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setembro 15, 2019

Robert Frank

“New York City, 7 Bleecker Street,” September, 1993.

“Parade – Hoboken, New Jersey,” 1955. (From “The Americans.”)

“Charleston, South Carolina,” 1955. (From “The Americans.”)
Robert Frank (1924-2019)


Fiquei à beira de ser fotógrafo. Falei disso por falar recentemente. Perguntaram-me: de casamentos e baptizados? Mais ou menos, dei por mim a responder. O que recordo mesmo é de andar com as mãos em concha pela cidade do Porto. Por aí lembro-me bem. Lembro-me de sonhar com películas a preto e branco e quartos escuros. Sempre gostei de quartos escuros, sempre não, a partir dos cinco anos. Acho que fotografei o Porto todo em poucas tardes, guardando as películas no cérebro. Devo ter fotografado outros sítios e pessoas, sempre com as mãos em concha, insisti, por razões de trabalho nas máquinas digitais, mas a partir do advento dos telemóveis decidi deixar de guardar as minhas películas numa bagagem no cérebro. Teríamos que inventar uma nova palavra para fotografia: desenhar com luz já não é verdadeiro. 

setembro 23, 2018

fevereiro 26, 2018

Pinhel, perto de si

(Pinhel, ameias voltadas a Oeste)

Nascido minhoto, de Barcelos, habituado a gente, muita água e a cantar de galo, dos livros e viagens conhecedor do país, com vivências longas em Coimbra e Braga (entre outras menos significativas mas igualmente marcantes), há já alguns anos que aporto em Pinhel, duas a três vezes por ano, mais, se o tempo e a disposição de quem me recebe, o permite.

Nada disto interessa. Ou interessa(rá) apenas a uns quantos. O turista acidental, o passeante cultural, mesmo o estudioso da história, ou a da pré-história (a propósito, no museu do Côa, alguns quilómetros a este, não nos cruzamos com mais ninguém, não contando com os funcionários em pleno tédio vegetativo), estando por ali de passagem, observa com olhos de trazer por casa, a sua casa, não poupando panegíricos às paisagens, ao sossego, escrevendo (mentalmente, claro) odes aos calhaus dos castelos (é assim que se chama a zona histórica de Pinhel), isto enquanto procura um restaurante (onde se coma bem), fotografando-se  as milhares de vezes que forem necessárias. Caso raro, conhece, ou troca, uma ou duas impressões com os indígenas. Às vezes o adiantado da hora apanha-o longe de mesa e cama lavada, mas sempre perto da hospitalidade de um prato de sopa e pão com chouriço. O bastante para descomprimir, dirá mais tarde.

Ora, o turista, o passeante, o estudioso, se olhasse para além do sossego, das ruas desertas, do caldo de pedra que a natureza serve aos olhares, veria, ou julgaria ver, a história, ou as estórias, de uma região que, não obra do acaso é parte do país chamado Portugal, servindo-lhe, durante muitos anos, de tampão, coisa que se pode comprovar de qualquer ameia que encontre por perto, ou escutando o vento leste, aquele que vem de Espanha. Embora o gasóleo seja lá muito mais barato. E se por qualquer desvario continuassem a olhar, encontrariam, pouca, ou nenhuma, publicidade à miséria, mesmo aquela devidamente embalada em produto cultural, e um ou outro evento, nada original, daqueles que já não chegam em paquetes, mas na camioneta da carreira. E nem sequer há neve que se veja.

A história mais recente do Concelho de Pinhel, distrito da Guarda, é a história de uma sangria. Hemorrágica, nas décadas de sessenta/setenta do século passado, com consequências que perduram e são conhecidas, ou deveriam sê-lo. Europa (sobretudo), África (colónias) e América foram os destinos. Ficaram os campos desertos, a floresta abandonada, e alguns indefectíveis. As razões da partida? Ainda não se conhecia a palavra economia, e a vida continuou.

