrecas de dia às costas, para dizer pouco, e ainda sem adro à vista lanço um último olhar às estrelas pequeninas que se regozijam no meu pedaço de céu. Uma carne estufada com vaca a tiracolo engraça entretanto com um ovo estrelado, mais salada e vinho tinto californiano, confluência sinistra que desagua invariavelmente num leito de whisky a dar para o pensamento. Atrevo-me, por momentos, a sufragar esta melancolia que rumina outros lugares. Sei disso. Mas não me sai da cabeça um livro do Alberto Manguel e um outro do Sebald. E não faço por menos a desmama do Giacomo Casanova: “Creio que na sua maior parte os homens morrem sem nunca chegarem a pensar”,in, “História da minha fuga das prisões de Veneza”, edição Antígona, 2006 (tradução de José Miranda Justo). Não tenho dito.janeiro 26, 2010
da política
Das “Memórias de Além-Túmulo” de Chateaubriand, sobre um tal de Talleyrand, que fora ministro dos Negócios Estrangeiros de Luís XVIII, in “Um Diário de leituras”, de Alberto Manguel. As “Memórias” do Chateaubriand não são fáceis de arranjar por aqui…
novembro 11, 2009
Desencontros
Num desses intermináveis passeios que me costumam aconchegar os dias, dei por mim num local já largamente fora da cidade onde, para todos os efeitos, eu era um incógnito num sítio desconhecido. “Que boa oportunidade para desaparecer”, pensei então, recordando o escritor Andrés Pasavento que à chegada a Sevilha aproveita que um homem de fato às ricas apanhe o seu táxi para desaparecer, supostamente sem deixar rasto, convertendo-se no Doutor Pasavento, descobrindo depois que ninguém deu pela sua falta. Nesse romance, Doutor Pasavento, Enrique Vila-Matas recorda Robert Walser, esse grande escritor, desaparecido toda a vida, e que depois de entrar no manicómio de Herisau na Suiça, nunca mais escreveu, preferindo dar uns intermináveis passeios solitários, até que a morte chegou num dia de natal precisamente durante um deles. Pensei na encruzilhada de caminhos que por vezes se cruzam sem, provavelmente, nós sequer notarmos. Curiosamente, quando voltava, veio-me à cabeça, não sei bem porquê que, se uns desaparecem outros simplesmente não aparecem. Um exemplo dos que não aparecem é visível na ausência (neste caso penso que notada) de Obama durante as comemorações da queda do (tal) muro da vergonha em Berlim. Talvez por vergonha. Um desses muros (da vergonha), embora travestido de (supostas) boas intenções cresce a olhos vistos na fronteira dos E.U.A com o México. Outros erguem-se como cogumelos sempre imbuídos de um espírito altruísta e não segregador: na fronteira de Israel com a Palestina; no Rio de Janeiro; nos gigantescos condomínios fechados adornados de arame farpado em São Paulo; entre as duas Coreias; na ilha de Chipre e aqui ao lado em Ceuta, entre outros. Estuguei o passo com receio que não dessem pela minha curta ausência. Todavia, desaparecer neste mundo em que cada muro tem um significado distinto pareceu-me então uma excelente ideia. 





