(01/12/2020)
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dezembro 01, 2020
novembro 19, 2020
outubro 22, 2020
setembro 29, 2020
setembro 04, 2020
agosto 11, 2020
julho 27, 2020
A vida a passar por um canudo (actualização)
(27/07/2020)
As obras continuam. Rodeiam-nos.
O barulho e a poeira desconfinam. Recentemente – as boas práticas do
planeamento dão nisto – teve de ser derrubado parte do muro que rodeava a superfície
comercial de fast-food. Sucede que esse muro havia sido construído no início da
obra. Por distração, digamos assim, parece que estava mal localizado. Talvez um
pouco à frente do previsto, talvez faltasse um passeio que o ladeasse (isto é
tudo sussurrado por aí), talvez pela luta do Braga pelo terceiro lugar, não o saberemos
nunca, o muro teve de ser derrubado, acompanhado por uma fuga de gás, bombeiros
aparecerem no local, trânsito cortado, ora condicionado. Construção de um novo
muro, entre risos dos transeuntes. Mais poeira. Mais barulho. A juntar ao
restante. Trânsito condicionado. Calor. Não sei se leram “O Estrangeiro” de
Camus? O melhor é não lerem então. Não vá o diabo tecê-las.
julho 13, 2020
A vida a passar por um canudo (actualização)
(13/07/2020)
(Nota: a destruição de parte do muro que rodeava o limite exterior da cadeia de fast-food anuncia um planeamento que nos recorda o rame-rame do costume. Ficamos à espera do filme relativo aos acessos.)
julho 01, 2020
A vida a passar por um canudo (actualização e novidades)
(01/07/2020)
(01/07/2020)
Finalmente, a confirmação da
cadeia de fast-food que entroncará nas nossas dores diárias. Desconfinar assim
é outra coisa…
junho 25, 2020
junho 18, 2020
A vida a passar por um canudo (actualização)
(18/06/2020)
A saga continua. As obras espalham-se como uma grande mancha de óleo. Rodeando a construção das novas superfícies comerciais (e talvez com o patrocínio destas), uma nova alcatifa vai surgindo na rede viária, com os trabalhos a durarem de noite e de dia. Por perto, em várias ruas de São Vicente, continua a operação cosmética dos passeios e estacionamentos e mobiliário urbano. Aqui a saga ganha contornos de uma portugalidade inequívoca. Uma espécie de cosmética de preguiçosos, eivada de um espírito de serviço público que a arrasta no tempo. Até às eleições, presume-se. A modernidade saloia veio para ficar.
junho 08, 2020
maio 29, 2020
maio 19, 2020
maio 12, 2020
maio 06, 2020
abril 28, 2020
Isolamento I (actualização II)

(28/04/2020)
Tudo volta, até as obras. A
sua evolução foi sendo exposta aqui e aqui. O resto é obra da primavera, expressa
nas folhagens das árvores. A minha rua e a senhora da caixa do Mini tinham
ambas razão: são duas construções, a mais recente teve início ontem, e fica bem
ao lado da referida anteriormente, uma supostamente ligada à distribuição, outra, dizem, à comida rápida,
assim mesmo na língua de Camilo, que nunca a deverá ter provado. Leonardo
Benevolo, no seu livro “A cidade na história da Europa” escreve: as obras que hoje fazemos nas cidades – as
respostas que damos aos nossos problemas momentâneos – serão vinculativas por
muitos anos, mesmo quando os modos de pensar e de viver já tiverem mudado, e
como fazemos modificações cada vez maiores e mais frequentes, vamos prejudicar
cada vez mais a vida das gerações futuras, sem todavia sabermos prever e gerir
suficientemente os efeitos remotos dos nossos actos. A cidade, diz-nos Italo
Calvino em “As Cidades Invisíveis”, não
conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das
ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios,
nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões,
riscos, cortes e entalhes. Olho lá para fora com os olhos e os ouvidos, e
recordo-me do título de um filme que anunciavam recentemente num dos canais da
tevê: grávida…mas pouco. É isso
Braga: cidade…mas pouco.
abril 02, 2020
Isolamento I (actualização)
De cabeça, sinónimos de parado, deixa ver: imóvel, inerte, estático, fixo, quieto, sei lá, estagnado, barrado,
bloqueado, descontinuado, detido, estacado, interrompido, paralisado, travado,
em suma… encostado.
