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outubro 29, 2018

Fui ver do mundo


Perguntei, ninguém sabia (não sei se ainda não sabem), onde ficava o mundo, uma pergunta em forma de Raul Solnado, ninguém sabia onde raio ficava esse mundo onde o tal de Bolsonaro (já ouvi falar dele, a sério, mas de onde?) ganhou o jogo do bicho, não achei estranho, o jogo já criou (leia-se infectou) bicho por todo o lado que não há mundo que chegue para dar vazão aos bichos que gostam de procriar, ou ganhar bicho, o que não é bem a mesma coisa. Ninguém sabe onde terá começado o jogo de criar bicho, ou o jogo do bicho, o que só prova a simplicidade lusa do placard, ou mesmo da malha, jogatanas que não são indiferentes a nenhum indígena com restos capilares de inteligência de outras eras. Antigamente é que era bom, embora ninguém saiba onde fica esse antigamente. Aposto que é perto do jogo do bicho. Dá sempre uma boa criação. Eu sei disso. 

Liberdade














e já agora...

março 14, 2013

O ser humano como lugar público (ou como aos poucos também os micos, mirones, bufos e cuscos perderão a sua ocupação milenar)


RIOT. Uma tecnologia, no caso um software, criada com propósitos militares pela empresa Raytheon, à venda a quem quiser pagar por ela. O que oferece? Tudo sobre si: horários, hábitos de trabalho, alimentares, viagens, família, relações pessoais. Como? Com os dados que lhe dá de bandeja. Big Brother, olha para mim. Em cada fotografia tirada com o seu smartphone, que regista hora, data, latitude e longitude, em cada posta do seu Facebook, no cruzamento dos seus mil amigos desconhecidos com os seus familiares e colegas de escola, nos emails profissionais e pessoais, quando passa na portagem, em cada compra com o seu cartão de crédito, e com os seus cartões de cliente, nas ruas pejadas de câmaras onde passeia com os seus miúdos e o cão, está aberta uma porta que jamais voltará a fechar-se: a da sua vida (…).

Eugénia de Vasconcellos, jornal Público, versão em papel (13-03-13)

(artigo completo aqui)
[mira]

março 15, 2012

Liru e companhia

“Aqui, tudo se equivale, e a “esquerda” está para a direita como os parceiros de sexo nas trocas de casais de sábado à noite. A neutralidade pseudo científica é agora o “nec plus ultra” dos intelectuais-lulus que no regaço da grande burguesia ganem de volúpia a sonhar com uma sociedade sem conflitos, onde o mercado regule harmoniosamente a ordem colectiva e a vida social, espécie de capitalismo utópico que, através de “consensos”, neutralize os choques de interesses e expulse definitivamente a política.

Uma sociedade sem conflitos só pode ser uma sociedade totalitária, e já não restam dúvidas de que a utopia capitalista abre caminho a uma implacável ditadura: a do mercado. O que está em jogo é o fim de um período do capitalismo ligado de certo modo à emergência de uma sociedade pluralista. A gigantesca redistribuição dos mercados mundiais a que hoje se entregam os colossos do capital financeiro, a concentração em poucas mãos de quantidades de dinheiro astronómicas, significam o dobre de finados do pluralismo sob todas as sua formas."

[Publicado no Diário de Lisboa, de 19/6/1987]

“Ideias Lebres”, Ernesto Sampaio (Ed. Fenda)

Sacado daqui 

maio 01, 2011

Simplesmente inteligência


"Essa atracção devia-se muito mais à convicção secreta – ou talvez nem sequer fosse uma convicção, à mera esperança – de que a ortodoxia política de O’Brien não fosse perfeita. Pairava-lhe qualquer coisa no rosto que irresistivelmente o sugeria. E, pensando bem, talvez não fosse afinal a heterodoxia o que trazia inscrito no rosto, mas simplesmente inteligência."

“Mil Novecentos e Oitenta e Quatro”, George Orwell, Edição Antígona, Tradução de Ana Luísa Faria

abril 17, 2011

Eles andam aí

Braga, Avenida Central (Abril 2011)

"o filho-da-puta (mesmo quando ainda não o sabe) vive de um modo geral preocupado, vive tanto mais preocupado quanto mais filho-da-puta é, vive preocupado com as suas preocupações e com a despreocupação dos outros, vive em permanente inquietação mesmo quando aparenta calma, tudo o que é novo o perturba, é para ele causa de tormentos e temores (…).

De resto, o filho-da-puta gosta de falar de doenças, de assistir a desastres, de ver tristes ocorrências; o filho-da-puta sente-se confirmado sempre indirectamente, sempre na preocupação dos outros, ou no que ele julga ser a preocupação dos outros; por isso se alegra com a fraqueza alheia e ri das minorias, dos que são diferentes dele, ri porque tem a certeza de que é ele, filho-da-puta, que está certo, que sempre esteve e está certo."

“discurso sobre o filho-da-puta”, Alberto Pimenta, 7 nós, 6ª Edição (a 1ª edição remonta a 1977)

abril 28, 2009

Toda a gente tem um buda em casa perto daquele quadro do menino a chorar, não?

Agora e, já agora, fala-se de censura. Parece que também um livro do Ubaldo Ribeiro, que ninguém leu, inclusive eu, sim eu, o último dos leitores avulso e do prazer que ainda se dão ao trabalho de ler, foi excomungado. Ocorreu no denominado grupo (como?) Auchan, grupinho jumbo, que merece letra pequena, a acompanhar estas minudências dos apóstolos da razão. Parece que há gente que se insurge perante tal originalidade(?). Nunca li, ainda mais agora que me esfalfo por acompanhar a senda dos clássicos e dos outros menos clássicos que sem dúvida o serão no futuro, e ainda outros que dependem do meu egocentrismo de leitor, que parecem, assim à primeira vista, importantíssimos, e já estou a levar por tabela, contra as margens do minimamente correcto e oxidado mundinho. Enquanto as órbitas voltam ao lugar, deprimo durante 14 segundos e assou-o o nariz. Anacrónico, penso nos prodígios do condestável que apesar de militar afoito se tornou, afinal, santo. Antonin Artaud, que enlouqueceu rodeado de santos e seus bastões e rufias com a alma a rasgar-se, escreveu o seu “Heliogabalo ou o Anarquista Coroado”, desamarrando-se deste mundo pelo nariz, e eu anarquista descorçoado, vou se calhar ler o Ubaldo e "A Casa dos Budas Ditosos”, depois de reler uma viagem ao mundo de “Os Tarahumaras”, longe de serem clássicos….

abril 25, 2009

E a 26?

Os portugueses não têm a liberdade, mas sim licença, de dizer o que pensam. Ser independente é hoje pior do que antes do 25 de Abril. As pessoas retraem-se, têm medo de serem aborrecidas, de perder o emprego. Vai tudo em rebanho. (…) hoje, ela [liberdade] está ameaçada pelo desenvolvimento de técnicas que permitem controlar os indivíduos e influenciá-los no seu intimo. [acresce] que com um salário mínimo de 450 euros ou com o trabalho precário não existe democracia porque não pode haver projecto de vida.
Vitorino Magalhães Godinho, entrevista à Revista Visão, 23 Abril

Como dizia um amigo meu “o mais importante do 25 de Abril é o que acontece (e aconteceu) a 26 e por aí fora” Viu-se…