Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagens. Mostrar todas as postagens

novembro 04, 2016

flanância


Seja como for, o mapa de Paris ajudou-me mais do que uma vez a passar algumas horas difíceis e, ter-lhe descoberto a semelhança (...) com o cérebro humano, esforcei-me por colocar dentro dos limites desta cidade todas as circunvalações observadas em tempos. 

novembro 02, 2016

actualização

(foto GP)

e algumas leituras, para não dizer outra coisas qualquer...

holidays





(foto GP)
Banhos de mar no definhar de Outubro, nascimento de Novembro. O cheiro a castanhas no dia de todos os Santos, perdão, de los muertos, disse ela. Caminhadas com o sol a tiracolo numa batalha corpo a corpo. Memórias de um Árabe morto, saídas de um livro lá do fundo desse sol. It's Always the sun.

PS: algumas cervejas. 

setembro 04, 2012

Diz que Blaise Cendrars também lhe cantou a sina


«Esta tempestade invulgar em direcção ao ouro torna-se cada vez mais avassaladora; a notícia corre mundo; só de Nova Iorque zarpam uma centena de navios; hordas gigantescas de aventureiros partem da Alemanha, Inglaterra, França, Espanha, nos anos de 1848, 1849, 1850, 1851. Alguns dobram o cabo Horne, viagem mais demorada ainda para os impacientes, o que os faz optar pelo perigoso caminho através do istmo do Panamá. Num ápice, uma companhia recém-formada constrói uma linha férrea no istmo – na qual mil operários morrem de febre – , para que fossem poupadas aos impacientes três a quatro semanas e assim pudessem chegar mais cedo ao ouro. Caravanas descomunais atravessam o continente, gente de todas as raças e idiomas; todos revolvem a propriedade de Johann August Suter como se fosse sua. Sobre a terra de São Francisco, sua propriedade segundo legislação emanada do governo, cresce uma cidade a uma velocidade alucinante; desconhecidos transaccionam entre si a sua propriedade, as suas terras e o nome Nova Helvécia, o seu império, desaparece por detrás da palavra mágica Eldorado, Califórnia.»

“A descoberta do Eldorado – J.A Suter, Califórnia, Janeiro de 1848” (pp.138-139), in Grandes Momentos da História da Humanidade – catorze miniaturas, Stefan Zweig. Tradução de Fernando Ribeiro. A esfera dos livros.


agosto 14, 2012

Viagens

«Duas léguas adiante está Caçarelhos. Aqui diz Camilo que nasceu o seu calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado de Agra de Freimas, herói patego e patusco da Queda Dum Anjo, novela de muito riso e alguma melancolia. Considera o viajante que o dito camilo não escapa à censura que acidamente desferiu contra Francisco Manuel do Nascimento, acusado este de galhofar com a Samardã, como antes outros tinham chalaceado com Maçãs de D. Maria, Ranhado ou Cucujães. Juntando Elói a Caçarelhos tornou Caçarelhos risível, ou será isto defeito do nosso espírito, como se tivéssemos de acreditar ser culpa das terras e não de quem nelas nasce. A maçã é bichosa por doença da macieira, e não por maldade do torrão.»

” Viagem a Portugal (pp.31), José Saramago. Caminho.

  tabuleta

julho 23, 2011

Bússola Andress

Londres, Julho 2010

Há qualquer coisa de insidioso na rotina. O mesmo se passa na viagem. Talvez por isso ambas sejam tão necessárias. Pensava nisso agora enquanto começava a escrever algo, supostamente, acerca da linguagem, e de como esta serve como veículo de transmissão de falsificações, de criação de ilusões. Nas TVs da Europa, os movimentos tipo “indignados” surgem-nos como algo novo. Novo?, interrogo-me. Diferente? De que modo isso releva ou interessa ao outro lado, ao sistema capitalista? Existirá um outro lado, ou será apenas outra face da mesma moeda?