(01-04-2020)
A condizer com o meio envolvente a obra (acima) deixou de
sair à rua. Não terá sido de um dia para o outro. Foi sorrateiramente, como
quem não quer a coisa. Até que parou. Temos seguido a sua curta história, como
se poderá ler aqui.
março 20, 2020
Isolamento (I)
As ruas estão desertas mas a
cidade continua povoada. Menos movimentos pendulares e muita gente em casa, eis
a cidade de Braga vista (sonhada?) da janela. Ontem em conversa telefónica um
amigo dizia-me, meio a brincar mas muito a sério (pareceu-me), que esta cidade (talvez nem tanto) com menos
automóveis, menos ruído, menos poluição, menos gente a correr de um lado para o
outro, era a cidade que ambicionávamos. Não era. Não podia ser. O que
desejávamos era uma cidade de escala humana (e Braga geograficamente ainda não
é uma cidade demasiado grande), onde se pudesse andar a pé, de bicicleta, com
bons transportes públicos, melhor urbanismo (bem sei dos erros estruturais do
passado), mais parques, menos trânsito. Mais tempo para todos. Sem fundamentalismos.
A primeira fotografia que aqui
vos deixo foi tirada a 13 de Fevereiro. Cerca de um mês antes, talvez um pouco
mais, tinham-me dito que por ali (eu já digo o sítio e a situação) iria nascer
mais um espaço comercial ligado à distribuição (e/ou fast food). Pelo menos mais um. Durante
anos a única construção do local era uma barraca de uma qualquer imobiliária,
associada a uma suposta urbanização que nunca surgiu, ou a mais uma empresa de
construção que desapareceu do mapa. Tudo coisas não documentadas pela Netflix. Estas
nesgas de terrenos que restam na cidade, interstícios deixados ao acaso entre
prédios, automóveis (sobretudo automóveis) entulho e ervas daninhas, são
pequenos nacos à espera de serem devorados e especulados.
(Braga - 13/02/2020)
Este espaço em construção fica na
rua Américo Rodrigues Barbosa, uma rua cuja entrada apenas é permitida a quem
desce, isto é, quem venha da Rotunda de Infias, ou da Rua do Regimento da Cavalaria
8, onde sita o Pingo Doce. A situação? Bom, estamos ao largo da caótica rotunda
de Infias, vários colégios (D. Diogo é uma dor de cabeça permanente), Liceu Sá
de Miranda, vários milhares de pessoas a residir; junto ao nó de Infias, porta de entrada/saída da
cidade tanto para Norte, como para Oeste, à rodovia, às autoestradas e vários destinos,
ligação à corda comercial da cidade que se estende do espaço comercial Nova
Arcada a Norte onde sita o IKEA, passando pelo Braga Parque, e por aí fora, até
ao Minho Center, Leroy Merlin, etc. Não vamos perder tempo com as minudências
do trânsito, dos estacionamentos, dos atrasos, do stress, nem vamos lembrar a
Braga dos dias de chuva, linda, caótica, cinzenta. Importa referir que nos
últimos três anos o tempo perdido nesta zona em hora de ponta praticamente
triplicou. Eu sou um bom estudo experiencial para aqui chegarmos.
(18/03/2020)
E aqui chegados, pensamos na importância
estratégica(?) de mais este espaço comercial, na sua localização (a
propósito, a rua Américo Rodrigues Barbosa é um beco sem saída, - o que sairá
daqui?), no trânsito resultante, nos estacionamentos. Na nossa vida de todos os
dias. As obras continuam (como continuam as operações cosméticas das ruas
António Marinho e adjacentes) como se poderá ver na fotografia acima. Mas agora
as ruas estão desertas numa cidade povoada de fantasmas. De medo. De solidão e
isolamento. E de repente estas coisas todas são vistas sob uma outra perspectiva,
à luz de um desejo absurdo de normalidade. Mas não nos deixemos enganar. A
normalidade, ainda assim, poderia ser bem diferente. E agora até temos algum tempo
para pensar nisso.
Nota: a desatar o nó de Infias desde 29/04/2019, mas sem mãos.
Nota: a desatar o nó de Infias desde 29/04/2019, mas sem mãos.
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