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março 09, 2015

The Twilight Zone


Normalmente desenvolve o seu mister calado, ou assobiando para o lado que está mais à mão. Quando abre a boca, sai invariavelmente asneira. O rebanho, esse, tem o que merece...

fevereiro 17, 2009

cantavam os TAXI: quem vê TV sofre mais que no WC

Para além do Sumol já não ter o mesmo sabor que nos idos oitentas, também a televisão derrapou para um sítio que eu sei lá. Do Sandokan só ficou a roulote das bifanas. A Twilight Zone perdeu-se na Twilight Zone. Filmes só para noctívagos idiotas que não se importem com as constantes mudanças de programação e intervalos com a duração de telejornais (dos nossos). Depois temos o programa da Sr. Fátima C. Ferreira a simular orgasmos e barricadas. Todo o espírito do dito se encaixa numa pequena frase que a dona Fátima lançou algures no acalorado (suposto) debate para um dos seus assistentes (num sussurro audível – é o problema dos directos): “aquele não fala mais…aquele já não fala mais”. Cale-se também dona Fátima, por favor.

dezembro 30, 2008

sejam bem-vindos

Andamos em demanda. De nenúfar em nenúfar, de castelo em castelo, também, com o Céline a tiracolo ou a espetar-se numa vidraça. Um revés, ou nem por isso, soube-se que a padaria não confeccionará a dita festa de “passagem de ano”, muito menos essa porra denominada de reveillon(?), nem sequer sabe se vai passar de ano, tendo encomendado uma participação, nada insólita, diga-se, na twilightzone. Teremos regueifa no novo ano? E pão de água ou broa de milho? Haverá bolas de Berlim e natinhas ou pão com chouriço? E croissants que demoram 30m a deitar abaixo? E martini cerveja, por deus, e martini cerveja? Ninguém sabe. Na twilightzone tudo pode acontecer. É, aliás, defendido por alguns, que há muito tempo que por lá andamos… ah…aaah…aaaaah… (risos deles!) ponto.

dezembro 21, 2008

hoje amanheceu assim

Apesar de o impacte de Schopenhauer neste blogue ser cada vez menor, isso não compromete em nada o pessimismo constante a que o seu autor está sujeito ou, pelo menos, não o (des)acentua ou desobriga de alguma forma, sendo que o contrário também poderia ser considerado verdade. Eu também sei de coisas, que diabo. E apesar de tudo não vou ao psicotécnico

outubro 13, 2008

um processo inútil de chegar a Borges sem passar em Kafka

Antes de recomeçar a morrer, na verdade, um processo sobre o qual nunca se desliga a máquina, gostaria de reafirmar a inspiração, em todo o caso comovedora e por isso confrangedora, que alguns livros nos propiciam. Na verdade não será tanto a inspiração mas um retiro, uma caixinha do mundo em ponto realmente pequeno e voraz. Reconhecer isto e voltar, torna impossível não (o) rebater. Refrear será, à falta de jeito, reflectir. Um saco cama de tormentas. A acreditar no silêncio mais vazio da cerveja e na jura de entremeio, imagina-se uma paranóia de alguém “fazer um chapéu de um [nosso] rim”. Qualquer coisa assim se apanha no invólucro ranhoso da nossa RTP2. Seríamos muito piores se não remoêssemos na crosta da ferida. 

outubro 11, 2008

"a ascensão irremediável das lavas do sobreconsciente"

Um conjunto inusitado de coincidências e espelhos, um encontro fortuito e inesperado com o Alfredo e, um outro não menos estranho com uma estante, levou-me, mais uma vez, à prateleira número 4 referente às obras de língua estrangeira e, por ordem alfabética, inesperadamente, à literatura espanhola. Localizei, sem delongas o Sr. Henrique Vila-Matas, por estas paragens erradamente colocado, já que se encontra disponível um pequeno espaço dedicado à literatura catalã, não necessariamente escrita em catalão, e retirei a “História Abreviada da Literatura Portátil”, edição Campo de letras de 2006, traduzida (e bem) por José Agostinho França. Não mais trabalhei. Comecei a ler. 

Escreveu, parece que escreveu, George Antheil, acerca do seu odradek (talvez Golem, talvez duplo, talvez uma projecção
O inútil é belo porque é menos real que o útil, que se continua e se prolonga; ao passo que o maravilhoso fútil, o glorioso infinitesimal, fica onde está, é apenas o que é, vive livre e independente. Como a mera existência do meu odradek, que é esse alfinete que tenho diante de mim, espetado numa fita
In “História Abreviada da Literatura Portátil”, Henrique Vila-Matas, página 54.