Recordo, por exemplo, um acampamento em Londres que observei em Julho de 2010, (uns meses antes dos acampamentos indignados - que merda de nome) ali bem no centro político da cidade. Não me recordo porém de o ver na TV, muito menos em Portugal. Foi-me confidenciado que era até um acontecimento banal, para aqueles lados, e permitido naquele lugar, portanto aceite, o que pode parecer estranho num país cheio de “proibido andar de skate nesta área”. Estranho? Talvez não.

Recentemente deparei-me com um “Bal Populaire”, ali para os lados de Montmartre, junto à estação de metro de Abbesses, organizado por uma tal de “Union des Etudiants Communistes”. A coisa era gratuit, e tinha supostamente uma costela de “solidarité avec les peples árabes!”, mas não se notava nada, quer dizer, a malta não estava a dizer palavras de ordem, nem sequer havia palanques ou discursos à volta da fogueira, nem assembleias, nem ponto do dia. E se calhar também não estavam assim tantos Árabes como isso. Simplesmente música ao vivo, rock, hip-hop, reggae - pareceu-me, e nada de especialmente recomendável; salsichas e uma cena qualquer de porco (porco e Árabes?) grelhada; bebidas alcoólicas (ui, os árabes), tipo cerveja choca, Ricard, vodka e até vinho tinto a copo. A fauna era variadíssima, entre pretos, brancos, árabes(?), alguns turistas, franciús, freaks, japoneses de câmara tudo menos oculta, e gajos que não se percebia muito bem o que eram, ou deixavam de ser. Se no primeiro dia ainda se viam uns tipos com autocolantes da UEC, no segundo dia nem isso. Não era encenado. Era quase só divertimento, aberto a toda a gente. Era barato. Ninguém chateava, mesmo quando alguém vociferava (quase murmurando): la decadence de la France. Podia-se até mijar no jardim minúsculo. Ou namorar. Ou mijar num café/brasserie próximo entre olhares cúmplices. Não, para além do gajo da decadance, não sei se estava muita gente indignada por ali. Mas aquilo pareceu-me livre, liberto, libertino. E isso é estar realmente do outro lado: talvez o pior que poderá acontecer ao sistema capitalista.


Place des Abesses, Montmartre, Paris, Julho 2011

novembro 30, 2009

Ir para fora cá dentro

Um gajo não se ausenta. Bem tenta não se ausentar, porque, para conhecer mundo, torna-se evidente que é necessário conhecer o quintal. Pelo menos o quintal. Bem, um tipo não se ausenta e mesmo assim não sabe de coisas importantíssimas, como robalos (e equipamentos(?)) oferecidos a amigos, e isto lá no interior, fica-se afinal sem saber se os ditos eram de mar ou de aviário, coisas que poderiam contribuir para uma análise sublimada do fim de semana, que com certeza ainda se prolonga, para alguns, claro, enquanto a gripe generosamente não se imiscui nos desígnios insuflados da nação, ali na esquina da XIX Cimeira Ibero-Americana. Parece que sr. Presidente da República se instalou com bagagens no hotel da tal cimeira, e levou, cito de cor, o mordomo, assessores, seguranças, a aia da presidenta, a casa civil em peso, alguns animais, e umas sandes na marmita para poupar no serviço de quartos. Note-se que a cimeira de Lisboa, afinal é em Cascais, razão mais que suficiente para o sr. Presidente se transferir de Belém e analisar logo a abrir a “crise e ambiente”, sendo que - como dizem os jornalistas -, sendo que, é certo e sabido que as conversas dos bastidores andam à volta do Di Maria, um tipo que, para brincar na horta com uma bola e de olhos nas couves, não há melhor.

