Mostrando postagens com marcador o meu país a saque. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o meu país a saque. Mostrar todas as postagens

junho 19, 2020

Música de uma fanada melancolia

Aventuras na História · Por que as estátuas gregas tinham um pênis ...

A canonização em curso da burrice e da imbecilidade teve mais um momento zen (vários até), através da vandalização bacoca de estátuas; maria-vai-com-as-outras, a volúpia do politicamente correcto aproveita qualquer acção, qualquer mecanismo, qualquer movimento que (supostamente) a justifique. Os seus defensores: censores de livros e escritores, de filmes e músicas, censores e revisionistas da história, simples ignorantes (outro cânone dos nossos dias), jornadeiam a reboque das redes socais, de abaixo-assinados, advogando as (nossas?) causas, definindo o que devemos comer, dizer, foder. Está tudo ligado ao vórtice da liberdade como lifestyle, sempre passageira como o piropo proibido. O resto fica na mesma, subindo alguns (sempre bem posicionados) aos meandros do poder que juraram derrubar, ficando os outros a pairar no vazio, ou a carregar a padiola do costume. "Escutando bem", como escreveu um dia Sebastão Alba, "ouve-se como ao pé das estátuas/música de uma fanada melancolia".  

maio 15, 2020

Isolamento XXXI


A Oeste nada de novo, ou, a nova (velha) normalidade: o Novo (velho) Banco, a velhíssima história de sempre: as constantes injecções (qual a novidade?), ou aquela dos prémios, not so fast you greedy bastards, como se alguém objectasse o saque. A tradição ainda é o que era. Ainda se admiram com as bujardas dos golpes baixos. O patriotismo é fundamental para o bolso.

maio 09, 2020

Isolamento XXVIII

Computer Says No Little Britain Men's T-shirt | Kidozi.com

Calamidade: desgraça, catástrofe, flagelo, adversidade, o mal? Computer says yes. Rubem Fonseca says no. Ele dizia que cada palavra vive por si própria. Não existiam sinónimos, isso era coisa de gramático. A gramática actual, à falta de corrector ortográfico (esse fiasco cognominado de acordo) vive na matemática, na estatística. Ninguém (por aí além) se questiona: aplicações no telemóvel, certificados de imunidade, câmaras ocultas? Certamente. Praias com torniquetes, drones, raides aéreos? Se necessário. Os velhos por casa, no asilo (existem palavras que se adequam) sine die, restringidos por zonas e horários? É para o bem geral.

Rentes de Carvalho: Assusta-me também a perspetiva de que este ambiente de medo veio para ficar, porque ajuda eficazmente a manter o cidadão assustado, obediente, pronto a denunciar o vizinho que não obedece. o vizinho que não obedece.(…) Em matéria de catástrofes, a minha imaginação tem tendência para disparar, mas em momento nenhum me ocorreu que isto poderia acontecer, como ainda considero incrível o pouco valor que os indivíduos dão à liberdade e o tremendo poder do medo. (Diário de Notícias – 09/05/2020)

abril 21, 2020

Isolamento (XXIII)


Dezembro 2018 - Novamente Geografando

Depois da biologia, finalmente, tempo para a geografia: montanhas, planaltos, planícies. A curva, após movimentos anticlinais e sinclinais, conforme o programa, assumirá a sua natureza rectilínea, embora, neste particular, estejamos inclinados a aceitar a teoria de Salinger (já lá iremos, a Franny e também a Zooey) sobre aquela espécie de geometria semântica, na qual a distância mais curta entre dois pontos é um círculo quase completo. Depois disto, o deserto, qualidade de que, em breve, serão revestidos os nossos pensamentos, lavrados pela economia. Verdade seja feita, e não dita: sempre temos os abaixo assinados e a revolta na Bounty das redes sociais (único aspecto do social não confinado, por razões ainda desconhecidas). Entretanto, seria interessante, antes de nos aspergirem com as novas homilias económicas, olharmos para isto e para aquilo. Interessante, e um bom ponto de partida para conhecermos as linhas com que se cosem os nossos contornos nacionais. Temos mapas disso, mas a nossa recusa em contribuir para teorias conspirativas é ponto de honra.

abril 15, 2020

Isolamento (XVIII)

FMI prevê recessão acentuada para Portugal
(open)

Alerta em números do fundo monetário internacional!
A recessão está aí. Vai estar. Número: 8% (até onde a vista alcança). O território português confinado, mais uma vez. E o desemprego, quanto? Número: 14% (até onde a vista alcança lê-se agora: preparem-se). Haja saudinha

A recessão vai estar, e o FMI também: é o padrão expectável. Está vento, arrasta chuva.

