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março 26, 2017

O nosso mundo é um parque temático...



Diz Debord: “num mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso” e o espectador alienado é assim o produto ideal desta sociedade pois “quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo”.


(daqui, por aqui)

janeiro 26, 2013

Não é a ortografia que faz o génio



Ludovico aproveitou esses longos momentos de lazer para recitar a Fabrício alguns dos seus sonetos. Os sentimentos eram bastante justos, mas como que enfraquecidos pela expressão, e não valiam o trabalho de ser escritos; o singular era que este ex-cocheiros tinha opiniões e maneiras de ver vivas e pitorescas; mas tornava-se frio e vulgar desde que se punha a escrever. «É o contrário do que vemos no mundo – pensou Fabrício – ; agora sabe-se exprimir tudo com elegância, mas os corações não têm nada para dizer.» Compreendeu que o maior prazer que podia das àqule criado fiel era corrigir os erros ortográficos dos sonetos.
  – Fazem pouco de mim quando mostro o meu caderno – dizia Ludovico –; mas se Vossa Excelência de dignasse ditar-me a ortografia das palavras letra por letra, os invejosos já só poderiam dizer: «Não é a ortografia que faz o génio.».

“A Cartuxa de Parma” (pp.212), Stendhal. Tradução de Adolfo Casais Monteiro. Relógio d’Água.

dezembro 02, 2012

A singularidade insubstituível


«Na dialéctica do universal e do particular, o momento essencial não é definido pela totalidade. A verdadeira essência das relações humanas está, pelo contrário, no indivíduo concreto. Hegel é aqui invertido. É o todo, o Estado, que se torna o momento não essencial da relação dialéctica. O essencial, o valor supremo, o verdadeiro sujeito do direito político e histórico,  a célula biológica e social fundamental que constitui a totalidade e a faz existir animando-a a partir do interior, mais não é do que o indivíduo. O anarquismo começa assim pelo egoísmo (Stirner) e apresenta-se como defensor permanente da liberdade subjectiva.»

“História do Anarquismo” (pp.50), Jean Préposiet. Tradução de Pedro Elói Duarte. Edições 70.