junho 18, 2018

Um espantalho oficial, submerso em si mesmo


Trezentas e ... setenta e nove páginas (até ver sem problemas de maior), cerca de quatrocentas e tal gramas, mais coisa menos coisa, quantas palavras?, não se sabe bem, e a procissão anda vai mais ou menos com o adro ao alcance da vista. Central Europa continua a deslumbrar sem forçar muito. É claro que entremeei esta leitura (até ver) com alguma angústia, trabalho, outras leituras (caminhos desaguados, ou ali entroncados), e alguma ginástica (o livro ultrapassa bem um quilograma). E agora vou para ali continuar na frente leste, nas duas frentes, quero dizer, está tudo virado do avesso. 

junho 08, 2018

Anthony Bourdain (1956 - 2018)


Com ele percebi alguns dos significados para essa palavra nómada que (normalmente) conhecemos como "cultura".

maio 16, 2018

O último a sair que feche a porta



A páginas tantas, em "Central Europa", Vollmann escreve (através de um dos seus personagens sem nome – conseguimos imaginar a sua pérfida profissão) o seguinte: estou disposto a aceitar a tese segundo a qual é preferível uma política coerente a política nenhuma. Vollmann dota esta personagem (melhor dizendo narrador - uns dos vários) de uma fina ironia, tão fina que por vezes nos cortamos na leitura. Tão fina que não vou sequer (vos) tentar contextualizar.

Aproveito apenas para friamente assinalar que, esta época, o Sporting teve uma dose de coerência que em tudo se assemelha a uma política. A equipa, de forma coerente, não jogou nada. Jorge Jesus, de forma coerente, foi mantendo a sua ideia. Esta coerência apenas foi ligeiramente alterada após o jogo com o Atlético (por razões que todos sabemos: a posta do Presidente e o desgaste da equipa com lesões, castigos, cansaço). E, por fim, o Presidente (e toda a sua equipa se é que existe uma equipa) foi coerente no seu caminho para o abismo. Até ontem ainda havia a possibilidade de recuarmos. Hoje a queda livre não permite pensar sequer em milagres.

E teria bastado alguma imprevisibilidade, alguma (porque não?) incoerência, tanto na equipa e no treinador para chegarmos a outro porto. Quanto ao Presidente, não sei se já se inventou uma palavra para o sucedido. Talvez suicídio. Mas não quero ser coerente.

maio 10, 2018

Danilo Kiš


O cortejo silencioso comandado por Bandoura só arvorou as bandeiras, vermelhas e negras, na proximidade dos bairros operários, e os estandartes desfraldaram-se ao vento produzindo um ruído funesto, vermelho-fogo e negro-nocturno - símbolos próximos da linguagem das flores, mas não desprovidos de contexto social.  
"Honras Fúnebres", Danilo Kiš

Danilo Kiš? Os seus livros estão esgotados. Quero dizer: fora do mercado. Sem novas edições, ainda se consegue arranjar qualquer coisa online. Como cheguei a Danilo Kiš? Por portas travessas do Vollmann. A odisseia Vollmann terá começado com aquela coisas do Vós, luminosos e tal, espalhando-se como uma doença até (vejam bem) ao Cão. Espelhos, acasos, ressonâncias que se propagam desde as primeiras leituras. A abertura de um livro: "Central Europa", as mãos em concha (mas aquilo é muito peso), uma, duas páginas e lê-se que Central Europa é dedicado à memória de Danilo Kiš, cuja obra- prima "Uma tumba para Boris Davidovich" me acompanhou [sim, sim, ao Vollmann] durante os anos em que me preparava para escrever este livro. Danilo é nome de jogador da bola, mas Kiš é outra coisa. Pesquisei. Voltei a pesquisar. Já sei do paradeiro de Uma tumba para Boris Davidovich, mas cheguei primeiro à Enciclopédia dos mortos (algures no depósito de uma biblioteca - é para isso que elas servem). Dá para desenfastiar de Vollmann. A digestão de Vollmann é para se ir fazendo. Sem tréguas.