fevereiro 12, 2017
fevereiro 28, 2015
agosto 17, 2014
Marcado pelas transferências
julho 06, 2014
Gracias infinitas le sean dadas
Conozco fanáticos de los catálogos de libros inencontrables y me los imagino celebrando estos días la aparición en París de La Bibliothèque invisible, de Stéphane Mahieu (Éditions du Sandre). Acabo de leerme precisamente las notas sobre cada uno de los libros inexistentes reunidos por Mahieu y he de confesar que, tras haberme partido de la risa con alguna de las notas, ahora me siento brutalmente saciado, como si hubiera leído, por muy inexistentes que sean, la totalidad de los libros de los que informa el catálogo.
dezembro 08, 2013
Prevejo mal-entendidos
junho 18, 2013
outubro 19, 2012
Manuel António Pina (1943-2012)
janeiro 31, 2012
Uma estória de “Uma história da leitura”
Como chegamos a determinados livros? Pois, através de sugestões (e aqui a trama é infinita – directa e indirectamente), por curiosidade e experimentação, por continuidade (fenómeno que começa com um livro ou autor e continuas a ler tudo à volta – seja do autor, seja da tua cabecinha); e, por fim, através de uma maquinação de forças ininteligíveis que convergem para um determinado ponto: esse momento. Todas as anteriores conjugadas, também suportariam outra tese.
Terei chegado a “Uma História de Leitura” de Alberto Manguel estouvadamente, sem pressas, e de forma anacrónica. Para aclarar esse momento teria que recuar muitos outros, e provavelmente, o caminho percorrido encaixaria solenemente em vários dos pressupostos atrás expostos. Factos, dois apenas: uma edição (2007) de “Um Diário de Leituras” do autor na estante, e a procura de “The Dictionary of Imaginary Places” (encontrado numa biblioteca universitária), do qual não conheço edição portuguesa. Para além, refira-se um entusiasmo particular por escritores que escrevem sobre escritores, livros e leituras. E atrás de tudo isso, um labirinto, um espelho e talvez Jorge Luís Borges, antigo vizinho do 2º esquerdo.
julho 11, 2011
setembro 12, 2010
agosto 15, 2010
Como é que se espera?
A confusão instalou-se definitivamente. A casa sabe a pó e é pasto de aranhas insubmissas; estou sujo e uma membrana adiposa pende do meu abdómen, oferecendo ao conjunto, um corpo humano instalado à beira de um ataque de sofá, e um cérebro relativamente encaixado na cavidade craniana onde surge a questão: “qual terá sido o filme da semana?”. Ao sonho do final da manhã, em que um membro da raça felina, andrógino, e um outro da raça humana, género feminino, assistiam placidamente ao “Babel” do Iñárritu, foi-me objectado que me teria enganado na semana. E no dominó que tenho vestido ultimamente, não? – pensei, enquanto me dirigia ao local das escadinhas onde sempre leio a semana em atraso, através de uma manta de jornais.Duas mortes: Ruy Duarte de Carvalho, antropólogo, o escritor cineasta e viajante, que morreu longe; um senhor que se recordava de “ter mudado inteiramente de pele, pelo menos uma meia dúzia de vezes ao longo da vida”, e que me transportou por momentos para outras minhas peles, enquanto assistia com a uma espécie de júbilo ao desenrolar da manhã. E outro escritor, historiador e cronista, Tony Judt, o mesmo que me levou a um pequeno ataque quando vi o preço do seu “Pós Guerra – A História da Europa desde 1945”, que vou ler, já estará algures numa prateleira em fila de espera, enquanto me entretenho solitariamente com o “Danúbio” de Magris. De resto, na imprensa, tudo nos recorda que o inferno é em Portugal.
Afinal, o filme da semana foi o “Zatoichi” de Takeshi Kitano, uma preciosidade adquirida por 1,95 Euros com o Público. Quanto ao “Origem” de Christopher Nolan, que fomos ver ao cinema, o melhor é aproveitar o “Memento”.
Mais tarde, ali ao lado do intrépido (vencido) Sporting, um “Almoço de 15 de Agosto”, de Gianni di Gregório, que eu sei que não viram, pois não?
junho 29, 2009
Se já verifiquei o prazo de validade?
