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junho 29, 2019

O que sabemos que sabemos, isto é, nada


Uma manhã de sábado, quando acontece, pode mesmo ser uma manhã de sábado. Como é sabido, não tenho muitas. Hoje, aconteceu: bebi café, fui comprar tabaco e o expresso por desfastio, lembrei-me que era o último sábado do mês e fui à arcada ver as velharias, as velhacarias, e alguns livros. Estes, mesmo edições recentes e encontráveis, custam tanto como nas livrarias. Encontrei, ou encontraram, um burro a ler (e não eram poucos livros) em barro. Quatrocentos paus, por ser para mim. Fugi. Dei comigo, corpo todo, na feira do livro. É verdade, temos uma feira do livro em Braga. Arranjei isto (antes de ir beber um ginger ale) baratinho:


arrisquei oferecer isto (um grande risco aquela capinha azul, vamos ver):



E agora vou fazer horas para ver Pop Dell´Arte...


junho 02, 2019

Na sua sala clara onde explodia a nota dum cadeirão amarelo, amarelo, amarelo



Vagabundear. Através de Edmund de Waal sigo o rasto de Charles Ephrussi, seu antepassado Judeu, milionário Dândi, amador de arte, primeiro proprietário da colecção dos netsuke, onde podemos encontrar a lebre de olhos de âmbar. Através de Charles, quer dizer, de Edmund, chegamos ao poeta Uruguaio recém chegado a Paris, secretário pessoal de Charles, Jules Laforgue. Estamos em 1881. O poeta morrerá em 1887 com apenas 27 anos. Tuberculoso. Procuro na memória, vou ali à internet. Encontro isto:

No infinito coberto de eternas belezas,
Como átomo perdido, incerto, solitário,
Um planeta chamado Terra, dias contados,
Voa com os seus vermes sobre as profundezas.

Filhos sem cor, febris, ao jugo do trabalho,
Marchando, indiferentes ao grande mistério,
E quando um dos seus é enterrado, já sérios,
Saudam-no. Do torpor não são arrancados.

Viver, morrer, sem desconfiar da história
Do globo, sua miséria em eterna glória,
Sua agonia futura, o sol moribundo.

Vertigens de universo, todo o seu só festa!
Nada, nada, terão visto. Partem do mundo
Sem visitar sequer o seu próprio planeta.

Chama-se “Mediocridade” e encontra-se por aí em sítios Brasileiros. A tradução é de Régis Bonvicino. Boa manhã de vagabundagem.

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Jules Laforgue


novembro 04, 2016

flanância


Seja como for, o mapa de Paris ajudou-me mais do que uma vez a passar algumas horas difíceis e, ter-lhe descoberto a semelhança (...) com o cérebro humano, esforcei-me por colocar dentro dos limites desta cidade todas as circunvalações observadas em tempos. 

abril 26, 2016

Ruínas novíssimas: é preciso é estilo

(Largo Senhora-A-Branca, Braga - 25/04/16)

À primeira vista nem se nota – dir-me-ão. Nem à segunda vista. "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara”, dir-nos-ia então Saramago. Trata-se de um imóvel (vamos chamar-lhe assim), trancado a cadeado (não vá alguém entrar à procura de um tecto), e com as janelas com cortinados de cimento. A pintura confere-lhe a descrição que o roubará aos nossos olhares, e nem o chegaremos a ver, quanto mais nele reparar. É um edifício emparedado na sua inutilidade. É preciso é estilo, cantam os Mão Morta. Eles lá sabem. E conhecem muito bem Braga. 

(da série ruínas)

abril 11, 2016