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fevereiro 20, 2016

Umberto Eco


Umberto Eco (1932-2016)

Devorei o "O Nome da Rosa" o "Pêndulo de Foucault" e "Baudolino", e li com muito prazer "O Cemitério de Praga" (destes apenas "Baudolino" não tem residência na estantina). Folheei e fui lendo "A Misteriosa chama da Rainha Loana" e a "Ilha do dia antes", ambos com residência oficial estantina, o mesmo valendo para o conjunto de ensaios editado com o título de "A definição da arte" e "Obra Aberta". O nosso obrigado. 

novembro 14, 2015

...

Isto não é Paris
nem são cinco da tarde
nem chove
nem há cómicos na rua
e tampouco nesta esquina
desta cidade que não é Paris
há um realejo surpreendido
e um pintor boémio
e uma garrafa de vinho
porque às cinco da tarde
esta cidade não é Paris
e não existe um amor curioso
escondido atrás da cortina
enquanto Edith Piaf canta
Les amants de Paris
Nem a recordação do Sena
me leva as minhas memórias tristes
desta cidade sem noite
nem espelhos de mel
e não minto se disser
que Paul Éluard saiu do meu quarto
com asas de melro branco
pela janela desta cidade
que não tem pombas nem bêbados alegres
porque às cinco da tarde
esta cidade não é Paris.


"Isto não é Paris", Uberto Stabile

abril 06, 2014

Jorge Fallorca (1949-2014)

Conhecia-o das traduções e daqui. Apenas. Sei que era uma das três ou quatro visitas do Inútil. Sei que o Inútil às vezes tinha direito a antena, e insistia sempre em voltar àquele canal. E é tudo.

setembro 23, 2013

António Ramos Rosa (1924-2013)


A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?

Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.

"Poema de um funcionário cansado" (in O Grito Claro, 1958).

maio 21, 2013

Ray Manzarek (1939 – 2013)



This is the end para o Ray Manzarek, mas a música não acaba. Os The Doors foram talvez a banda que mais ouvi quando era puto, e aquele órgão, o som do órgão (já não me lembro do nome do caralho do órgão) é reconhecível até debaixo de água. 

março 08, 2013

João Rocha (1930-2013)



Abri o olho para a bola era ele o presidente, então as regras do jogo pareciam simples e o Sporting era o maior do mundo. Puto, defendia o Sporting com unhas e dentes. Nessa altura sonhava-se com a cidade desportiva, vibrava-se com o futebol, mas também com o hóquei, o ciclismo, o atletismo, o andebol. Não necessariamente por esta ordem. Éramos mais que as mães: sócios, adeptos, praticantes. Jogávamos sempre em casa. Por isso, ver jogos no Norte era perto de Alvalade. Éramos diferentes. Agora já não sei.      

[Juve]

outubro 19, 2012

Manuel António Pina (1943-2012)


«Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?»

Manuel António Pina, “O Medo” in Nenhum Sítio

junho 06, 2012

Ray Bradbury (1920-2012)

Morreu Ray Bradbury, autor do fabuloso e inesquecível “Fahrenheit 451” (de leitura indispensável), e do igualmente inesquecível “A morte é um acto solitário” (“Death is a lonely business”), entre outros.

"Quando estávamos isolados, cada um para seu lado, apenas sentíamos furor. Abati um bombeiro que tinha vindo queimar a minha biblioteca, há vários anos. Depois, tenho andado sempre fugido. Quer juntar-se a nós, Montag?

“Fahrenheit 451” (pp.146), Ray Bradbury. Tradução de Mário Henrique leiria. Livros do Brasil/Público

Ray