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agosto 19, 2019
abril 23, 2018
What will the automated city of the future look like?*
Modernas. Sustentáveis. Inteligentes. Agora chegam as cidades robot ou robotizadas. É isso o futuro? Cada um tem o Terminator que merece.
(*sacado daqui)
abril 13, 2018
Terra de ninguém
(detalhe de "Sonho de uma tarde
dominical
na Alameda Central" - mural de
Diego Rivera)
Sobre cidades moribundas, homogeneização
e gentrificação dos centros históricos, sua museificação a olhos vistos; sobre a
parque tematização dos espaços históricos, enjaulados num cenário que os recria
em segunda mão, já muito disse e escrevi, disso tentei (ingenuamente) fazer
vida, ou quase, não fosse a graça da má sorte, desvarios vários, algumas
caminhadas, e ainda por lá andaria. Livros, alguns com décadas, anunciam a boa nova, por exemplo: “Simulacros e
Simulação” de Baudrillard, ou “O Direito à Cidade” de Lefebvre, que hoje
António Guerreiro também refere num artigo publicado no ÍPSILON (jornal
Público), denominado "A morte da cidade". Artigos, estudos, papeladas, a rodos. A Academia debruça-se sobre o
assunto entre dois coffee breaks.
Sobre a (digamos assim) temática,
aqui deixo dois textos (mansinhos) do Público de hoje. O já citado:
Agora vou ali dar para outro
peditório.
março 10, 2018
Mergulho lento
Ontem fui com um amigo ao Hard Clube
ver os Slowdive. Não sou verdadeiramente um fã, mas gosto de os ouvir quando
calha. Nem sempre calha. Deu para (tentar) sacudir as últimas semanas de
trabalho. Deu para beber um copo, para conversar e apanhar uma molha. A zona à
volta do Hard está cada vez (como é que se diz agora?) trendy. Restaurantes e cenas gourmet mais ou menos copiadas de todo
o lado onde existem cenas gourmet ou trendy. Difícil é encontrar um tasco
para beber uma cerveja a preços que os indígenas possam pagar. Mas anda muita
gente na rua a treinar o inglês, lá isso anda. Ainda bem. E ainda bem que apesar do alerta
laranja o rio não lhe deu para saltar as margens. Seria um mergulho lento com um final muito trendy.
fevereiro 26, 2018
Pinhel, perto de si
(Pinhel, ameias voltadas a Oeste)
Nascido minhoto, de Barcelos, habituado a gente, muita água
e a cantar de galo, dos livros e viagens conhecedor do país, com vivências
longas em Coimbra e Braga (entre outras menos significativas mas igualmente
marcantes), há já alguns anos que aporto em Pinhel, duas a três vezes por ano,
mais, se o tempo e a disposição de quem me recebe, o permite.
Nada disto interessa. Ou
interessa(rá) apenas a uns quantos. O turista acidental, o passeante cultural,
mesmo o estudioso da história, ou a da pré-história (a propósito, no museu do
Côa, alguns quilómetros a este, não nos cruzamos com mais ninguém, não contando
com os funcionários em pleno tédio vegetativo), estando por ali de passagem,
observa com olhos de trazer por casa, a sua casa, não poupando panegíricos às
paisagens, ao sossego, escrevendo (mentalmente, claro) odes aos calhaus dos
castelos (é assim que se chama a zona histórica de Pinhel), isto enquanto
procura um restaurante (onde se coma bem), fotografando-se as milhares de vezes que forem necessárias.
Caso raro, conhece, ou troca, uma ou duas impressões com os indígenas. Às vezes
o adiantado da hora apanha-o longe de mesa e cama lavada, mas sempre perto da
hospitalidade de um prato de sopa e pão com chouriço. O bastante para
descomprimir, dirá mais tarde.
Ora, o turista, o passeante, o
estudioso, se olhasse para além do sossego, das ruas desertas, do caldo de
pedra que a natureza serve aos olhares, veria, ou julgaria ver, a história,
ou as estórias, de uma região que, não obra do acaso é parte do país chamado
Portugal, servindo-lhe, durante muitos anos, de tampão, coisa que se pode
comprovar de qualquer ameia que encontre por perto, ou escutando o vento leste,
aquele que vem de Espanha. Embora o gasóleo seja lá muito mais barato. E se por qualquer desvario
continuassem a olhar, encontrariam, pouca, ou nenhuma, publicidade à miséria,
mesmo aquela devidamente embalada em produto cultural, e um ou outro evento,
nada original, daqueles que já não chegam em paquetes, mas na camioneta da
carreira. E nem sequer há neve que se veja.