A economia vai emagrecer. As expressões gastronómicas ajudar-nos-ão a percorrer o caminho.

Vamos continuar a precisar de máscaras. Quando o ar se tornar respirável, compraremos a crédito.

Futuramente, num quadro de possível normalidade (ou normalidade possível?), de acordo com o planeamento devido, com garantias de estabilidade, poderemos aspirar ao aconchego do rebanho: nada será como dantes.

Mais palavras em promoção, serão o futuro património da imaterialidade.

Chame-se o poeta Ruy Belo:

O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa [mas por agora dá jeito].

abril 07, 2020

Isolamento (XII)

Ti accorgerai della gravità dei tuoi sbagli quando troverai chi non le perdona..☢️🔥☢️🔥💀 Máscaras De Gás, Fotos Hilárias, Desenhos Assustadores, Inspiração Para Histórias, Novas Ideias, Segunda Guerra Mundial, Personagens, Estampas, Arte De Máscara De Gás

Ir às compras em grupo. Usar máscara à chuva. Arranjar o cabelo por portas travessas. Observar distância social de dois metros (com ar de atenção redobrada e não fingido nojo), e depois sentar-se com a tal conhecida a uns dez centímetros, não esquecendo de lhe amarrar o braço enquanto tagarela. Usar máscara deixando o nariz de fora (para respirar melhor). Passear à noite enquanto o vírus dorme. Continuar a frequentar alguns estabelecimentos comerciais abertos, para depois indignar-se nas redes sociais. Praticar mini botellón (beber cerveja em copos de papel) à porta da padaria, ou ficar por ali em conversa de café, cavaqueando sobre as paragens da polícia e as últimas estatísticas. (Eis algumas excepções(?) que confirmam a regra)

Esboços, diplomas, ensaios, testes, gráficos, ventiladores em trânsito. Curvas erráticas. Poesia. Retificações. Reuniões ao mais alto nível. Reuniões ao mais baixo nível. Com máscara, dizem uns, sem máscara, dizem outros, no entanto, acrescentam ambos. O Presidente da República fala mais uma vez à nação, a vigésima oitava, e depois vai ao pão. As estatísticas aproximam-nos. Paulo Portas insinua-se de forma irrevogável. Fazem-se contas à vida sem saber para que rua esta se dirige. As redes socais escavam uma saída para a celebridade: vamos ficar todos bem. 

março 21, 2020

Isolamento (III)

Resultado de imagem para isolamento social

A linguagem bélica está na ordem do dia. A comparação a cenários de guerra entra-nos pelo sofá: sentados, em casa, assim combatemos. Não se trata apenas de guerra, há muito que as empresas e os empreendedores se refugiaram nesse (suposto) paralelismo entre o mundo militar e os negócios (criando uma novilíngua): formações e equipas, treino, estandartes, disciplina, competição (dinheiro, em suma).Temos também os heróis. Descem do nosso imaginário para o quotidiano (qual quotidiano?). Estão agora por todo o lado. Quase esquecemos: os sem-abrigo, os borrachões patibulares de Bolaño, os drogados, os indigentes, os esquecidos e os isolados de ontem. É-nos familiar o esquecimento de todos os dias. Temos sobretudo medo. Literalmente, daquilo que não vemos. Mas não podemos esquecer que o clã securitário se senta connosco no sofá. É o único Couchsurfing a que assistiremos nos próximos tempos.

