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junho 19, 2020

Música de uma fanada melancolia

Aventuras na História · Por que as estátuas gregas tinham um pênis ...

A canonização em curso da burrice e da imbecilidade teve mais um momento zen (vários até), através da vandalização bacoca de estátuas; maria-vai-com-as-outras, a volúpia do politicamente correcto aproveita qualquer acção, qualquer mecanismo, qualquer movimento que (supostamente) a justifique. Os seus defensores: censores de livros e escritores, de filmes e músicas, censores e revisionistas da história, simples ignorantes (outro cânone dos nossos dias), jornadeiam a reboque das redes socais, de abaixo-assinados, advogando as (nossas?) causas, definindo o que devemos comer, dizer, foder. Está tudo ligado ao vórtice da liberdade como lifestyle, sempre passageira como o piropo proibido. O resto fica na mesma, subindo alguns (sempre bem posicionados) aos meandros do poder que juraram derrubar, ficando os outros a pairar no vazio, ou a carregar a padiola do costume. "Escutando bem", como escreveu um dia Sebastão Alba, "ouve-se como ao pé das estátuas/música de uma fanada melancolia".  

abril 15, 2020

Isolamento (XVIII)

FMI prevê recessão acentuada para Portugal
(open)

Alerta em números do fundo monetário internacional!
A recessão está aí. Vai estar. Número: 8% (até onde a vista alcança). O território português confinado, mais uma vez. E o desemprego, quanto? Número: 14% (até onde a vista alcança lê-se agora: preparem-se). Haja saudinha

A recessão vai estar, e o FMI também: é o padrão expectável. Está vento, arrasta chuva.

A economia vai emagrecer. As expressões gastronómicas ajudar-nos-ão a percorrer o caminho.

Vamos continuar a precisar de máscaras. Quando o ar se tornar respirável, compraremos a crédito.

Futuramente, num quadro de possível normalidade (ou normalidade possível?), de acordo com o planeamento devido, com garantias de estabilidade, poderemos aspirar ao aconchego do rebanho: nada será como dantes.

Mais palavras em promoção, serão o futuro património da imaterialidade.

Chame-se o poeta Ruy Belo:

O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa [mas por agora dá jeito].

março 12, 2020

O livro negro


Estamos sempre a aprender: COVID-19 é nome de doença, não de vírus, o dito chama-se SARS-CoV-2 (parece uma coisa saída do Star Trek ou da Galactica). A (suposta) cura ainda não tem nome mas deverá já ter um preço. Entretanto, as estatísticas abordam o tema com a tranquilidade dos números, pior se nos calha a nós, nenhuma estatística conseguirá iludir o nosso corpo por muito tempo. Não tentem as drogas habituais. Para lançar a confusão vou continuar (para além do Gulag e seus apêndices) o Wolf hall com isto:


mal não fará...


março 11, 2020

Entretando...


enquanto as prateleiras dos supermercados são devastadas pela horda bem intencionada do não vá o diabo tecê-las mas por favor não fechem os centros comerciais, seria interessante pensarmos sobre isto: how profit makes the fight for a coronavirus vaccine harder.

setembro 11, 2018

Com serenidade

(Mark Knight)

Não sei bem, mas ouvi na Antena 3, na rubrica fricção científica, algo sobre selfies sexy, um estudo a reter para não possibilitar qualquer dormência excessiva aos neurónios que nos restam. E são apenas três. Contagem recente. A Serena tem mais dois. Faz cinco. A cena da Serena sem serenidade não nos deixa ponta para novelar. Tem dias, mas quase me espanta a vontade de indignação sobre coisas que normalmente nos passariam ao largo. O mesmo para a defesa, intrépida, dessas coisas (nada de melhor me ocorre) que nos sobrevoam ao largo. E são tantas. A moça, serenamente, fez azo do seu melhor conhecimento do envolvimento aos árbitros, formação disponível no sítio do Futebol clube do Porto, com seguimento in situ, Sport Lisboa e Benfica, sem arredores. Resta-nos, à tangente, o desenlace das retribuições às vítimas de Pedrogão. Um fartote de estudos à borla. Mas não com tanta piada. 

Ainda subsiste alguma vida inteligente no planeta. Mas não existem provas irrefutáveis disso.

agosto 28, 2017

O nosso mundo é um parque temático


"Aquela que é a fronteira mais militarizada do mundo é um verdadeiro museu a céu aberto para turistas, com observatórios, túneis, memoriais, checkpoints e povoações com importância histórica. Desembolsando um pouco mais [de dólares], há a possibilidade de alguns tours serem feitos na companhia de um desertor norte-coreano."
"Sonho distante", artigo sobre a península coreana,  in jornal Expresso (26-08-17)

Por um punhado de dólares, temos assim acesso a um parque temático, não fosse aqui a simulação, uma manobra, uma ficção,  em muito ultrapassada pela realidade dos factos. Uma península dividida há setenta anos. O mundo à beira de um ataque de nervos, com as sucessivas ameaças nucleares da Coreia do Norte, devidamente inflamadas pelo lança chamas Trump. É um cocktail digno do nosso disney world, não fosse a chatice de uma ou outra bomba poderem rebentar mesmo. Queremos estar lá para ver?


agosto 25, 2017

Que fazer quando tudo arde?


O fogo e os espalha brasas dos jornalistas. O fogo e os espalha brasas dos comentadeiros a soldo. O fogo e os espalha brasas dos políticos. O paiol que afinal era um ferro velho. Mais espalha brasas. A praia: uma brasa. O campo: um braseiro. Mais jornalistas. Ali ao lado o Trump lança-chamas. O pote das migas Coreano brinca com um isqueiro. Queimam-se etapas para as autárquicas. Cheira a esturro. Os aceleras fanáticos passaram em Barcelona, diz que num dia que estava uma brasa. Que farei quando tudo arde*?

(*Sá de Miranda)

junho 17, 2017

Quando a "mercadoria se contempla a si mesma num mundo que ela criou" *

(Braga, centro da cidade - 17-06-17)

Os turistas ainda vão pensar que é uma tradição da cidade de Braga: a exposição de pratos confeccionados. Pratica desenvolvida por um restaurante do centro da cidade, esta pode ser observada mesmo nas condições mais adversas, como hoje, aliás, mantendo-se o prato devidamente aquecido pela exposição aos raios solares. Uns bons 40 graus. Não se trata nesta, e nas outras vezes, apenas de um desperdício facilmente evitável, mas de um desperdício devidamente autorizado pelo parque temático, transformando-se num espectáculo (mais um) que converte a cidade numa projecção de si mesma. Não passa pela cabeça (não raro, caridosa) de ninguém, que aquela imagem possa ter outro tipo de influência em alguns estômagos, e respectivos bolsos, que por ali passam… vazios. Não. Os estômagos, assim como os bolsos vazios, aposto, aplaudem o espectáculo. Eles sentem-se parte dele e basta. Por mim, recusei tirar bilhete. Proponho que, no início da próxima exposição, participemos com as nossas mandíbulas de animais, outrora humanas, tornando o espectáculo ainda mais apetitoso. A exposição de um prato vazio será certamente aplaudida como mais uma (inovadora) instalação de arte contemporânea, desenvolvida por algum artista residente. 

(*Guy Debord)