Há duas formas de olhar para as rápidas transformações por que o mundo passa. Muitos vêem sobretudo o que muda, outros procuram surpreender o que, a despeito delas, permanece.
Orlando Ribeiro
Faz falta um outro livro com as
novas ruínas, essas ruínas novíssimas que engalanam o nosso país: edifícios
inacabados, com os seus esqueletos ao leu (não faltam aqui por
Braga),
edifícios abandonados à nascença, despejados no lixo (e alegres recipientes de
lixo), edifícios abandonados por desleixo por incompetência por manifesta falta
de condições; estradas que não vão dar a
lado nenhum, auto-estradas em duplicado triplicando os custos para todos ao
longo da sua morte lenta. Tudo isto dá bem com os cortinados da sala de visitas
da nossa modernidade serôdia, esse progresso que nos alimenta, enfeitando-nos
os dias. Outras ruínas se vislumbram e são de carne e osso (ou eram).