O presidente diz: 

Somos? Cheira aqui e ali a mofo, a populismo barato, a bazófia farsola. Quem são os outros? Onde fica a fronteira?
Alguém sabe?

janeiro 25, 2020

dezembro 08, 2019

Quero cheirar o teu bacalhau, mas em inglês


Como é que se faz? Fácil, basta passar no bacalhau story center. A nossa mundividência poliglota é inesgotável. A forma como sabemos receber os pelintras que nos visitam também. Meu deus (perdoem-me o recurso à providência), este país desperta-nos um desejo absurdo de beber, se é que já não o fazemos, ou sempre o fizemos. Depois respondo a este enigma. Agora vou ali ler um pouco do Bukowski, a ver se ele poderá ajudar.

novembro 07, 2019

leaving meaning.

Resultado de imagem para leaving meaning

Este álbum é uma banda sonora para um filme ainda não realizado – ia escrever feito, mas não me parece apropriado debater a ignorância. Sem filme, sem grande ou curta metragem, até agora, claro, teremos forçosamente que dar-lhe o benefício da dúvida da realidade, mas qual realidade?, e aqui não falamos de países, de zonas, de hemisférios, mas de algo que, sendo interior, quando se mistura com o ar, forma uma epiderme potencialmente explosiva. À volta dessa epiderme estamos nós; nós e a arte descrita por Maiakowski algures num poema. Maiakowski se tivesse durado mais uns invernos, talvez pudesse visitar incógnito Portugal, talvez, e assim percebesse que a morte é uma inimiga de classe, principalmente daqueles que não comem, e não comem porque não têm comida, nem sabem plantá-la, ou colhê-la, ou procurá-la, nem nada sabem de politica a não ser o que lhes dizem,  seria mais ou menos assim um canto da Europa ainda antes da primeira guerra mundial, um canto rural do esquecimento, e muito depois ainda cheiraria: a dor, sem qualquer arte que a pudesse violentar para acalmar os deuses que desciam dos ceús. Que disco fariam os Swans em Portugal? Sinceramente não sei, sei que uma vez os vi e ouvi sentado em plumas, que é o mesmo que as cadeiras do grande auditório (é assim que se chama?) da casa da música. Ficamos conversados. Perdão, sentados. Maiakowski, olha para Portugal. Deixa-te disso.

outubro 07, 2019

Centrum


É preciso que alguma coisa mude para ficar tudo basicamente na mesma. O partido socialista teve 36,7% dos votos, e o partido social democrata (atendendo apenas à sua sigla, claro) 27,9%. Bom, cento e seis deputados por um lado, e setenta e sete por outro (faltando apurar quatro, penso eu). Tudo somado dá qualquer coisa como cento oitenta e três deputados, faltando os tais quatro. Total do hemiciclo? duzentos e trinta deputados. O que mudou então? Este centro com oscilações nebulosas vai-se revezando no poder desde mil novecentos e setenta e cinco. Caso único nas redondezas, diga-se de passagem. O que mudou então? Algumas cores, uma pintadela de verde aqui, outra ali, as modas do costume chegando no paquete, ou de avião, sempre mais ou menos atrasadas, sempre com a senhora das dores a tiracolo e um bilhete de lotaria, perdão, de raspadinha na mão. É preciso ter sorte. 

junho 22, 2019

O menino que não bebia leite ao pequeno-almoço

A Bola

Caminhamos com ardor para a total imbecilização. Mas não me tinham dito que o país tinha mudado de nome para Benfiquistão. Fica perto do planeta Borat. 

junho 15, 2019

Vítor Constâncio - poeta


Às vezes fico a olhar para um espaço vazio
e contemplo
CGD
quero dizer
Caixa geral de depósitos
não me lembro de alguma vez
ou mesmo outra
ter ouvido esse nome
esperaí já me lembro de alguma coisa
não me lembro não me lembro
nem me lembro
de outros bancos


esparaí esperaí
esparaí esperaí

junho 12, 2019

Inlocalizáveis


A propósito, quando a Ministra da Cultura, comentando as obras de arte do Estado afirma que algumas das peças não estão desaparecidas, apenas por localizar, não está, como muitos julgam, a politicar, ou a dar uma bacorada, isto não está ao nível das inverdades, não senhor; a Ministra da Cultura, pelo contrário,  está apenas a fazer-nos de totós. Ora, espero sinceramente que os votos nas próximas eleições não desapareçam, apenas fiquem inlocalizáveis. Pensem nisso. 

obrigado não, baixa lá as calcinhas, perdão, drop your drawers...



 Lisboa, Portugal (sacado aqui)