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janeiro 31, 2015

Estamos cratos, obrigado por tudo (I)



Para começar, não há em Portugal uma ortografia estabelecida pelo uso ou pela autoridade. Antes do acordo com o Brasil – um inqualificável gesto de servilismo e de ganância –, já era tudo uma confusão. Hoje, mesmo nos jornais, muita gente se sente obrigada a declarar que espécie de ortografia escolheu. Pior ainda, as regras de pontuação e de sintaxe variam de tal maneira que se tornaram largamente arbitrárias. Já para não falar na redundância e na impropriedade da língua pública que por aí se usa, nas legendas da televisão, que transformaram o português numa caricatura de si próprio; ou na importação sistemática de anglicismos, derivados do “baixo” inglês da economia e de Bruxelas (…)

Uma pessoa pasma como indivíduos com tão pouca educação e tão pouca inteligência se atrevem a “avaliar” alguém.


(do Valente, pouco polido)

maio 10, 2013

Diz que vão diminuir as actividades extracurriculares


Os meninos das escolas secundárias fumam ganza nas paragens do eléctrico. Os meninos das escolas primárias aguardam a sua vez na fumarada. O companheiro Crato apoia tirando-lhes um tempo lectivo de curtição. Não é bem assim: deixemos esta missiva a quem sabe do que fala e não é certamente de ganza que se trata. O lado de uma professora de AECS que não está a achar piada às novas medidas aplicadas às escolas de 1º Ciclo:




Porque há coisas que me chateiam e começam verdadeiramente a revoltar, sinto que está na hora de dizer o que uma professora de AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular, e não Extracurriculares como muitos gostam de chamar) acha desta polémica recém-criada (mas não inteiramente nova) de abolir um dos tempos das AECs, nomeadamente entra as 15:45 e 16:30, tornando-o curricular, deus sabe com quê ou com quem.
O Sr. presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais diz respirar de alívio, pois está assegurado o encarceramento, peço desculpa, o preenchimento do dia escolar até às 17:30, sem custos para as famílias. Continuo a perguntar com quê ou com quem, dado irrelevante para este porta-voz dos encarregados de educação.

Irrelevante é também o que vai ser dos professores, peço desculpa novamente, dos técnicos das AECs. Nem uma palavra se ouve acerca destes, o vazio, o não-assunto. O Sr. João Dias, da FNE alega que aplaude a medida, desde que, passo a citar, “daí não resultar um acréscimo das horas de trabalho dos professores, antes uma melhor gestão dos recursos existentes” (Jornal Público, 10-05-2013).

Pois, mas deste lado, está uma professora de inglês, licenciada em 2004, por uma destas universidades públicas portuguesas a sério, na extinta “licenciatura em ensino de inglês e alemão”, pré-Bolonha, que trabalha nas AECs desde 2005 e que sabe, apesar da categorização pouco meritória ou inexistente pelos colegas professores (não pelos técnicos, naturalmente), que é uma excelente profissional. Alguém que sempre acreditou nas potencialidades do ensino precoce de uma Língua Estrangeira e se dedicou não só profissionalmente, mas também academicamente, escrevendo uma dissertação de mestrado, denominada “Ensino do Inglês no 1º Ciclo do Ensino Básico: percepções dos intervenientes” e frequentou inúmeras acções de formação a fim de melhorar a sua prática profissional, que era inicialmente voltada para o 3º Ciclo e Secundário. A mesma que continua a ser reconhecida por gerações de alunos (reconhecidamente já serão algumas) e se apresenta diariamente para cumprir a sua função: ensinar inglês, muitas vezes sem materiais de apoio adequados (faltam livros, leitores de CD e até cadernos diários), mas com muita vontade de ensinar crianças, que de outra forma, não teriam condições materiais, claro, de aprender uma Língua Estrangeira.

E como eu, há muitos, desde aqueles que introduzem compositores clássicos e até ensinam as crianças a tocar Vivaldi nas flautas, àqueles que fazem cenários para festas de finais de ano e se deitam às tantas da manhã e que nem sequer são devidamente reconhecidos, sendo que a professora titular de turma se apressa a reclamar a autoria perante um encarregado de educação que elogia o trabalho.

Também há outros, sim, aqueles que não sabem como acalmar 25 crianças aos berros, que nem sequer sabem o que andam ali a fazer, que faltam, que não são pontuais. Mas não os há em todo o lado?
Sim, no ano que se aproxima, estarei desempregada, com 32 anos. Continuarei a tentar trabalhar noutras áreas, embora saiba que, assim que virem a minha formação inicial, me excluam imediatamente, continuarei a dar explicações em centros, a dar aulas individuais em casa (bendita OLX). Continuarei a minha independência financeira, a minha casa, que mantenho desde os 22 anos.
Tentarei outra licenciatura, recusarei a emigração. Mas horários de 5 horas, não obrigada!

Marta 
(explicacoes.bracara@gmail.com)