abril 08, 2009

A linguagem e o papagaio – ambos empalhados

"O Papagaio de Flaubert", Julian Barnes, Quetzal, 1988 - tradução de Ana Maria Amador
Devo alguns momentos verdadeiramente únicos à inquietude da leitura. Dá-se a circunstância, a todos os títulos excepcional, de convergirem em dado momento, caminhos outrora bifurcados que nos arremessam o sortilégio de um livro. O próprio caminho é, em si mesmo, parte do encantamento. Chegou-me às mãos, depois de várias vezes ter sido, de uma forma ou de outra, agitado a meus ouvidos, o livro “O Papagaio de Flaubert”, saído da pena de Julian Barnes, cuja edição original remonta ao ano de 1984. Insuficientemente antigo para, nas palavras de um amigo, merecer ser visitado. Desse ano recordo por exemplo o filme de Sergio Leone “Once Upon a Time in América”, o primeiro álbum dos The Smiths, o homónimo “The Smiths”, escapando ainda no decorrer do mesmo ano o segundo álbum, aliás uma colectânea de êxitos, incluindo alguns lados b, “Hatful of Hollow”, feito único, visto apenas existir um álbum de originais publicado. Os Death in June divulgavam “Borial” e mais uma compilação denominada “From Torture To Conscience”, entre outros, como usual, e por cá no burgo os GNR lançavam “Defeitos Especiais” à proa de um piloto automático, e ainda não se vislumbravam sinais da modorra modernista encaixotada em centros comerciais gigantescos e hipermercados (estes abririam em 1985 – Matosinhos), embora já existissem algumas viagens em turística, de reconhecimento ao Dallas e ao Brasília, para citar apenas o Porto.
Um pouco antes de 1984, um médico de carreira viúvo, que um dia havia sonhado ser escritor, tendo optado por seguir apenas medicina (dada a impossibilidade de fazer bem e ao mesmo tempo duas coisas), calcorreava as ruas de Rouen onde Flaubert nasceu e Croisset onde viveu. Eu pela mesma altura estava a braços com a instrução preparatória, ou até Liceal, onde por carga de água nenhuma se tinha pé em Flaubert. Mas como o rio era perto, tínhamos pé noutras coisas, sem dúvida, tanto ou mais, aliciantes. Foi perto desse rio que comecei a ler coisas mais sérias. Hoje, um pouco longe, mas por momentos sentindo o seu fresco (tinha dias) aroma leio:

Contra a estupidez do meu tempo, sinto correntes de ódio que me sufocam. A merda chega-me à boca como se tivesse uma hérnia estrangulada. Mas quero conservá-la, fixá-la, endurecê-la; quero formar uma pasta com a qual possa cobrir o século XIX, do mesmo modo que pintam os pagodes indianos com excrementos de vaca.

Gustave Flaubert citado in "O Papagaio de Flaubert"

março 05, 2009

fevereiro 26, 2009

coisas do espírito

O silêncio morde
Endurece as veias
Rasga e borda seu nome
nas sobras do corpo
cingindo-o

Um rosto de pedra
assoma
e mais além cresce

Tudo isto na sombra
de perfil
rente à abóbada de um segundo

"e as paredes brancas", II Poema, in "Poesia em Miniatura" de Fernando P. Ginja, poeta e amigo, desaparecido algures no mundo, qual Rimbaud intrépido, sem arma a tiracolo e bem capaz de se amarrar a qualquer galho. 

