O Tio foi em viagem, o Tio anda em viagem, o tio
flana por aí, e está de volta aos treinos. Ora, “eu não sou eu nem sou o outro, / sou
qualquer coisa de intermédio”, roubando as palavras a Mário de Sá-Carneiro, sem
dúvida “pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro”, mas pode não ser
bem assim. De qualquer modo, podem seguir o OutroAQUI. Ou então apanhá-lo na
barra lateral deste albergue inútil: está lá em cima algures.
A julgar pelas aparências, e tendo em conta informações que tomamos por fidedignas, “O Tio Foi em Viagem” empenha-se em mostrar(-nos) sítios, passagens - não confundir com paisagens - , desvios e lugares (é preciso cuidado com a palavra Lugar, já que esta toma sentidos terrivelmente técnicos em contexto geográfico, sendo pasto regular de doutoramentos em geografia(s) que podem ter designações esquisitas e que a maior parte dos seres humanos desconhece); mas também, segundo cremos, despenha-se a mostrar-nos outros coisas com gente lá dentro, ou por muito perto. A fasquia fotográfica adivinha-se, todavia, muito baixa (em qualidade). A reflexão, quando existente, longe de trivial, assoma-se individualista e egocêntrica, para não dizer balofa. Por lá andam tigres e morcegos. A cada passo, um tal de sujeito refresca-nos com livros e leituras camufladas de desdém. “É cá dos nossos” - pensareis, se aí chegardes.