Somente a terra conhecida, medida, cadastrada,
foi retalhada pelas gentes da Europa: roubou-se por toda a parte, como num
bosque; os paraísos são empresas comerciais de cobalto, de amendoim, de borracha,
de copra; os selvagens virtuosos são clientes e escravos; os padres de todos os
deuses brancos puseram-se a converter os idólatras, os fetichistas, a
falar-lhes de Lutero, e da Virgem de Lourdes, a levantar-lhes as calcinhas de
Chez Esders. Com a Eucaristia, veio o trabalho forçado de Brazaville-Océan.
Assim se reduziram ao silêncio aqueles mesmos de quem os nossos pais esperavam os
segredos. Tudo bem: a prece e o absinto entram na liça (…)
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novembro 04, 2014
outubro 27, 2014
Tudo ameaça com a ruína um jovem
A busca dessa primeira frase grandiosa, de que nos
fala Sam Savage no início de "Firmin", a procura (e já agora o encontro) do grande
começo, nem sempre desagua num romance inesquecível ou num grande livro. Tem
dias. Para mim o grande começo: Hoje a
mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem, de “O Estrangeiro” de Albert
Camus, indicia e antecipa o grande livro. Eu
tinha vinte anos e não permitia que ninguém dissesse ser essa a mais bela idade
da vida, assim é o início de “Aden-Arabia” de Paul Nizan, publicado
originalmente em 1932, dando-nos logo vontade de passar para a frase seguinte e
nunca mais parar. Será assim?
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