adenda: imagem cedida por casoual.files.wordpress.com

outubro 29, 2008

o dia a dias com o Chatwin e outros a tiracolo

Parara de chover e eu imaginava os dinossauros despreocupadamente a calcorrear a terra. Claro que relia "Na Patagónia" de Bruce Chatwin, obra que me acompanha na loucura mais desvairada dos dias, já ensebada na mochila. Retiro-a e leio, na companhia igualmente imaginária de W.G. Sebald, algures numa estação de comboios, talvez em Coimbra, talvez Milão, talvez Zurique, talvez perdido no condado de Suffolk, ou na gare de AUSTERLITZ, de qualquer modo, seguramente ainda longe da Patagónia, leio: 
Parara de chover e chegara o momento de eu partir. As abelhas zumbiam à volta das colmeias do poeta. Os damascos amadureciam com a cor de um sol pálido. Nuvens de lanugem de cardo pairavam no ar, e carneiros brancos felpudos pastavam no campo.
A seguir, eu, ele, acenando ao poeta seguimos caminho: todos os dias, sem a certeza ou a relevância de sabermos a verdade, ou se por aí haverá ainda mais um SUL que nos aconchegue, nas palavras de Cendrars, a nossa tristeza.

agosto 26, 2008

Partir...

Há quem diga que nos dias de hoje temos que pegar numa arma. Eu prefiro a mochila. A mim, Bruce Chatwin!...

julho 28, 2008

Dos sonhos e da memória

"O cão amarelo" de Rafael Trevisol: bohemiosdebar.blogspot.com
A memória de Alfredo está fraca. 
Depois de mais uma viagem em terras lusas, desta feita, sem desprimor, acompanhando os montes e vales da Beira interior até Espanha, por entre esqueletos de castelos e memórias cauterizadas pelo fogo e pelo sol, Alfredo rejubilou, ninguém sabe bem porquê, com o regresso. Alfredo é bem capaz de ser um conservador altivo com laivos de anarquista desprendido. Às vezes é outra coisa qualquer olhando-se ao espelho. Fui a sua casa e a inicio nem uma palavra. “A memória de Alfredo está fraca”, disse-me a sua companheira. Rimo-nos os dois. Entrementes, Alfredo poisava a mão na palmatória. “Que tal?” arrisquei, curvando-me para o observar no seu nicho acolchoado. Alfredo olhava a janela. “Sabes, hoje vim para trás duas vezes, a casa, duas vezes, observa bem, para verificar o verificado: se a puta da torradeira estava desligada?... se o não estivesse, oh, sim, se não estivesse devidamente desligada, não estaria a casota a arder, a arder como uma desvairada, não me dizes? Fechei todas as torneiras, fechei a água no exterior da casa, estive quase para remediar-me, bem o sabes, a tolher-me de coragem e sem escrúpulos incentivar a caracoleta do andar de baixo ao crime. A senhora arcaria com as consequências, ficaria responsável pela casa, que até é sua, e eu planearia ao pormenor a destruição da dita. E estaria a milhas. E estaria livre”. Alfredo, ao acabar de falar, em êxtase, levantando-se de um trago, dirigiu-se-me com um olhar triste de cão amarelo: “ O pior, sabes, o pior, é que não passou tudo de um sonho, inclusive o retorno a casa, mas que depois não chegou ao concreto, isto é, a coisa não chegou a rebentar, mas o plano estava traçado, definido ao pormenor do osso”. “E então”? perguntei em piloto automático. “ E então, meu amigo, não me recordo de mais nada…”
Saí de casa do meu amigo Alfredo com um rumo definido. Contornei a padaria fechada e segui a rua do costume, sem pressas, recordando, não sei bem porquê, apenas um olhar triste de cão amarelo. Agora, aqui sentado, não sei bem se não terei sonhado tudo isto. 

julho 22, 2008

Entre "Os Irmãos Karamázov" Volume I e II: Sebald

Edição Teorema
Tradução: Telma Costa
(…) Mas como foi o Dr. K. que engendrou esta história, quer-me parecer que o sentido das viagens do caçador Gracchus é a expiação do anseio pelo amor que, como explica o mesmo Dr. K. num dos seus inúmeros bilhetes escritos a Felice à hora dos morcegos, sempre o invade, precisamente onde parece não haver fruição legal possível(…)

julho 17, 2008

Alguns dias de road to nowhere


Were on a road to nowhere
Come on inside
Takin that ride to nowhere
Well take that ride


"Road to nowhere"
Talking Heads