Mostrando postagens com marcador O nosso mundo é um parque temático. Mostrar todas as postagens
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maio 04, 2019

[mais] uma conspiração de estúpidos


Informa-se que o uso prolongado da liberdade criou muitos ficheiros de lixo. É o que parece, assim à primeira vista, que não esteja cansada. Esta semana ficamos a saber de negociações entre o governo e produtores e distribuidores de alimentos, com vista à diminuição do sal e do açúcar. Isto faz-nos logo imaginar um comité de provas que selecciona aquilo que podemos ou não podemos ingerir seja lá em que orifício for, salvo os da moda. Fumar já só dentro de casa e de tubinho para a extracção devida. Piropos, atenção à listagem disponível, não vá acabar a assobiar atrás de um gradeamento com outros prevaricadores. Iluminados dos estudos de género (levam a conversa para aí, para nos desbotar os sentidos já todos bem desbotados), decidiram retirar algumas obras infantis das bibliotecas (isto aqui perto, em Barcelona), porque habitadas de um sexismo terrível e castrador, entre elas, o capuchinho vermelho. Algures por aí, germinam uns eco-fascistas que gostam de decidir como é que as pessoas devem ou não viver, uma freakcalhice que conhecemos bem de algumas comunidades que depois de encherem o bandulho de dinheiro na cidade, se retiram para perto do povo rura. Tenho andado de cabeça no ar, em vez da roda, o blogue em abandono espiritual, enfim, felizmente ainda tenho liberdade para desaparecer.  

novembro 12, 2018

De borla

(na lata)

Sobre o (suposto) trabalho voluntário, uma onda trendy muito em voga, que sustenta a "eventologia" (termo cunhado por Alain Bourdin) que pastoreia os nosso dias, entre festivais, eventos (supostamente) desportivos, sociais, tecnológicos, servidos à mesa por jovens (e menos jovens) de alma vaga, à procura de um lugar ao sol, devidamente peneirados. É um mundo de exploração sustentado pelos impostos de todos. Ou, pelo menos, de alguns. Duas crónicas recentes chamaram-me a atenção:


 - Não vás ao engano; de Henrique Raposo (sim, do Henrique Raposo)

A minha tese de doutoramento (onde vai ela???), seria sobre isso: o nosso mundo é um evento, ou um parque temático, se quiserem. Talvez um dia. Mas não de borla. 

setembro 23, 2018

setembro 11, 2018

Com serenidade

(Mark Knight)

Não sei bem, mas ouvi na Antena 3, na rubrica fricção científica, algo sobre selfies sexy, um estudo a reter para não possibilitar qualquer dormência excessiva aos neurónios que nos restam. E são apenas três. Contagem recente. A Serena tem mais dois. Faz cinco. A cena da Serena sem serenidade não nos deixa ponta para novelar. Tem dias, mas quase me espanta a vontade de indignação sobre coisas que normalmente nos passariam ao largo. O mesmo para a defesa, intrépida, dessas coisas (nada de melhor me ocorre) que nos sobrevoam ao largo. E são tantas. A moça, serenamente, fez azo do seu melhor conhecimento do envolvimento aos árbitros, formação disponível no sítio do Futebol clube do Porto, com seguimento in situ, Sport Lisboa e Benfica, sem arredores. Resta-nos, à tangente, o desenlace das retribuições às vítimas de Pedrogão. Um fartote de estudos à borla. Mas não com tanta piada. 

Ainda subsiste alguma vida inteligente no planeta. Mas não existem provas irrefutáveis disso.

julho 06, 2018

Pergunta:


Talvez nos sapatinhos à foda-se no canto inferior direito? Na rendinha da calça (calção?)? Nos aplausos que se escutam, sem grande esforço de imaginação, rodeando a arena? Esqueçam a arena, esqueçam o PAN, o Bloco, os esfomeados de causas fracturantes. Concentrem-se na imagem. Obrigado. Agora podem ir sossegados passear o cãozinho.

(imagem daqui)

julho 01, 2018

O nosso mundo é um parque temático


Os Xutos foram definitivamente institucionalizados. Não tarda serão uma t-shirt da primark. Em versão portuguesa, claro. Numa feira perto de si e do presidente.   

maio 02, 2018

L'imagination au pouvoir


O Jornal I hoje faz capa com os cinquenta anos do início do Maio de 68. Durou um mês, mais coisa, menos coisa, mas o seu espírito (dizem alguns) chegou até nós. Como espírito não sei, como slogan publicitário de certeza, aliás devidamente empacotado (e domesticado) na estrutura do sistema capitalista. Como as calças rotas do Punk que se podem comprar por aí, ou as t-shirts dos Ramones na primark.

