Diz Debord: “num mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento
do falso” e o espectador alienado é assim o produto ideal desta sociedade pois
“quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas
imagens dominantes da necessidade, menos compreende a sua própria existência e
o seu próprio desejo”.
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março 26, 2017
dezembro 12, 2016
fevereiro 04, 2016
maio 01, 2014
janeiro 26, 2013
Não é a ortografia que faz o génio
Ludovico
aproveitou esses longos momentos de lazer para recitar a Fabrício alguns dos
seus sonetos. Os sentimentos eram bastante justos, mas como que enfraquecidos
pela expressão, e não valiam o trabalho de ser escritos; o singular era que
este ex-cocheiros tinha opiniões e maneiras de ver vivas e pitorescas; mas
tornava-se frio e vulgar desde que se punha a escrever. «É o contrário do que
vemos no mundo – pensou Fabrício – ; agora sabe-se exprimir tudo com elegância,
mas os corações não têm nada para dizer.» Compreendeu que o maior prazer que
podia das àqule criado fiel era corrigir os erros ortográficos dos sonetos.
– Fazem pouco de mim quando mostro o meu
caderno – dizia Ludovico –; mas se Vossa Excelência de dignasse ditar-me a
ortografia das palavras letra por letra, os invejosos já só poderiam dizer: «Não
é a ortografia que faz o génio.».
“A Cartuxa de Parma” (pp.212), Stendhal. Tradução de Adolfo Casais Monteiro. Relógio d’Água.
[no rules]
dezembro 02, 2012
A singularidade insubstituível
«Na dialéctica do universal e do particular, o
momento essencial não é definido pela totalidade. A verdadeira essência das
relações humanas está, pelo contrário, no indivíduo concreto. Hegel é aqui
invertido. É o todo, o Estado, que se torna o momento não essencial da relação
dialéctica. O essencial, o valor supremo, o verdadeiro sujeito do direito
político e histórico, a célula biológica
e social fundamental que constitui a totalidade e a faz existir animando-a a
partir do interior, mais não é do que o indivíduo. O anarquismo começa assim
pelo egoísmo (Stirner) e apresenta-se como defensor permanente da liberdade
subjectiva.»
“História do Anarquismo” (pp.50), Jean Préposiet. Tradução de Pedro Elói
Duarte. Edições 70.
outubro 25, 2012
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