Mostrando postagens com marcador Paul Nizan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paul Nizan. Mostrar todas as postagens

novembro 04, 2014

Mas o esquecimento não é o outro nome da liberdade


Somente a terra conhecida, medida, cadastrada, foi retalhada pelas gentes da Europa: roubou-se por toda a parte, como num bosque; os paraísos são empresas comerciais de cobalto, de amendoim, de borracha, de copra; os selvagens virtuosos são clientes e escravos; os padres de todos os deuses brancos puseram-se a converter os idólatras, os fetichistas, a falar-lhes de Lutero, e da Virgem de Lourdes, a levantar-lhes as calcinhas de Chez Esders. Com a Eucaristia, veio o trabalho forçado de Brazaville-Océan. Assim se reduziram ao silêncio aqueles mesmos de quem os nossos pais esperavam os segredos. Tudo bem: a prece e o absinto entram na liça (…)

Paul Nizan, "Aden-Arábia". 

outubro 27, 2014

Tudo ameaça com a ruína um jovem



A busca dessa primeira frase grandiosa, de que nos fala Sam Savage no início de "Firmin", a procura (e já agora o encontro) do grande começo, nem sempre desagua num romance inesquecível ou num grande livro. Tem dias. Para mim o grande começo: Hoje a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem, de “O Estrangeiro” de Albert Camus, indicia e antecipa o grande livro. Eu tinha vinte anos e não permitia que ninguém dissesse ser essa a mais bela idade da vida, assim é o início de “Aden-Arabia” de Paul Nizan, publicado originalmente em 1932, dando-nos logo vontade de passar para a frase seguinte e nunca mais parar. Será assim?