Continuou, até que os filhos dos que ficaram foram estudar para fora cá dentro. E ficaram do lado de fora cá dentro, nunca se sabe, com esta coisa do local global. A malta encontra-se nas festas, sejam estas familiares, populares, ou todas as outras que chegam na camioneta. Assim como chegam, partem. Ficam os indefectíveis e alguns planos discutidos entre copos. Outros voltam para ficar, mas são tão poucos que não chegam para jogar uma partida de sueca.

Vierem as estradas, outras sofreram melhoramentos. É mais rápido chegar, muito mais fácil será partir. Por decreto, ou coisa parecida, devidamente subsidiada, chegaram algumas unidades industrias. A principal destas, a Rhode, desapareceu em 2006. Ficaram 370 pessoas a acenar na sua partida. O antigo espaço da Rhode (Rhode que merecia uma história à parte), passou a chamar-se pomposamente de Centro logístico de Pinhel. Alberga, dizem-nos, umas pequenas unidades de calçado, e agora também umas empresas de aeronáutica (a sério) francesas. Tudo somado é muito pouco. Os decretos continuam a acenar as suas possibilidades políticas.

Agora que a palavra economia é conhecida e adquire vários sentidos, muitos destes em língua inglesa, percebe-se que o tecido económico do concelho é, na verdade, uma manta de retalhos (apenas visível de vista aérea – daí, se calhar, as empresas aeronáuticas), cozida pelo município. A câmara é o grande empregador directo e indirecto. Tudo acaba por desaguar ali. Nas festas, o panegírico ao status quo assume contornos de síndrome psicológico. As autoridades passeiam-se com uma legitimidade apenas possível num sucedâneo da democracia. É tudo em ponto pequeno – até a vergonha –  o bastante para percebemos o irremediável desta modernidade de pacotilha. Nada disto terá aqui origem demarcada. E a vida continua. 

Nota: parece que agora a nova aposta será a criação de falcões (Pinhel é a Cidade Falcão), certamente para vigiarem a manta de retalhos. Os pombos que se cuidem. A vida continuará, certamente.

junho 05, 2016

Arte urbana em Braga


(Braga, 04-06-16)

Fotografias dos trabalhos em curso no túnel junto ao Campo da Vinha. Parece-nos uma excelente iniciativa. Esperemos que não se esgote em alguns fogachos artísticos para turista ver. Parte da reabilitação passa por aqui, mas sobretudo pela reconstrução dos inúmeros imóveis em ruínas que polvilham o centro da cidade, alguns embalsamados de forma colorida, furtando-se aos nossos olhares. 

abril 26, 2016

Ruínas novíssimas: é preciso é estilo

(Largo Senhora-A-Branca, Braga - 25/04/16)

À primeira vista nem se nota – dir-me-ão. Nem à segunda vista. "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara”, dir-nos-ia então Saramago. Trata-se de um imóvel (vamos chamar-lhe assim), trancado a cadeado (não vá alguém entrar à procura de um tecto), e com as janelas com cortinados de cimento. A pintura confere-lhe a descrição que o roubará aos nossos olhares, e nem o chegaremos a ver, quanto mais nele reparar. É um edifício emparedado na sua inutilidade. É preciso é estilo, cantam os Mão Morta. Eles lá sabem. E conhecem muito bem Braga. 

(da série ruínas)

abril 11, 2016

fevereiro 16, 2016

fevereiro 11, 2016

Ruínas: as nossas dores


(um dos antigos edifícios do extinto Sanatório Souza Martins
Sito junto ao Hospital da Guarda - Guarda, Janeiro 2016) 


(da série ruínas)

janeiro 28, 2016

Ruínas: mais uma para a Tor

(Antiga fábrica têxtil TOR - Barcelos, Janeiro 2016)


E, além, o velhinho campo Adelino Ribeiro Novo (agora uma espécie de centro de treinos de baixo rendimento). Recordo centenas de jogos (e treinos) onde, apesar da existência comprovada de balizas, a bola dirigia-se irremediavelmente, ora para o cemitério, ora para a a Tor: mais uma para a Tor. 

(série ruínas)