
Mostrando postagens com marcador O nosso mundo é um parque temático. Mostrar todas as postagens
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setembro 17, 2019
julho 24, 2019
julho 19, 2019
julho 02, 2019
maio 04, 2019
[mais] uma conspiração de estúpidos
Informa-se que o uso prolongado da liberdade criou muitos ficheiros
de lixo. É o que parece, assim à primeira vista, que não esteja cansada. Esta
semana ficamos a saber de negociações entre o governo e produtores e
distribuidores de alimentos, com vista à diminuição do sal e do açúcar. Isto faz-nos
logo imaginar um comité de provas que selecciona aquilo que podemos ou não
podemos ingerir seja lá em que orifício for, salvo os da moda. Fumar já só
dentro de casa e de tubinho para a extracção devida. Piropos, atenção à listagem
disponível, não vá acabar a assobiar atrás de um gradeamento com outros
prevaricadores. Iluminados dos estudos de género (levam a conversa para aí, para
nos desbotar os sentidos já todos bem desbotados), decidiram retirar algumas
obras infantis das bibliotecas (isto aqui perto, em Barcelona), porque
habitadas de um sexismo terrível e castrador, entre elas, o capuchinho
vermelho. Algures por aí, germinam uns eco-fascistas que gostam de decidir como
é que as pessoas devem ou não viver, uma freakcalhice que conhecemos bem de
algumas comunidades que depois de encherem o bandulho de dinheiro na cidade, se
retiram para perto do povo rura. Tenho andado de cabeça no ar, em vez da roda, o
blogue em abandono espiritual, enfim, felizmente ainda tenho liberdade para
desaparecer.
novembro 12, 2018
De borla
(na lata)
Sobre o (suposto) trabalho voluntário, uma onda trendy muito em voga, que sustenta a "eventologia" (termo cunhado por Alain Bourdin) que pastoreia os nosso dias, entre festivais, eventos (supostamente) desportivos, sociais, tecnológicos, servidos à mesa por jovens (e menos jovens) de alma vaga, à procura de um lugar ao sol, devidamente peneirados. É um mundo de exploração sustentado pelos impostos de todos. Ou, pelo menos, de alguns. Duas crónicas recentes chamaram-me a atenção:
- Borlas & porreirismo: é a cultura, estúpido!; de João Pedro George
- Não vás ao engano; de Henrique Raposo (sim, do Henrique Raposo)
A minha tese de doutoramento (onde vai ela???), seria sobre isso: o nosso mundo é um evento, ou um parque temático, se quiserem. Talvez um dia. Mas não de borla.
setembro 23, 2018
Notícias do meu país, perdão, pipi
João Ribas garantira (...) que não ia haver “salas especiais” na exposição dedicada ao fotógrafo Robert Mapplethorpe que inaugurou na quinta-feira no Porto.
setembro 19, 2018
setembro 11, 2018
Com serenidade
(Mark Knight)
Não sei bem, mas ouvi na Antena
3, na rubrica fricção científica,
algo sobre selfies sexy, um estudo a reter para não possibilitar qualquer
dormência excessiva aos neurónios que nos restam. E são apenas três. Contagem
recente. A Serena tem mais dois. Faz cinco. A cena da Serena sem serenidade não
nos deixa ponta para novelar. Tem dias, mas quase me espanta a vontade de
indignação sobre coisas que normalmente nos passariam ao largo. O mesmo para a
defesa, intrépida, dessas coisas (nada de melhor me ocorre) que nos sobrevoam
ao largo. E são tantas. A moça, serenamente, fez azo do seu melhor conhecimento
do envolvimento aos árbitros, formação disponível no sítio do Futebol clube do
Porto, com seguimento in situ, Sport Lisboa e Benfica, sem arredores. Resta-nos,
à tangente, o desenlace das retribuições às vítimas de Pedrogão. Um fartote de
estudos à borla. Mas não com tanta piada.
Ainda subsiste alguma vida inteligente no planeta. Mas não existem
provas irrefutáveis disso.
julho 20, 2018
julho 06, 2018
Pergunta:
Talvez nos sapatinhos à foda-se no canto inferior direito? Na rendinha da calça (calção?)? Nos aplausos que se escutam, sem grande esforço de imaginação, rodeando a arena? Esqueçam a arena, esqueçam o PAN, o Bloco, os esfomeados de causas fracturantes. Concentrem-se na imagem. Obrigado. Agora podem ir sossegados passear o cãozinho.
(imagem daqui)
(imagem daqui)
julho 01, 2018
O nosso mundo é um parque temático
Os Xutos foram
definitivamente institucionalizados. Não tarda serão uma t-shirt da primark. Em
versão portuguesa, claro. Numa feira perto de si e do presidente.
junho 12, 2018
maio 02, 2018
L'imagination au pouvoir
O Jornal I hoje faz capa com os cinquenta anos do início do Maio de 68. Durou um mês, mais coisa, menos coisa, mas o seu
espírito (dizem alguns) chegou até nós. Como espírito não sei, como slogan
publicitário de certeza, aliás devidamente empacotado (e domesticado) na
estrutura do sistema capitalista. Como as calças rotas do Punk que se podem
comprar por aí, ou as t-shirts dos Ramones na primark.
