Mostrando postagens com marcador capas xungas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador capas xungas. Mostrar todas as postagens

março 30, 2014

Sabe, também se pode ser avaro com o próprio corpo...

E assim cheguei a uma parte muito importante desta alegoria, sobre um incêndio numa livraria. Parecia-me tão importante que tudo o mais que escrevera até então não significava nada em comparação com aquilo. Ia justamente formular a ideia de que não se tratava de livros que ardiam, mas sim de cérebros, cérebros de pessoas, e ia recriar uma verdadeira noite de S. Bartolomeu, em torno desses cérebros incendiados, quando, de repente (…)

Knut Hamsun ("Fome").


A capa até escaparia, não fosse a frasezinha caída do céu (arrancada à má fila ao Thomas Mann), não fosse a menção ao nobel, não fosse a referência garrafal ao prefácio do Auster com direito a primeira página mais treze lá dentro, a fazer inveja ao Sarte na arte de reescrever o livro que se prefacia. Três autores, só na capa, a auxiliarem o moço entre as árvores. Lá dentro, antes do livro do Knut, sobra o Artaud, quando este escreve:
Aquilo que é importante, parece-me, não é tanto defender a cultura, cuja existência nunca impediu um homem de passar fome, mas sim o extrair daquilo que se chama cultura, ideias cuja força motivadora seja idêntica à da fome.

O Auster deveria ter ficado por aí, na citação que faz do Artaud. 

setembro 27, 2012

Para trás, em linha recta em direcção ao desconhecido


«No geral, não percebi muitas coisas. O nome do grupo, de certa forma, é uma brincadeira, e, de certa forma, é completamente sério. Creio que há muitos anos houve um grupo vanguardista mexicano chamado os real visceralistas, mas não sei se foram escritores, pintores, jornalistas ou revolucionários. Estiveram activos, também não tenho muita certeza, na década de vinte ou trinta. Naturalmente, nunca tinha ouvido falar desse grupo, mas isso é devido à minha ignorância em assuntos literários (todos os livros do mundo estão à esperta que eu os leia). Segundo Arturo Belano, os real visceralistas perderam-se no deserto de Sonora. Depois mencionaram uma tal Cesárea Tinajero, ou Tinaja, não me lembro, acho que nessa altura eu discutia aos berros com um empregado por causa dumas garrafas de cerveja, e falaram das Poesias  do Conde de Lautréamont (…)»

Os detectives Selvagens”, (pp.15), Roberto Bolaño. Tradução Miranda das Neves. Edição Teorema/leya.





A capa da edição portuguesa é uma merda tão grande, mas tão grande que até apetece vomitar e vomitar-lhe, tal o asco do amarelinho mais a merda das letrinhas em relevo, mais as palavras do Ferreira mais a Sontag que não tem culpa nenhuma. Um focinho de bradar e de fugir para qualquer leitor de livros que seja um leitor. Mas parece que assim vende bem. Da falecida e agora embalsamada Teorema na leya, como lhe chama o Cão. Mas sem referências ou conhecimento do autor ninguém lhe pegava, como diz a Zobaida (momentaneamente sem link).