Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luis Borges, "Os meus Livros" in "A Rosa Profunda"
janeiro 08, 2009
janeiro 07, 2009
governantes precisam-se: assunto sério
Com algum atraso confesso que não vi na totalidade nem a entrevista com o Sr. Eng. nem depois o programa da Sra. (roliça e anafada) Fátima. Do segundo guardei a imagem do Sr. Silva, fiel jardineiro do Sr. Eng. e de um outro Sr., este último sentado, politólogo ao que julgo, e que foi o único a dizer qualquer coisa sem patacoada seguidista ou o seu contrário, sendo logo silenciado que ali não se estava para cogitar.Enganam-se os que julgam que o Sr. Eng. vive numa pantomina de socas calçado. O Sr. Eng. dentro das suas possibilidades, já que vive num casulo politico/partidário desde sempre (nunca fez nada na vida a não ser aquelas obras de arte que conhecemos), sem confundir com paisagem ideológica, conhece bem a realidade (oh se conhece). Ele sabe o que se passa. Talvez não a realidade crua de todos os dias mas pelo menos a realidade macro, que nos pastoreia. O homem gere bem os tempos e as transições defesa ataque. É um homem da moda, do mundo asséptico e branquinho, das corridinhas e da paranóia da aparência. Paralelamente é um homem vazio, desbotado e desinteressante. De passagem, governa. Enganam-se os que o vêem (apenas) como subproduto do marketing, ou o marketing em si mesmo. Está bem. Mas é menos, é apenas mais um dos treteiros de calçada, um “não é mas podia ter sido” ou “parece que foi”. E assim se vendem os Jerónimos e a Torre dos Clérigos. Assim se remata um novo penteado para a nação no Natal e depois se abre seriamente um postigo à recessão. Devagarinho. Entrementes, o Sr. Magalhães quase não chega à escola e tem que apanhar um táxi para o centro de saúde mais próximo a 30 km. Neva e o sr. Magalhães, produto típico português, diz-se, tem frio. Às cavalitas do sonho, um povo com nome de cavalo (ou será o contrário?) joga no loto e reza à nossa senhora, com o Eça a definhar a cada página numa nova Leiria sem amores. Além um padre joga ao fisco com o patrão da têxtil e calçado. Este último considera-se já um “roto”. É o próprio quem o diz mas na realidade sempre o disse. Aquém, o João Gonçalves e o Maradona entretêm a plebe com uma disputa sobre esquerda e direita, esquecendo-se dos manetas, dos acéfalos e dos politicamente analfabetos funcionais. Não vivemos uma ficção nem sequer uma realidade. Será um conto dos Grimm, ou assunto sério? Alvíssaras para quem tiver informações.
janeiro 05, 2009
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