A história mais recente do Concelho
de Pinhel, distrito da Guarda, é a história de uma sangria. Hemorrágica, nas décadas de sessenta/setenta do século passado, com consequências que perduram e
são conhecidas, ou deveriam sê-lo. Europa (sobretudo), África (colónias) e
América foram os destinos. Ficaram os campos desertos, a floresta abandonada, e
alguns indefectíveis. As razões da partida? Ainda não se conhecia a palavra
economia, e a vida continuou.
Continuou, até que os filhos dos
que ficaram foram estudar para fora cá dentro. E ficaram do lado de fora cá
dentro, nunca se sabe, com esta coisa do local global. A malta encontra-se nas
festas, sejam estas familiares, populares, ou todas as outras que chegam na
camioneta. Assim como chegam, partem. Ficam os indefectíveis e alguns planos
discutidos entre copos. Outros voltam para ficar, mas são tão poucos que não
chegam para jogar uma partida de sueca.
Vierem as estradas, outras
sofreram melhoramentos. É mais rápido chegar, muito mais fácil será partir. Por
decreto, ou coisa parecida, devidamente subsidiada, chegaram algumas unidades
industrias. A principal destas, a Rhode, desapareceu em 2006. Ficaram 370
pessoas a acenar na sua partida. O antigo espaço da Rhode (Rhode que merecia
uma história à parte), passou a chamar-se pomposamente de Centro logístico de
Pinhel. Alberga, dizem-nos, umas pequenas unidades de calçado, e agora também
umas empresas de aeronáutica (a sério) francesas. Tudo somado é muito pouco.
Os decretos continuam a acenar as suas possibilidades políticas.
Agora que a palavra economia é
conhecida e adquire vários sentidos, muitos destes em língua inglesa,
percebe-se que o tecido económico do concelho é, na verdade, uma manta de retalhos
(apenas visível de vista aérea – daí, se calhar, as empresas aeronáuticas),
cozida pelo município. A câmara é o grande empregador directo e indirecto. Tudo
acaba por desaguar ali. Nas festas, o panegírico ao status quo assume contornos de síndrome psicológico. As autoridades
passeiam-se com uma legitimidade apenas possível num sucedâneo da democracia. É
tudo em ponto pequeno – até a vergonha – o bastante para percebemos o irremediável
desta modernidade de pacotilha. Nada disto terá aqui origem demarcada. E a vida
continua.
Nota: parece que agora a nova
aposta será a criação de falcões (Pinhel é a Cidade Falcão), certamente para
vigiarem a manta de retalhos. Os pombos
que se cuidem. A vida continuará, certamente.
fevereiro 18, 2018
Viagens na minha terra (resumo da última semana)
(Pinhel)
(Figueira Castelo Rodrigo)
(Castelo Melhor)
(Museu do Côa - Vila Nova de Foz Côa)
(Museu do Côa)
(Mêda)
(Ciudad Rodrigo - Espanha)
PS: Viagens na minha terra inclui, assumidamente, uma parcela de Castela e Leão. Vinte quilómetros mais concretamente. Só para chatear. Em breve, um pequeno ensaio sobre Pinhel, o planalto Beirão, a palavra despovoamento que rima com esquecimento.
janeiro 30, 2018
Um mosquito no inverno
Estava para ali a fazer umas limpezas e a pensar na morte da bezerra, decidindo-me por meter um CD dos Jesus And Mary Chain, “Barbed Wire Kisses” (um B-sides and more), comprado sabe lá onde Judas perdeu as botas, há muito tempo atrás (é verdade), quando nisto passa o “psycho candy”.
Eu que bebia copos de absinto (desculpa lá
Cesário), perdão, eu que estava a pensar em escrever qualquer coisa sobre os Jesus, a importância do seu primeiro
álbum, intitulado Psycocandy (1985), do qual não faz parte o tema psycho candy,
quer dizer, ia escrever sobre aqueles anos oitenta, a Escócia, East Kilbride, a
sua cidade de origem, uma das New Tows criadas no final dos anos quarenta, fazendo
parte da grande conurbação urbana de Glasgow, patatipatá, aquela coisa da
transição pós-industrial (ainda devedora da revolução industrial), sabemos que
os irmão Reid trabalharam numa fábrica, entre cervejas, e a sua importância na
música destes.