Ps- Dou comigo na rua (sim, parece uma rua), imaginando-me de máquina fotográfica (à minha direita) e fotografando-me. 

setembro 18, 2008

É o sistema


O sistema “governa-se”. O paradigma liberal ou neo-liberal anuncia o equilíbrio, sem intervenção, obviamente, do estado. Certamente que sim. Entretanto, no último ano, 3 ou 4 bancos de investimento (grandes) faliram, e agora uma seguradora está a prestes a cair da falésia. O estado Americano já tinha proporcionado uma rede e agora, parece, vai mesmo “investir” para que a coisa não “rebente” nas mãos. Sucede que esse mesmo estado não “faria” parte do “controlo”. Sucede que o dito, sem querer, lá terá que intervir, mesmo não sendo desejado(?). E na realidade fá-lo sempre que é necessário para acudir a esses “pobrezinhos”. Aos outros pobres, isso nunca: têm que desenvolver um conjunto de “competências” e “capacidades” para per si crescerem. A mesma falácia inerente a todos os proteccionismos, mas para alguns. Não tenho nada contra os bancos, apenas penso que são inúteis (como se verifica). O sistema não se auto-regula. Governa-se.  

julho 13, 2008

Tentei recordar o sonho...


Hoje acordei no animatógrafo. O filme, dentro de um filme, consistia numa vontade indómita de adormecer para continuar a sonhar. Ou melhor, sonhava que deveria adormecer para continuar a sonhar. Ao acordar, recordei, ao de leve, uma marquise antiga. No sonho (ainda) continuava um combate entre forças inexplicavelmente familiares. Ao acordar outra vez, com os sinos da igreja a estrondear-me nos ouvidos, esclareci de mim para mim que, hoje, talvez devesse silenciar os impulsos que ao crepúsculo me conduzem ao crime, contra mim mesmo.
Ter-se-á seguido mais um silêncio, estoutro, decalcado de alguns quadros alheios, que me conduziu à mesa da cozinha e depois ao terraço. Lá fora, a missa na TV da vizinha justificava a sua falta à igreja matinal. Galinhas, além, e um ou dois melros, misturaram-se com o meu chã preto. Afinal era domingo. Dia de rosca. 
Dei por mim, não sei bem como, outra vez na cama, com Vertigens. Impressões de W.G Sebald (das quais falarei quando me aprouver), entre as mãos. Tentei recordar o sonho...

junho 10, 2008

Hoje amanheci num planeta estranho?

Acordei a pensar que uma selecção de camionistas faria as delicias estratosféricas cá do burgo avinhado em êxtase e pataniscas jornalísticas. Entretanto fiquei a saber que os jogadores da selecção Sagres (eu aprecio a Boémia) comem alimentos açucarados horas antes do jogo, supostamente, afirma o pasmado jornalista, para lhes dar energias.
Informado até aos ossos de tão relevantes assuntos, assumo um ar grave e sento-me a reflectir.
Recordo parte de um verso (lapidar) do poeta acerca do acto de escrever, algo funesto e a milhas da importância do assunto acima citado, mas de alguma forma arrolado:

Ah! Arquitectar cadáveres
Enquanto sobe a gasolina!

maio 18, 2008

Hoje amanheceu assim

Com a chuva agarrada à vidraça, uma ponte de tédio carregou-me à padaria. Depois o tédio, que não era bem tédio, energicamente se sustentou na regueifa. Sucede que, em dia de final da taça, o anjo deveria estar assim:

Sentiu por momentos um leve bafo de carícia

poisando fugaz sob seu rosto

desleixando-se por fim no veludo dos reposteiros antigos

que cuidadosamente ornavam a sala,

Acedeu e foi à janela respirar o seu ar de tédio

envolto num enlevo de artista.

G.P.

maio 17, 2008

Hoje amanheceu assim na Twilight Zone

Depois do mercado, nada melhor que escutar Radioactivity, dos robóticos Kraftwerk; fabuloso tema para limpezas de sábado, encaixotamentos, empalamentos em discotecas manhosas e boites seráficas.

maio 16, 2008

Amanhar a manhã com o gato que não quer saber de Proust

Hesitei entre Lolita e O Gulag e acabei a ruminar disparates entre terrinas de livros técnicos. Pensei nos estudos amorfos que nos descarregam avulso, todos os dias, para melhor nos sustentarem na imbecilidade mais sórdida em timbre pardacento. Na rádio desejei Bach. Acabei, placidamente, sem Lolita, mas juntamente com Mr. Humbert a planear um assassínio, o qual somos, de resto, manifestamente incapazes de materializar.
Voltei então ao hemisfério Norte, sem borrascas a assinalar, aterrando em campo seguro, na casa caixote, amarrado ao teclado, sem faunos (a não ser os de barro nas prateleiras), mas com uma espécie de Gauleses intrépidos, prontamente caçados pelo gato. Proust, mais coisa menos coisa, há-de atirar-se da janela para o mundo. Ou voltar, quem sabe, ao seu quarto, caixotinho de areia.

maio 12, 2008

Hoje amanheceu assim na Twilight Zone

Depois de sermos o primeiro dos últimos (mesmo assim obrigando-me a um consumo exacerbado de cerveja, entre outros paliativos), que venha lá a tacita para jubilar um ano de nadas. Ou como diz o mister, “o nosso segundo objectivo, na liga já está. Agora vamos a mais um objectivo…”.Aprendemos este ano novas acepções (ou interpretações), consoante as baixas no teatro de operações para adaptar ao objectivo. Um lugar na UEFA, seria o terceiro objectivo e por aí fora. Sem rir, mister???