novembro 04, 2016
flanância
novembro 02, 2016
holidays
PS: algumas cervejas.
agosto 07, 2013
setembro 04, 2012
Diz que Blaise Cendrars também lhe cantou a sina
agosto 14, 2012
Viagens
” Viagem a Portugal (pp.31), José Saramago. Caminho.
tabuleta
julho 23, 2011
Bússola Andress
Há qualquer coisa de insidioso na rotina. O mesmo se passa na viagem. Talvez por isso ambas sejam tão necessárias. Pensava nisso agora enquanto começava a escrever algo, supostamente, acerca da linguagem, e de como esta serve como veículo de transmissão de falsificações, de criação de ilusões. Nas TVs da Europa, os movimentos tipo “indignados” surgem-nos como algo novo. Novo?, interrogo-me. Diferente? De que modo isso releva ou interessa ao outro lado, ao sistema capitalista? Existirá um outro lado, ou será apenas outra face da mesma moeda?
Recordo, por exemplo, um acampamento em Londres que observei em Julho de 2010, (uns meses antes dos acampamentos indignados - que merda de nome) ali bem no centro político da cidade. Não me recordo porém de o ver na TV, muito menos
Recentemente deparei-me com um “Bal Populaire”, ali para os lados de Montmartre, junto à estação de metro de Abbesses, organizado por uma tal de “Union des Etudiants Communistes”. A coisa era gratuit, e tinha supostamente uma costela de “solidarité avec les peples árabes!”, mas não se notava nada, quer dizer, a malta não estava a dizer palavras de ordem, nem sequer havia palanques ou discursos à volta da fogueira, nem assembleias, nem ponto do dia. E se calhar também não estavam assim tantos Árabes como isso. Simplesmente música ao vivo, rock, hip-hop, reggae - pareceu-me, e nada de especialmente recomendável; salsichas e uma cena qualquer de porco (porco e Árabes?) grelhada; bebidas alcoólicas (ui, os árabes), tipo cerveja choca, Ricard, vodka e até vinho tinto a copo. A fauna era variadíssima, entre pretos, brancos, árabes(?), alguns turistas, franciús, freaks, japoneses de câmara tudo menos oculta, e gajos que não se percebia muito bem o que eram, ou deixavam de ser. Se no primeiro dia ainda se viam uns tipos com autocolantes da UEC, no segundo dia nem isso. Não era encenado. Era quase só divertimento, aberto a toda a gente. Era barato. Ninguém chateava, mesmo quando alguém vociferava (quase murmurando): la decadence de
julho 10, 2010
julho 04, 2010
dezembro 30, 2009
novembro 30, 2009
Ir para fora cá dentro
abril 08, 2009
A linguagem e o papagaio – ambos empalhados
Um pouco antes de 1984, um médico de carreira viúvo, que um dia havia sonhado ser escritor, tendo optado por seguir apenas medicina (dada a impossibilidade de fazer bem e ao mesmo tempo duas coisas), calcorreava as ruas de Rouen onde Flaubert nasceu e Croisset onde viveu. Eu pela mesma altura estava a braços com a instrução preparatória, ou até Liceal, onde por carga de água nenhuma se tinha pé em Flaubert. Mas como o rio era perto, tínhamos pé noutras coisas, sem dúvida, tanto ou mais, aliciantes. Foi perto desse rio que comecei a ler coisas mais sérias. Hoje, um pouco longe, mas por momentos sentindo o seu fresco (tinha dias) aroma leio:
Contra a estupidez do meu tempo, sinto correntes de ódio que me sufocam. A merda chega-me à boca como se tivesse uma hérnia estrangulada. Mas quero conservá-la, fixá-la, endurecê-la; quero formar uma pasta com a qual possa cobrir o século XIX, do mesmo modo que pintam os pagodes indianos com excrementos de vaca.
Gustave Flaubert citado in "O Papagaio de Flaubert"
março 05, 2009
Está por perto
Francis Bacon, Study after Velazquez's Portrait of Pope Innocent X, 1953.
