A confusão instalou-se definitivamente. A casa sabe a pó e é pasto de aranhas insubmissas; estou sujo e uma membrana adiposa pende do meu abdómen, oferecendo ao conjunto, um corpo humano instalado à beira de um ataque de sofá, e um cérebro relativamente encaixado na cavidade craniana onde surge a questão: “qual terá sido o filme da semana?”. Ao sonho do final da manhã, em que um membro da raça felina, andrógino, e um outro da raça humana, género feminino, assistiam placidamente ao “Babel” do Iñárritu, foi-me objectado que me teria enganado na semana. E no dominó que tenho vestido ultimamente, não? – pensei, enquanto me dirigia ao local das escadinhas onde sempre leio a semana em atraso, através de uma manta de jornais.Duas mortes: Ruy Duarte de Carvalho, antropólogo, o escritor cineasta e viajante, que morreu longe; um senhor que se recordava de “ter mudado inteiramente de pele, pelo menos uma meia dúzia de vezes ao longo da vida”, e que me transportou por momentos para outras minhas peles, enquanto assistia com a uma espécie de júbilo ao desenrolar da manhã. E outro escritor, historiador e cronista, Tony Judt, o mesmo que me levou a um pequeno ataque quando vi o preço do seu “Pós Guerra – A História da Europa desde 1945”, que vou ler, já estará algures numa prateleira em fila de espera, enquanto me entretenho solitariamente com o “Danúbio” de Magris. De resto, na imprensa, tudo nos recorda que o inferno é em Portugal.
Afinal, o filme da semana foi o “Zatoichi” de Takeshi Kitano, uma preciosidade adquirida por 1,95 Euros com o Público. Quanto ao “Origem” de Christopher Nolan, que fomos ver ao cinema, o melhor é aproveitar o “Memento”.
Mais tarde, ali ao lado do intrépido (vencido) Sporting, um “Almoço de 15 de Agosto”, de Gianni di Gregório, que eu sei que não viram, pois não?
Seja benvindo! já sentiamos falta do anjo abancado no barbeiro...
ResponderExcluirO anjo por cá anda...inútil.
ResponderExcluirAinda abancado no barbeiro?...