janeiro 28, 2020

Imbecis, demasiado imbecis



Vamos bem. A malta não sabe escrever, o vocabulário está ao nível de um Australopiteco bebé e a comunicação faz-se, normalmente, por intermédio de uma palhinha digital. A língua serve, e bem, para massajar unidades anatómicas alheias, as estações do ano continuam a fazer parte do programa eleitoral das festas, assim como o português consta de um ensino remotamente conhecido como escola. Mas tudo isso é igual ao litro. O que não se pode aceitar é a falência do último reduto da linguagem: os palavrões e as asneiras, a escatologia que nos anuncia o fim. Filho da puta aparece-nos por aí nesse novo mundo como FdP, ou filho da p****, ou pior, sarapintado com lagartos e unicórnios. O velhinho foda-se surge como fonix, ou f*****, ou parecido. O vai para o caralho já teve o seu tempo, agora nem sequer é carvalho, vai no asterisco ou, na melhor das hipóteses, com uma camada de símbolos remotamente animais. Nada disto se relaciona com a língua, a vergonha, ou mesmo com a educação. Vivemos um tempo de reciclagem do cérebro, camuflado por cortinados ambientais e sociais. O politicamente correcto evolui para o politicamente imbecil. Puta que os pariu é pouco. Com as letras todas, pelo menos torna-nos humanos. Demasiado humanos?

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