outubro 14, 2008

sem comissão de festas

À minha esquerda um “deixei a cidade” aclimatiza o pensamento. Não deixei. Com a ansiedade de um hipocondríaco, ainda por cima dos pequeninos, regozijo-me com a cidadela indispensável que nos redoma os dias. Parece que o arranjo diário das adições e pessoas decentes nos acotovelam na demanda da padaria. Celebro a entrada com um ênfase destituído de guarda-chuva e ninguém repara. Pudera, apenas três pães de água nos separam da Califórnia climatizada. 
Em passagem, duas tabuletas assinalam duas viperinas filas. Toda a gente se achega à primeira que diz “fila única para trocas”, bem parecida com uma outra ”fila única para carregamentos”. Todos se acercam da primeira, “única” e “fila”, enquanto eu, observando ambas descarrego o carregador em três beatas, uma ninfeta e duas escaxadinhas. Todas analfabetas. Entretanto o Sr. João, ou Carlos, não ouvi bem, arrazoava na fila errada (e certamente vestindo o dominó errado…), aproveitando a serventia do servidor da gleba (conhecido do Sr.) atrás da portinhola de vidro. Não tinha mais balas. Simulei em guarda com a atenção num sapateiro que fazia óculos para cavalos. Mas já era noite e o hábito era uma gravata. Aprumado.

2 comentários:

Eduardo F. disse...

Pá! qu'é esta cena?

Gostei muito.
Apenas entrevejo o significado de algumas passagens.

Mas é precisamente por não agarrar este artigo que gostei!

Grande amigo! Bem se notam as influências dos clássicos!

Zobaida disse...

Belíssima e poderosíssima alegoria do acto de assomar a qualquer repartição ou serviço neste país manhoso! Fabuloso!