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junho 29, 2019

O que sabemos que sabemos, isto é, nada


Uma manhã de sábado, quando acontece, pode mesmo ser uma manhã de sábado. Como é sabido, não tenho muitas. Hoje, aconteceu: bebi café, fui comprar tabaco e o expresso por desfastio, lembrei-me que era o último sábado do mês e fui à arcada ver as velharias, as velhacarias, e alguns livros. Estes, mesmo edições recentes e encontráveis, custam tanto como nas livrarias. Encontrei, ou encontraram, um burro a ler (e não eram poucos livros) em barro. Quatrocentos paus, por ser para mim. Fugi. Dei comigo, corpo todo, na feira do livro. É verdade, temos uma feira do livro em Braga. Arranjei isto (antes de ir beber um ginger ale) baratinho:


arrisquei oferecer isto (um grande risco aquela capinha azul, vamos ver):



E agora vou fazer horas para ver Pop Dell´Arte...


fevereiro 18, 2018

Viagens na minha terra (resumo da última semana)

(Pinhel)
(Figueira Castelo Rodrigo)
(Castelo Melhor)
(Museu do Côa - Vila Nova de Foz Côa)
(Museu do Côa)
(Mêda)
 (Ciudad Rodrigo - Espanha)

PS: Viagens na minha terra inclui, assumidamente, uma parcela de Castela e Leão. Vinte quilómetros mais concretamente. Só para chatear. Em breve, um pequeno ensaio sobre Pinhel, o planalto Beirão, a palavra despovoamento que rima com esquecimento. 

novembro 02, 2016

actualização

(foto GP)

e algumas leituras, para não dizer outra coisas qualquer...

holidays





(foto GP)
Banhos de mar no definhar de Outubro, nascimento de Novembro. O cheiro a castanhas no dia de todos os Santos, perdão, de los muertos, disse ela. Caminhadas com o sol a tiracolo numa batalha corpo a corpo. Memórias de um Árabe morto, saídas de um livro lá do fundo desse sol. It's Always the sun.

PS: algumas cervejas. 

dezembro 21, 2009

Entretanto soou um telefone...

Foi assim uma conjugação entre uma livraria e uma caminhada (pelo caminho mais longo que me ocorreu) para facilitar a digestão tardia, aproveitando para ver se encontrava coentros, e uma chuvada repentina e infinda, que me levaram a procurar abrigo numa sacada de um prédio novo. Ali fiquei. Apeteceu-me bruscamente ler o livro que trazia na mala. Nos ouvidos: chuva e Galaxie 500. Um homem passeava à chuva um cão minúsculo aproveitando os restos de areia da construção. Finalmente podia ler: “Chovia.«Quase me admira», pensou o homem ali postado, «que tenha comigo um chapéu-de-chuva»“, lia-se. Olhei o meu guarda-chuva com duas ou três varetas partidas e percebi logo que me acolhia num desses momentos únicos que muitas vezes deixamos passar. Olhei mais uma vez para a capa de “O Ajudante” de Walser e decidi-me por seguir viagem. Parei logo a seguir ainda com os Galaxie, desta vez ao lado de um bar. Dois ou três pensamentos ruins assolaram esse momento. E um impulso indescritível carregou-me para casa.

novembro 11, 2009

Desencontros

Num desses intermináveis passeios que me costumam aconchegar os dias, dei por mim num local já largamente fora da cidade onde, para todos os efeitos, eu era um incógnito num sítio desconhecido. “Que boa oportunidade para desaparecer”, pensei então, recordando o escritor Andrés Pasavento que à chegada a Sevilha aproveita que um homem de fato às ricas apanhe o seu táxi para desaparecer, supostamente sem deixar rasto, convertendo-se no Doutor Pasavento, descobrindo depois que ninguém deu pela sua falta. Nesse romance, Doutor Pasavento, Enrique Vila-Matas recorda Robert Walser, esse grande escritor, desaparecido toda a vida, e que depois de entrar no manicómio de Herisau na Suiça, nunca mais escreveu, preferindo dar uns intermináveis passeios solitários, até que a morte chegou num dia de natal precisamente durante um deles. Pensei na encruzilhada de caminhos que por vezes se cruzam sem, provavelmente, nós sequer notarmos. Curiosamente, quando voltava, veio-me à cabeça, não sei bem porquê que, se uns desaparecem outros simplesmente não aparecem. Um exemplo dos que não aparecem é visível na ausência (neste caso penso que notada) de Obama durante as comemorações da queda do (tal) muro da vergonha em Berlim. Talvez por vergonha. Um desses muros (da vergonha), embora travestido de (supostas) boas intenções cresce a olhos vistos na fronteira dos E.U.A com o México. Outros erguem-se como cogumelos sempre imbuídos de um espírito altruísta e não segregador: na fronteira de Israel com a Palestina; no Rio de Janeiro; nos gigantescos condomínios fechados adornados de arame farpado em São Paulo; entre as duas Coreias; na ilha de Chipre e aqui ao lado em Ceuta, entre outros. Estuguei o passo com receio que não dessem pela minha curta ausência. Todavia, desaparecer neste mundo em que cada muro tem um significado distinto pareceu-me então uma excelente ideia.