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junho 18, 2019

Joy Divison: 40 anos de prazeres desconhecidos (1979)



A melhor banda de sempre, no seu primeiro álbum de dois, entre outras coisas que lançaram antes e depois. Tenho tudo, acho, ou quase. Ainda tremo, literalmente, ao ouvir estas músicas.


This is the room, the start of it all
No portrait so fine, only sheets on the wall
I've seen the nights, filled with bloodsport and pain
And the bodies obtained, the bodies obtained

"Day of the Lords"

setembro 28, 2018

Deserter's Songs

Já quase não ouço este disco, perdão, álbum, dos Mercury Rev, mas fartei-me de o fazer sem qualquer freio que o valha. Vinte anos nos separam, prova de que não vou para novo, embora o pareça (em determinadas circunstâncias nem sempre determináveis), comparativamente com o maralhal que por aí rosna postas de pescada supostamente recomendáveis (ao ouvido). Mas o "Holes" fica para a história. Nem que seja a minha:

maio 02, 2018

L'imagination au pouvoir


O Jornal I hoje faz capa com os cinquenta anos do início do Maio de 68. Durou um mês, mais coisa, menos coisa, mas o seu espírito (dizem alguns) chegou até nós. Como espírito não sei, como slogan publicitário de certeza, aliás devidamente empacotado (e domesticado) na estrutura do sistema capitalista. Como as calças rotas do Punk que se podem comprar por aí, ou as t-shirts dos Ramones na primark.

Parece que foi Roger Scruton que disse ter visto no Maio de 68 meninos burgueses a atirar pedras a polícias oriundos do povo. Estes polícias (supostamente) oriundos do povo são uma forma de contornar a questão e antecipam em muitos anos as t-shirts dos Ramones da primark. Não fosse a polícia o braço mandado de qualquer elite e estaríamos conversados. Charles de Gaulle terá aplaudido. Sucede que esses meninos burgueses, pelo menos, ainda tinham capacidade para se entediar, ou mesmo para se indignar. Nada, de resto, que fosse possível hoje. A não ser num qualquer púlpito indignatório de uma rede social.

Debord e os situacionistas, nas suas críticas à sociedade do espectáculo, foram absolutamente visionários. Longe de transparecerem (apenas) a realidade de uma época (e eles surgem como movimento ainda nos anos cinquenta) criam, isso sim, um movimento (sobretudo) artístico, absolutamente embrionário na perceção da sociedade que se estava a criar e que desaguou naquilo que somos hoje. E isto em termos de urbanismo, arte, economia, sociedade. 

A parque tematização da nossa sociedade radica na parque tematização do pensamento. Não sei se a sociedade do espetáculo de Debord serve para compreender tudo. Não servirá. Nem Debord nos seus devaneios mais bem bebidos terá sonhado com isso e com isto. E se sonhou, em breve teremos uma t-shirt ou um vídeo numa rede social a confirmarem-no.


Nota: temos que reconhecer que a imaginação terá mesmo chegado ao poder: basta observar a forma como o ex Ministro Pinho (entre muitos outros) toureou de forma criativa a nossa democracia, para reconhecermos a nossa reiterada burrice.

setembro 28, 2017

Serviço público

passaram 30 anos desde a edição do último disco dos The Smiths:


em destaque todo o dia na Antena 3, serviço público do melhor, meus amigos:




julho 10, 2015

Can you hear me, Major Tom?



Escutando-se bem, junto à areia da praia (Ofir) também se ouve música de uma fanada melancolia (Sebastião Alba, dixit)

Nota: os nossos parabéns à RUM pelos seus 26 anos a dar-nos música. Como fieis ouvintes estamos um pouco desiludidos com os últimos tempos: muito paleio, menos (boa) música, os programas de autor remetidos para longe dos ouvidos. A pretensa seriedade esconderá um vazio de ideias, ao qual não será alheio um (suposto) profissionalismo a dar para o serôdio, alicerçado nas suas cúpulas dirigentes, habituais comensais da gamela associativa-académico-partidária....bem hajam.

abril 25, 2014

O que o mar não quer




No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer

Ruy Belo, "Morte ao meio-dia"

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