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maio 06, 2013

Quanto ao resto, tivemos notícia pouco depois


Reentrámos nos vagões de coração apertado. Não havíamos sentido nenhuma alegria em ver Viena desfeita e os Alemães subjugados: aliás, pena; não compaixão, mas uma pena mais ampla, que se confundia com a nossa própria miséria, com a sensação grave, incumbente, de um mal irreparável e definitivo, presente em toda a parte, aninhado como uma gangrena nas vísceras da Europa e do mundo, semente de prejuízo futuro.

“A Trégua” (pp. 242), Primo Levi. Tradução de José Colaço Barreiros. Teorema. 

[GP]

abril 24, 2013

No limbo de Staryje Doroghi alguns verdugos não metiam férias



Perante aqueles fantasmas, perante o eu mesmo de Buna, e perante a mulher da lembrança e a sua reencarnação, senti-me mudado, intensamente «outro», como uma borboleta perante uma larva. Ali no limbo de Staryje Doroghi sentia-me sujo, esfarrapado, cansado, grave, esgotado pela expectativa, e apesar de tudo jovem e cheio de potências e virado para o futuro: Flora, em contrapartida, não tinha mudado. Agora vivia com um sapateiro bergamasco, não conjugalmente mas como uma escrava. Lavava e cozinhava para ele, e acompanhava-o com olhos humildes e submissos; o homem, taurino e simiesco, vigiava todos os passos dela, e batia-lhe selvaticamente á mínima sombra de suspeita. 


“A Trégua” (pp. 191-192), Primo Levi. Tradução de José Colaço Barreiros. Teorema.

abril 11, 2013

O "tremendo privilégio"


“A Trégua” (pp. 9), Primo Levi. Tradução de José Colaço Barreiros. Teorema.

[foto&montagem: GabrielP]