Grande exposição no Museu do Prado...
fevereiro 26, 2009
coisas do espírito
O silêncio mordeEndurece as veias
Rasga e borda seu nome
nas sobras do corpo
cingindo-o
Um rosto de pedra
assoma
e mais além cresce
Tudo isto na sombra
de perfil
rente à abóbada de um segundo
"e as paredes brancas", II Poema, in "Poesia em Miniatura" de Fernando P. Ginja, poeta e amigo, desaparecido algures no mundo, qual Rimbaud intrépido, sem arma a tiracolo e bem capaz de se amarrar a qualquer galho.
adenda: imagem cedida por casoual.files.wordpress.com
outubro 29, 2008
o dia a dias com o Chatwin e outros a tiracolo
Parara de chover e eu imaginava os dinossauros despreocupadamente a calcorrear a terra. Claro que relia "Na Patagónia" de Bruce Chatwin, obra que me acompanha na loucura mais desvairada dos dias, já ensebada na mochila. Retiro-a e leio, na companhia igualmente imaginária de W.G. Sebald, algures numa estação de comboios, talvez em Coimbra, talvez Milão, talvez Zurique, talvez perdido no condado de Suffolk, ou na gare de AUSTERLITZ, de qualquer modo, seguramente ainda longe da Patagónia, leio:
Parara de chover e chegara o momento de eu partir. As abelhas zumbiam à volta das colmeias do poeta. Os damascos amadureciam com a cor de um sol pálido. Nuvens de lanugem de cardo pairavam no ar, e carneiros brancos felpudos pastavam no campo.
A seguir, eu, ele, acenando ao poeta seguimos caminho: todos os dias, sem a certeza ou a relevância de sabermos a verdade, ou se por aí haverá ainda mais um SUL que nos aconchegue, nas palavras de Cendrars, a nossa tristeza.
agosto 26, 2008
Partir...
Há quem diga que nos dias de hoje temos que pegar numa arma. Eu prefiro a mochila. A mim, Bruce Chatwin!...
julho 28, 2008
Dos sonhos e da memória
Depois de mais uma viagem em terras lusas, desta feita, sem desprimor, acompanhando os montes e vales da Beira interior até Espanha, por entre esqueletos de castelos e memórias cauterizadas pelo fogo e pelo sol, Alfredo rejubilou, ninguém sabe bem porquê, com o regresso. Alfredo é bem capaz de ser um conservador altivo com laivos de anarquista desprendido. Às vezes é outra coisa qualquer olhando-se ao espelho. Fui a sua casa e a inicio nem uma palavra. “A memória de Alfredo está fraca”, disse-me a sua companheira. Rimo-nos os dois. Entrementes, Alfredo poisava a mão na palmatória. “Que tal?” arrisquei, curvando-me para o observar no seu nicho acolchoado. Alfredo olhava a janela. “Sabes, hoje vim para trás duas vezes, a casa, duas vezes, observa bem, para verificar o verificado: se a puta da torradeira estava desligada?... se o não estivesse, oh, sim, se não estivesse devidamente desligada, não estaria a casota a arder, a arder como uma desvairada, não me dizes? Fechei todas as torneiras, fechei a água no exterior da casa, estive quase para remediar-me, bem o sabes, a tolher-me de coragem e sem escrúpulos incentivar a caracoleta do andar de baixo ao crime. A senhora arcaria com as consequências, ficaria responsável pela casa, que até é sua, e eu planearia ao pormenor a destruição da dita. E estaria a milhas. E estaria livre”. Alfredo, ao acabar de falar, em êxtase, levantando-se de um trago, dirigiu-se-me com um olhar triste de cão amarelo: “ O pior, sabes, o pior, é que não passou tudo de um sonho, inclusive o retorno a casa, mas que depois não chegou ao concreto, isto é, a coisa não chegou a rebentar, mas o plano estava traçado, definido ao pormenor do osso”. “E então”? perguntei em piloto automático. “ E então, meu amigo, não me recordo de mais nada…”
Saí de casa do meu amigo Alfredo com um rumo definido. Contornei a padaria fechada e segui a rua do costume, sem pressas, recordando, não sei bem porquê, apenas um olhar triste de cão amarelo. Agora, aqui sentado, não sei bem se não terei sonhado tudo isto.