Boris Vian (10/3/1920 - 23/06/1959)
Deve estar a fazer anos que apanhei um autocarro com Amadis Dudu e reparei que o tipo tirava, segundo recordo (já foi há muito tempo), 2 bilhetes e meio para saltar a meio entre a segunda e a terceira paragem. Era Outono e estávamos em Pequim. Para falar verdade, eu estava numa cidadezinha, algures no noroeste peninsular, e folheava um livro cujo título era “O Outono em Pequim”, embora também aí não se estivesse em Pequim e provavelmente nem fosse Outono. O Sr. que tinha escrito o livro estava morto. Chamava-se Boris Vian, e naquele momento arremeteu contra mim com um autocarro fluorescente, um trompete e duas embalagens de “livros fora de prazo” (não resisti a colocar aqui o título de um livro –sem livro- que um amigo meu não anda a escrever). No dia 23 de Junho passado cumpriram-se 50 anos após a sua morte. O dia é irrelevante. Passou-me, como (nos) passam (ainda hoje mo disseram) até as mortes mais íntimas que já carregamos. Tudo passa; mas entretanto vai-se lendo e já aqui trouxe o Sr. Vian à nossa irrelevante companhia. Lembro-me de uma parede em Coimbra onde se lia que a vida é água a correr. “Corre atrás dela”, alguém acrescentou. Mais a mais, se calhar nem isto (fica):
Vou ser sincero – uma vez sem exemplo –
Ora bem:
Ficarei feliz quando se disser
Ao telefone – se ainda houver
Quando se disser
V como Vian…
Tenho muita sorte que o meu nome não comece com Q
Porque Q* como Vian, seria humilhante.
“O Fundo do Meu Coração”, Boris Vian, in “Cantilenas em Geleia”, Relógio D’Água, tradução de Margarida Vale de Gato
* Em Francês, a letra é praticamente homófona da palavra queue, que significa “cauda” e é também calão para “pénis” – nota do tradutor
abril 22, 2009
Hoje alguém se lembrou do Alberto a meio da tarde
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
Alberto Caeiro, O Pastor Amoroso (IV)
janeiro 20, 2009
vertigens inúteis
Na padaria o Sr. Custódio (das ferragens), portista solarengo que a ele “já ninguém apanha nos estádios à noite”, explicava entre sandes de presunto e Sagres mini, a “estratégia “ do Sr. Eng. para este ano de eleições. O seu interlocutor, completamente senil pelo consumo exacerbado de Martini com cerveja, João Asinhas, julgava que a conversa ainda estava na terça-feira anterior, depois daquela roubalheira na Luz ao Braga, roubalheira que ele, cerimoniosamente, não admitia, entre vários encolher de ombros. O Sr. Custódio, indiferente, continuava resoluto: “à direita, já se sabe está tudo morto…e bem morto, nada com que se ralar. Guina à esquerda, vai daí, o cabrão, e nós que andamos nos setentas a segurar as coisas”. O Asinhas, a despeito do 7º Martini, continuava numa luta sem quartel com uma sandes de fiambre e queijo, sem hora para terminar. Chegou o Copinhos e eu refugiei-me no final do balcão, a dar para as traseiras da gordinha que sempre me espanta com aquele sorriso de pingue para rojões. O Custódio continuava enlevado e já em pleno parlamento, simulando nos gestos e no trato (numa mescla oscilando entre o serralheiro e Armani), o deputado que tinha na cabeça: “virou-se, pimba, à esquerda lá com a tal de moção ou o caralho, para calar o Alegrete, e agora com esta cena do casamento entre panisgas, fazendo a corte aos gajos do bloco”... Nisto, o Copinhos pegou-se com o Asinhas sobre um jogo entre Sporting/Porto, ou o contrário, nos oitentas e a Sãozinha clamava vergonha entre homens feitos. A gordinha arrepiou-se com a entrada do filho do Alfaiate Valadas, rapaz de ginásios e peito revestido a fios de ouro e prata. Aproveitei para sair de fininho e sentei-me na praceta antiga. “Porque será que agora não se projectam praças?”, perguntei-me. Sem saber porquê o meu pensamento resvalou para toda esta loucura do mundo de hoje e acabei imaginando Antonin Artaud, ele próprio um suicidado da sociedade, como o seu Van Gogh, sentado ao meu lado com o bastão de S. Patrick que ele afirmava ter descoberto. Apeteceu-me reler o seu “Héliogabale ou l'anarchiste couronné”. Levantei-me e principiei a caminhar na esperança, ou talvez não, de sentir atrás de mim, como Artaud um dia na sua Marselha natal, a alma do rufia a rasgar-se.
setembro 20, 2008
agosto 15, 2008
agosto 10, 2008
Com dois dias de atraso mas com muitas leituras às costas
Por motivos nada alheios ao escriba, entre viagens curtas de rapina, apenas agora relembro o esquecidíssimo poeta Ruy Belo a um Portugal “que verdadeiramente não existe”. Ruy Belo morreu a 8 de Agosto de 1978 (30 anos). Parece que a partir de agora (embora já com várias reedições das suas obras) os meliantes do regime finalmente lhe deitaram a unha. Lá está a impagável Inês Pedrosa e adivinho outros. Nada contra se lerem os poemas.
MORTE AO MEIO-DIA
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
in “Boca Bilingue” (1966)



.1).jpg)









