"Cerca de quatro anos antes, no dia em que terminara o ensino secundário, o irmão Buddy tinha morbidamente profetizado, enquanto ela sorria em cima do estrado, que era muito provável que acabasse por se casar com um homem que tivesse uma tosse seca. De modo que também havia isso no rosto dela."
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abril 27, 2020
abril 21, 2020
Isolamento (XXIII)
Depois da biologia, finalmente,
tempo para a geografia: montanhas, planaltos, planícies. A curva, após
movimentos anticlinais e sinclinais, conforme o programa, assumirá a sua
natureza rectilínea, embora, neste particular, estejamos inclinados a aceitar a
teoria de Salinger (já lá iremos, a Franny e também a Zooey) sobre aquela
espécie de geometria semântica, na qual a distância
mais curta entre dois pontos é um círculo quase completo. Depois disto, o
deserto, qualidade de que, em breve, serão revestidos os nossos pensamentos,
lavrados pela economia. Verdade seja feita, e não dita: sempre temos os abaixo
assinados e a revolta na Bounty das redes sociais (único aspecto do social não
confinado, por razões ainda desconhecidas). Entretanto, seria interessante,
antes de nos aspergirem com as novas homilias económicas, olharmos para isto e para aquilo. Interessante, e um bom ponto de partida para conhecermos as
linhas com que se cosem os nossos contornos nacionais. Temos mapas disso, mas a nossa recusa
em contribuir para teorias conspirativas é ponto de honra.
abril 14, 2020
Isolamento (XVII)
Se tem febre e tosse ou garganta dorida, fique em casa: assim
começa “O Planeta dos Macacos – A Revolta”. Eu tinha estado a rever “O Planeta
do Macacos – A origem”: a ideia era criar um medicamento para o Alzheimer,
testado em chimpanzés (a primeira versão do medicamento era inclusive testada no
pai do protagonista), criando assim o retrovírus ALZ-113, desembocando a
brincadeira na doença da Gripe Símia e numa pandemia mundial de consequências
terríveis. O meu cérebro cozinhou ali mesmo uma ou duas teorias da conspiração,
infalíveis. Após vinte e sete minutos de filme, observando alguns chimpanzés
importantes a cavalo (para quando uma revolta dos cavalos? - digo eu), decido ir ler um pouco e retomar as teorias conspirativas mais tarde, ao sol.
Lá fora o silêncio era total. Sentei-me,
na companhia de Arthur Koestler (“O Zero é o Infinito”). Lá fora o silêncio era total, dizia Arthur Koestler. Todo o movimento da prisão estava congelado
na escuridão. Fumei um cigarro. Acho que bebi água. Fui dormir.
Não penses, faz: constava de um letreiro pendurado por cima da máquina
de escrever de Ray Bradbury. E assim terá sido por mais de setenta anos, fonte fidedigna.
Não penses, faz: lê-se na introdução
ao livro de contos “Teremos sempre Paris”, de Ray Bradbury. Aconteceu-me hoje
de manhã. O Carteiro ainda toca, pelo menos uma vez. E desta vez trouxe boas
notícias: “Teremos Sempre Paris”, e “Franny E Zooey”, de J.D. Salinger.
Entretanto, fui tomar o pequeno-almoço.
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