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abril 27, 2020

Isolamento (XXV)

Franny e Zooey, J. D. Salinger - Quetzal Editores

"Cerca de quatro anos antes, no dia em que terminara o ensino secundário, o irmão Buddy tinha morbidamente profetizado, enquanto ela sorria em cima do estrado, que era muito provável que acabasse por se casar com um homem que tivesse uma tosse seca. De modo que também havia isso no rosto dela."

abril 21, 2020

Isolamento (XXIII)


Dezembro 2018 - Novamente Geografando

Depois da biologia, finalmente, tempo para a geografia: montanhas, planaltos, planícies. A curva, após movimentos anticlinais e sinclinais, conforme o programa, assumirá a sua natureza rectilínea, embora, neste particular, estejamos inclinados a aceitar a teoria de Salinger (já lá iremos, a Franny e também a Zooey) sobre aquela espécie de geometria semântica, na qual a distância mais curta entre dois pontos é um círculo quase completo. Depois disto, o deserto, qualidade de que, em breve, serão revestidos os nossos pensamentos, lavrados pela economia. Verdade seja feita, e não dita: sempre temos os abaixo assinados e a revolta na Bounty das redes sociais (único aspecto do social não confinado, por razões ainda desconhecidas). Entretanto, seria interessante, antes de nos aspergirem com as novas homilias económicas, olharmos para isto e para aquilo. Interessante, e um bom ponto de partida para conhecermos as linhas com que se cosem os nossos contornos nacionais. Temos mapas disso, mas a nossa recusa em contribuir para teorias conspirativas é ponto de honra.

abril 14, 2020

Isolamento (XVII)


Se tem febre e tosse ou garganta dorida, fique em casa: assim começa “O Planeta dos Macacos – A Revolta”. Eu tinha estado a rever “O Planeta do Macacos – A origem”: a ideia era criar um medicamento para o Alzheimer, testado em chimpanzés (a primeira versão do medicamento era inclusive testada no pai do protagonista), criando assim o retrovírus ALZ-113, desembocando a brincadeira na doença da Gripe Símia e numa pandemia mundial de consequências terríveis. O meu cérebro cozinhou ali mesmo uma ou duas teorias da conspiração, infalíveis. Após vinte e sete minutos de filme, observando alguns chimpanzés importantes a cavalo (para quando uma revolta dos cavalos? - digo eu), decido ir ler um pouco e retomar as teorias conspirativas mais tarde, ao sol.

Lá fora o silêncio era total. Sentei-me, na companhia de Arthur Koestler (“O Zero é o Infinito”). Lá fora o silêncio era total, dizia Arthur Koestler. Todo o movimento da prisão estava congelado na escuridão. Fumei um cigarro. Acho que bebi água. Fui dormir.

Não penses, faz: constava de um letreiro pendurado por cima da máquina de escrever de Ray Bradbury. E assim terá sido por mais de setenta anos, fonte fidedigna. Não penses, faz: lê-se na introdução ao livro de contos “Teremos sempre Paris”, de Ray Bradbury. Aconteceu-me hoje de manhã. O Carteiro ainda toca, pelo menos uma vez. E desta vez trouxe boas notícias: “Teremos Sempre Paris”, e “Franny E Zooey”, de J.D. Salinger. Entretanto, fui tomar o pequeno-almoço.