Pensava em tudo isso que iria escrever, quando de repente
(passava a música), comecei a sentir a ascensão irremediável das lavas do
subconsciente, não a ascensão irremediável das lavas do sobreconsciente (isso,
sabemos, leva à loucura), de que nos fala Vila-Matas logo no início da sua “História
Abreviada da Literatura Portátil”, não, era o subconsciente a fazer das suas,
juntamente com a memória mais recôndita, e dei por mim a dançar, o sol entrava
todo por ali dentro e eu dançava. Foi então que um mosquito me deve ter entrado
no olho, humedecendo-o ligeiramente. Mosquitos em Janeiro? – pensei. Isto anda
tudo tolo. E fui ouvir o “sidewalking” que já estava a passar no tijolo da
cozinha.
novembro 24, 2017
novembro 11, 2017
outubro 15, 2017
A Catalunha, por exemplo
Não me interessa se o ditador é destro, canhoto ou maneta. Sé
é pequeno ou se já torceu o pepino várias vezes. Não me interessa se é moderno
ou proto clássico. Não me interessa se o ditador é um democrata. Essa t-shirt é
vendida na Zara. Ou na H&M, não sei bem. Não gosto de ditadores nem de ditadorzinhos.
Sei alguma coisa de mapas para saber que eles são obra humana. O mesmo serve
para as fronteiras. Socorrendo-me de Cardoso Pires, sei bem que, como português,
quando nasci, deixei logo de ser criança, passei a ter nove séculos. Outros
sentirão o mesmo sob outro nome. Talvez não tão envelhecidos. Outros sentirão o
mesmo sob outra bandeira. Talvez não saibam que as bandeiras são coisas de
homens. Mas se assim tão importante uma bandeira e um país deixem que sejam os
homens e as mulheres a decidir isso. Não decidam por eles.
outubro 03, 2017
agosto 28, 2017
O nosso mundo é um parque temático
"Aquela que é a fronteira mais
militarizada do mundo é um verdadeiro museu a céu aberto para turistas, com observatórios,
túneis, memoriais, checkpoints e
povoações com importância histórica. Desembolsando um pouco mais [de dólares],
há a possibilidade de alguns tours serem
feitos na companhia de um desertor norte-coreano."
"Sonho distante", artigo sobre a península coreana, in jornal Expresso (26-08-17)
Por um punhado de dólares, temos assim acesso a um parque temático, não fosse aqui a simulação, uma manobra, uma ficção, em muito ultrapassada pela realidade dos factos. Uma península dividida há setenta anos. O mundo à beira de um ataque de nervos, com as sucessivas ameaças nucleares da Coreia do Norte, devidamente inflamadas pelo lança chamas Trump. É um cocktail digno do nosso disney world, não fosse a chatice de uma ou outra bomba poderem rebentar mesmo. Queremos estar lá para ver?
agosto 14, 2017
julho 03, 2017
junho 19, 2017
E agora?
Não há rigorosamente nada de novo a dizer. Já tudo foi estudado,
explicado e escrito na última década e meia. Houve comissões para todos os
gostos e feitios. E foi feito muito trabalho sério. Faltou tudo o resto. Faltou
pôr a tratar de incêndios florestais quem percebe de floresta. Faltou integrar
prevenção e combate. Faltou ordenamento. Faltou pensar no longo prazo. E
adiou-se o mesmo de sempre: fazer da floresta uma prioridade, fazer de um terço
do território nacional uma prioridade.
Houve, ninguém nega, uma conjugação extraordinária de factores
adversos, como já tinha acontecido em 2003: ao ar seco e temperaturas altas
juntaram-se as trovoadas secas e o vento forte numa tragédia de dimensões
inéditas no país que provocou pelo menos 61 mortos e 62 feridos, alguns em
estado grave, no concelho de Pedrógão Grande.
(daqui)
maio 24, 2017
novembro 04, 2016
flanância
Seja como for, o mapa de Paris ajudou-me mais do que uma vez a passar algumas horas difíceis e, ter-lhe descoberto a semelhança (...) com o cérebro humano, esforcei-me por colocar dentro dos limites desta cidade todas as circunvalações observadas em tempos.
setembro 12, 2016
agosto 27, 2016
julho 17, 2016
Marx de cabeçeira
O grande problema, sublinha, é que “há uma insanidade nas novas formas
de urbanização”, não só pela escala como pelo facto de as cidades ficarem
cheias de casas vazias que são compradas sobretudo para fins de especulação e
não para habitação. “Hoje, grande parte do capital está a concentrar-se no
imobiliário e nas rendas." E, avisa Harvey, a agitação social começa a
surgir cada vez mais ligada às questões da vida quotidiana nas cidades – como
aconteceu no Brasil com os protestos que rebentaram em 2014, em parte por causa
dos transportes públicos.
O Geógrafo David Harvey esteve recentemente em Portugal como orador convidado na conferência de abertura do IX
Congresso Português de Sociologia, que decorreu na
Universidade do Algarve. A não perder uma entrevista sua ao jornal Público: Aqui.
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