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dezembro 15, 2013

A Experiência pode ser educativa


A uma sugestão saída da pena de Barthelme nas suas 40 histórias: podem consumir as nossas drogas perigosas, sem dúvida, mas só para sobremesa – primeiro têm de mastigar muito bem a couve-flor, comer as verduras todas(...)

responde assim o paroxista Baudrillard: o avacalhamento ocidental, essa felicidade alimentada a hormonas e a farinhas animais, esse êxtase indolente e tecnológico, esse vírus interactivo que nós oferecemos [por exemplo] ao Leste em troca da sua abertura ao espaço democrático, é pior ainda do que...

uma dor como quando alguém nos pica o traseiro com um alfinete, isto é, uma tristeza que a longo prazo se revela pior, acrescenta Baldini, e diz mais, diz que: se nos safássemos, havia sempre alguém mais abaixo na cadeia que não conseguia. Essa pessoa gritava. Mais à frente tínhamos de nos esforçar para colmatar o espaço no tapete rolante para ela se sentir melhor, continua o Baldini, mas quem conta a história toda é o Fante.  Está tudo dito. 

novembro 03, 2013

Já agora, a explicação: burros que nem portas


P: Qual é o conteúdo do maoísmo?
R: O conteúdo do maoísmo é a pureza.
P: A pureza é quantificável?
R: A pureza nunca foi quantificável.
P: Qual é a incidência da pureza a nível mundial?
R: A pureza ocorre em 0,004 por cento de todos os casos.
P: Com o que é que a pureza em estado puro coexiste muitas vezes?
R: A pureza em estado puro coexiste muitas vezes com a loucura.
P: Sem menosprezo pela loucura.
R: Sem menosprezo pela loucura. A loucura em estado puro oferece uma alternativa ao reinado da razão justa.
P: Qual é o conteúdo da razão justa?
R: O conteúdo da razão justa é a retórica.
P: E o conteúdo da retórica?
R: O conteúdo da retórica é a pureza.
P: A pureza é quantificável?
R: A pureza não é quantificável. É, isso sim, dilatável.
P: Como é que defendemos a nossa retórica dos ataques de outras retóricas?
R: Quem defende a nossa retórica são os nossos representantes eleitos. Burros que nem portas, todos eles. 

“A Explicação” de Donald Barthelme.

[de fugir]

outubro 27, 2013

Já agora, este ano a bebé é "presbiteriana porque os presbiterianos têm mais baloiços e escorregas e essas coisas"



Os meus pais tiveram cinco filhos, e os rapazes revezavam-se no papel de ovelha negra, o qual foi ocupado pelo mais velho durante uns tempos enquanto estava na sua fase de bebedeiras ao volante ou outra coisa qualquer, e depois ficou mais cinzento quando arranjou um emprego ou então quando fez a tropa, nem sei ao certo, até que finalmente se converteu numa ovelha branca quando se casou e teve um neto [está assim no texto, a sério]. A minha irmã nunca chegou a ser ovelha negra porque era rapariga.

“Chablis”, Donald Barthelme

 (ANTÍGONA).