Mostrando postagens com marcador Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Camilo Castelo Branco. Mostrar todas as postagens

outubro 26, 2017

Os burrinhos de Cacilhas



Perguntei pelos burrinhos de Cacilhas, e o maganão a quem fiz a pergunta disse-me que procurasse uns no Ministério e outros no Parlamento. Era um desses Voltaires do Chiado que fazem espírito, mesmo à custa dos seus parentes e amigos. 

agosto 14, 2012

Viagens

«Duas léguas adiante está Caçarelhos. Aqui diz Camilo que nasceu o seu calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado de Agra de Freimas, herói patego e patusco da Queda Dum Anjo, novela de muito riso e alguma melancolia. Considera o viajante que o dito camilo não escapa à censura que acidamente desferiu contra Francisco Manuel do Nascimento, acusado este de galhofar com a Samardã, como antes outros tinham chalaceado com Maçãs de D. Maria, Ranhado ou Cucujães. Juntando Elói a Caçarelhos tornou Caçarelhos risível, ou será isto defeito do nosso espírito, como se tivéssemos de acreditar ser culpa das terras e não de quem nelas nasce. A maçã é bichosa por doença da macieira, e não por maldade do torrão.»

” Viagem a Portugal (pp.31), José Saramago. Caminho.

  tabuleta

maio 18, 2012

Pacotes de transparência


O ministro Relvas, sem se rir muito, exibe-se, por Braga, revelando-nos o seu desígnio de um pacote de transparência. Carecemos. Que sim senhor, carecemos. Ontem, ao final da noite, num desses programas a metro informativo, na TVI24, um dos intervenientes condescendendo, remata certeiro - o tema era a justiça e as prescrições em série - sobre os pobres cá em baixo: oh, que sim, “têm o direito à justiça mas na prática não conseguem ter direito à impunidade”. Apenas isso. Impunidade… que outros conseguem. Uma questão metafísica relacionada com capital disponível. Escreve Camilo Castelo Branco, no seu “Senhor Ministro” que, na “assembleia do género humano, havia famílias que pareciam umas latrinas das fezes das outras”. De tão transparente, o dito parece-nos perfeitamente adaptável.


lenceria

maio 16, 2012

Duas vítimas inconscientes da mesologia

A meu ver, a Gaitas que fazia o seu Paradou em todas as carvalheiras bem copadas, ou nos amieirais das orlas do rio, assistiu a alguma cena edénica daqueles dois seres primitivos, dasabados da sua inocência por terem aceitado da mão da natureza orgânica, insidiosa o pomo vedado. Foi a ciência, é o que foi. Ele de mais a mais sabia o que Adão nunca aprendeu – traduzia o Eutropio, já tinha lido o Meu Vizinho Raimundo de Paulo de Kock, e alguns capítulos do Velho Testamento. Ela é que estava pura e analfabeta como Eva – uma besta mociça, sem mácula de ABC quando caiu não sei em que devesa – quem o sabia era a Gaitas e os justos céus, onde está o olho iniludível do criador disto e daquilo.”

“Senhor Ministro” (pp.41), Camilo Castelo Branco, Edição Vega.

maio 08, 2012

O caderninho de papel velino, perfumado, encadernado em marroquim


“Felícia estudou muito, com um grande desejo, e em poucos meses lia com desembaraço e escrevia fonicamente. Quanto a exprimir-se, não vingara defecar-se das parvoíces inveteradas. O abade não lhas corrigira no trato íntimo de dezasseis anos, por entender que a gramática lhe era tão supérflua que nem os abades precisavam dela, quanto mais as criadas.”

“A Corja” (pp.70), Camilo Castelo Branco. Edição Ulisseia.

cool?

maio 03, 2012

Forte na brejeirice com grandes brutalidades montesinas


"Não tinha ideal; era um estômago com algum latim e muitas féculas; lia as Geórgicas de Virgílio à sombra dos castanhais, de papo arriba, à perna solta, como um grande rafeiro aganado dos calores de Julho que regala o ventre nos refrigérios da bafagem.”

“Eusébio Macário” (pp. 49), Camilo Castelo Branco. Edição Ulisseia.