É uma malha simplesmente fabulosa. Talvez a melhor solução para um (imaginário) genérico de um programa (imaginário) de rádio inútil...
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outubro 27, 2020
abril 19, 2020
Isolamento (XXI)
Por acaso é domingo. Limpa-se a
casa. O pequeno-almoço é servido a qualquer hora; o velhinho Grundig em cima do
frigorífico dá o mote, está sol, o velhinho Grundig está sintonizado na RUM: música
indie de elevador, música de alguns conhecidos de Braga, um toque africano, ou
dois, a rádio está em modo aleatório, a publicidade é de antes do apocalipse, deixem
passar, às vezes uma ou outra pérola, Stone Roses (“i wanna be adored”) e The
Smiths: “There Is a Light That NeverGoes Out”. Sou um incondicional dos Smiths,
e este tema (entre outros) musicalmente (para mim) sempre foi um prelúdio de primavera,
sol, rinite. Mas uma primavera de destroços (roubado aos Mão Morta), com um
lado negro (mas tudo isso vem da letra acoplada), ou nocturno, para ser mais óbvio.
E também prazer. Cumplicidade. Inquietude. Uma espécie de yin-yang (melodia-letra)
pop. Tudo junto, fica muito perto da perfeição (beleza?). Ou do precipício. Não
será a mesa coisa.?
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
abril 16, 2020
Isolamento (XIX)

A rádio terá os seus seguidores, mas
de pouco nos vale quando se torna de companhia. Mais das vezes a companhia é
ruído, alegre adormecer, enchentes de alma, visitas às redes. Arrisco e ouço, com algum pasmo, a Antena 3 e a RUM (rádio
universitária do Minho). A primeira é pouco mais do mesmo, e alguns programas
de autor. A segunda quer ser do mesmo, tornar-se gente séria. E alguns
programas de autor. Sintonizo-me, deixa lá ver.
Através da tevê vou conhecendo William
Wisting da série policial norueguesa “Wisting”, baseada nos acontecimentos de
dois livros de Jørn Lier Horst: “O Homem das Cavernas” e “Cães de Caça”. Fica
para os lados do AMC e tem a sua pinta. Na RTP2 passa a série “Derrubados” (Taken
Down, no original). Artur Albarran diria que é o drama, o horror, a exploração
dos refugiados que, chegados à Europa, respiram o ar saudável da escravidão. E
teria razão. Embora a série se perca em alguns maneios próximos da xaropada, o
que nos obriga a considerar outras opções, como a Segurança Nacional, ou mesmo
os Mortos Vivos (temporada 25). A propósito, o aclamado (e logo esquecido) “Narcos”
vale pelo primeiro episódio. Aquela voz off a dar-nos conta do enquadramento
histórico torna a série balofa como a barriga do Escobar brasileiro, estorvada
pelo aroma (imposto) a documentário: plata
o plomo?
Agradáveis surpresas, ainda que a
prestações: "Breakfast at Tiffany's", uma comédia romântica, saída da pena de
Truman Capote e adaptada ao cinema por Blake Edwards, com Audrey Hepburne e
(consta que) outros actores; e “Silêncio”- filme sonhado e realizado por Martin
Scorsese, sobre as missões (doutrinais) dos Jesuítas portugueses no Japão, com
resultados que nos devem deixar orgulhosos (a apostasia é um tema que fica para
depois). O presidente Marcelo certamente terá ligado a Scorcese, felicitando-o
pela ideia e pelo filme e, quem sabe, pelo português perfeito dos actores,
entre os quais, o sr. Liam Neeson, isto é, Cristóvão Ferreira, meia hora de
representação, se tanto, com direito a figura de capa. Os outros actores (que
por acaso aparecem durante parte significativa do filme) são Andrew Garfield (Sebastião
Rodrigues), e aquele tipo que era condutor de autocarros e poeta no filme de
Jarmusch “Paterson” (um filme que deu que falar na minha cabecinha), chamado Adam
Driver, ou Francisco Garupe, missionário que morre afogado. E assim acontece. Agora vou ali ver a chuva cair.
janeiro 24, 2020
Coisas que se vão ouvindo por aí: Moaning
A música ainda anda de mão em mão. Desta vez saiu da rádio, através do Indiegente, passou por ouvido atento e aterrou aqui. E o movimento é imparável...
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