Parece que foi Roger Scruton que disse ter visto no Maio de 68 meninos burgueses a atirar pedras a polícias oriundos do povo. Estes polícias (supostamente) oriundos do povo são uma forma de contornar a questão e antecipam em muitos anos as t-shirts dos Ramones da primark. Não fosse a polícia o braço mandado de qualquer elite e estaríamos conversados. Charles de Gaulle terá aplaudido. Sucede que esses meninos burgueses, pelo menos, ainda tinham capacidade para se entediar, ou mesmo para se indignar. Nada, de resto, que fosse possível hoje. A não ser num qualquer púlpito indignatório de uma rede social.

Debord e os situacionistas, nas suas críticas à sociedade do espectáculo, foram absolutamente visionários. Longe de transparecerem (apenas) a realidade de uma época (e eles surgem como movimento ainda nos anos cinquenta) criam, isso sim, um movimento (sobretudo) artístico, absolutamente embrionário na perceção da sociedade que se estava a criar e que desaguou naquilo que somos hoje. E isto em termos de urbanismo, arte, economia, sociedade. 

A parque tematização da nossa sociedade radica na parque tematização do pensamento. Não sei se a sociedade do espetáculo de Debord serve para compreender tudo. Não servirá. Nem Debord nos seus devaneios mais bem bebidos terá sonhado com isso e com isto. E se sonhou, em breve teremos uma t-shirt ou um vídeo numa rede social a confirmarem-no.


Nota: temos que reconhecer que a imaginação terá mesmo chegado ao poder: basta observar a forma como o ex Ministro Pinho (entre muitos outros) toureou de forma criativa a nossa democracia, para reconhecermos a nossa reiterada burrice.

abril 13, 2018

Terra de ninguém


(detalhe de "Sonho de uma tarde dominical
na Alameda Central" - mural de Diego Rivera)

Sobre cidades moribundas, homogeneização e gentrificação dos centros históricos, sua museificação a olhos vistos; sobre a parque tematização dos espaços históricos, enjaulados num cenário que os recria em segunda mão, já muito disse e escrevi, disso tentei (ingenuamente) fazer vida, ou quase, não fosse a graça da má sorte, desvarios vários, algumas caminhadas, e ainda por lá andaria. Livros, alguns com décadas, anunciam a boa nova, por exemplo: “Simulacros e Simulação” de Baudrillard, ou “O Direito à Cidade” de Lefebvre, que hoje António Guerreiro também refere num artigo publicado no ÍPSILON (jornal Público), denominado "A morte da cidade". Artigos, estudos, papeladas, a rodos. A Academia debruça-se sobre o assunto entre dois coffee breaks.

Sobre a (digamos assim) temática, aqui deixo dois textos (mansinhos) do Público de hoje. O já citado:

Agora vou ali dar para outro peditório.

março 22, 2018

Quem nos protege desta gente?



(daqui)

Não fosse a falta de tempo (e sobretudo de paciência) ter-me-ia deleitado em risota escarnida. Esta soberba de delimitar as nossas vidas demagogicamente encapotada de preocupação com a saúde, daria pano para mangas do nosso pensamento. Não valerá muito a pena. Não tarda chega cá no paquete. Quem nos protege desta gente? 

março 11, 2018

O paraíso das roçadoras



Não, não se trata de um filme porno, mas parece que ninguém sabe ao certo até onde e quando deve ir a roçadora. Enquanto chove as costas folgam. Esperemos que desta vez não se sacuda a água do capote. Entretanto, ficamos a saber de um resgate muito apropriado para aconchegar as nossas  consciências. A coisa, parece, teve honras de espaço televisivo. Como não poderia deixar de ser. Lá fora, e nos nossos cafés ao balcão, não se fala de outra coisa: a lista dos mais ricos do mundo, segundo a forbes. Parece que o número de bilionários saltou 18% para 2.208 pessoas, contra 2.043 no ano passado. Duas mil, duzentas e oito pessoas. O Pavilhão João Rocha sem casa cheia, ou uma boa casa para o Belenenses num dia de sol. Somadas, as fortunas, dão para um gajo arranjar um problema sério na hora de pagar a renda da casa, ou de dar uma gorjeta. Todos os anos levamos com este festim de empreendedorismo jocoso. Talvez porque, ao contrário dos cifrões, se tivéssemos que contar as pessoas do outro lado da balança, a cifra resultante tivesse que ser devidamente aconchegada por mais uns quantos resgates caninos.