Parece que foi Roger Scruton que disse
ter visto no Maio de 68 meninos burgueses a atirar pedras a polícias oriundos
do povo. Estes polícias (supostamente) oriundos do povo são uma forma de
contornar a questão e antecipam em muitos anos as t-shirts dos Ramones da
primark. Não fosse a polícia o braço mandado de qualquer elite e estaríamos
conversados. Charles de Gaulle terá aplaudido. Sucede que esses meninos
burgueses, pelo menos, ainda tinham capacidade para se entediar, ou mesmo para
se indignar. Nada, de resto, que fosse possível hoje. A não ser num qualquer
púlpito indignatório de uma rede social.
Debord e os situacionistas, nas
suas críticas à sociedade do espectáculo, foram absolutamente visionários. Longe
de transparecerem (apenas) a realidade de uma época (e eles surgem como
movimento ainda nos anos cinquenta) criam, isso sim, um movimento (sobretudo) artístico,
absolutamente embrionário na perceção da sociedade que se estava a criar e que
desaguou naquilo que somos hoje. E isto em
termos de urbanismo, arte, economia, sociedade.
A parque tematização da nossa
sociedade radica na parque tematização do pensamento. Não sei se a sociedade do espetáculo de Debord
serve para compreender tudo. Não servirá. Nem Debord nos seus devaneios mais
bem bebidos terá sonhado com isso e com isto. E se sonhou, em breve teremos uma t-shirt ou
um vídeo numa rede social a confirmarem-no.
Nota: temos que reconhecer que a imaginação terá mesmo chegado ao poder: basta observar a forma como o ex Ministro Pinho (entre muitos outros) toureou de forma criativa a nossa democracia, para reconhecermos a nossa reiterada burrice.
maio 01, 2018
abril 23, 2018
What will the automated city of the future look like?*
Modernas. Sustentáveis. Inteligentes. Agora chegam as cidades robot ou robotizadas. É isso o futuro? Cada um tem o Terminator que merece.
(*sacado daqui)
abril 13, 2018
Terra de ninguém
(detalhe de "Sonho de uma tarde
dominical
na Alameda Central" - mural de
Diego Rivera)
Sobre cidades moribundas, homogeneização
e gentrificação dos centros históricos, sua museificação a olhos vistos; sobre a
parque tematização dos espaços históricos, enjaulados num cenário que os recria
em segunda mão, já muito disse e escrevi, disso tentei (ingenuamente) fazer
vida, ou quase, não fosse a graça da má sorte, desvarios vários, algumas
caminhadas, e ainda por lá andaria. Livros, alguns com décadas, anunciam a boa nova, por exemplo: “Simulacros e
Simulação” de Baudrillard, ou “O Direito à Cidade” de Lefebvre, que hoje
António Guerreiro também refere num artigo publicado no ÍPSILON (jornal
Público), denominado "A morte da cidade". Artigos, estudos, papeladas, a rodos. A Academia debruça-se sobre o
assunto entre dois coffee breaks.
Sobre a (digamos assim) temática,
aqui deixo dois textos (mansinhos) do Público de hoje. O já citado:
Agora vou ali dar para outro
peditório.
março 22, 2018
Quem nos protege desta gente?
(daqui)
Não fosse a falta de tempo (e sobretudo de paciência) ter-me-ia deleitado em risota escarnida. Esta soberba de delimitar as nossas vidas demagogicamente encapotada de preocupação com a saúde, daria pano para mangas do nosso pensamento. Não valerá muito a pena. Não tarda chega cá no paquete. Quem nos protege desta gente?
março 11, 2018
O paraíso das roçadoras
Não, não se trata de um filme porno, mas parece que ninguém
sabe ao certo até onde e quando deve ir a roçadora. Enquanto chove as costas
folgam. Esperemos que desta vez não se sacuda a água do capote. Entretanto, ficamos a saber de um resgate muito apropriado
para aconchegar as nossas consciências. A coisa, parece, teve honras de espaço
televisivo. Como não poderia deixar de ser. Lá fora, e nos nossos cafés ao balcão, não se fala de outra
coisa: a lista dos mais ricos do mundo, segundo a forbes. Parece que o número
de bilionários saltou 18% para 2.208 pessoas, contra 2.043 no ano passado. Duas
mil, duzentas e oito pessoas. O Pavilhão João Rocha sem casa cheia, ou uma boa
casa para o Belenenses num dia de sol. Somadas, as fortunas, dão para um gajo
arranjar um problema sério na hora de pagar a renda da casa, ou de dar uma
gorjeta. Todos os anos levamos com este festim de empreendedorismo jocoso. Talvez
porque, ao contrário dos cifrões, se tivéssemos que contar as pessoas do outro lado da balança, a cifra resultante tivesse que ser devidamente aconchegada por
mais uns quantos resgates caninos.
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