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abril 28, 2020

Isolamento I (actualização II)



(28/04/2020)

Tudo volta, até as obras. A sua evolução foi sendo exposta aqui e aqui. O resto é obra da primavera, expressa nas folhagens das árvores. A minha rua e a senhora da caixa do Mini tinham ambas razão: são duas construções, a mais recente teve início ontem, e fica bem ao lado da referida anteriormente, uma supostamente ligada à distribuição, outra, dizem, à comida rápida, assim mesmo na língua de Camilo, que nunca a deverá ter provado. Leonardo Benevolo, no seu livro “A cidade na história da Europa” escreve: as obras que hoje fazemos nas cidades – as respostas que damos aos nossos problemas momentâneos – serão vinculativas por muitos anos, mesmo quando os modos de pensar e de viver já tiverem mudado, e como fazemos modificações cada vez maiores e mais frequentes, vamos prejudicar cada vez mais a vida das gerações futuras, sem todavia sabermos prever e gerir suficientemente os efeitos remotos dos nossos actos. A cidade, diz-nos Italo Calvino em “As Cidades Invisíveis”, não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes. Olho lá para fora com os olhos e os ouvidos, e recordo-me do título de um filme que anunciavam recentemente num dos canais da tevê: grávida…mas pouco. É isso Braga: cidade…mas pouco.

setembro 23, 2012

Mera excrescência da crosta do mundo


«Podemos dizer que o único que certamente cumpre uma finalidade, no meio disto tudo, é Agilulfo. Não falo do seu cavalo, não falo da sua armadura, mas de qualquer coisa de solitário, de preocupado consigo próprio, de impaciente, viajando a cavalo dentro da armadura. À volta dela as pinhas caem dos ramos, os ribeiros correm entre os calhaus, os peixes nadam nos ribeiros, as lagartas roem as folhas, as tartarugas arrastam-se com o duro ventre pelo chão, mas, no entanto há uma ilusão de movimento, um perpétuo vaivém, como o agitar das ondas. E nestas ondas Gurdulú vai e vem, prisioneiro do jogo das coisas, espalmado, também ele, na mesma massa, com as pinhas, os peixes, as lagartas, as pedras e as folhas, mera excrescência da crosta do mundo.»

“O cavaleiro inexistente”, (pp.145-146), Italo Calvino. Tradução de Fernanda Ribeiro. Teorema. 


agosto 12, 2012

Em falta


Embora vários dos contos desta compilação habitem, de uma forma ou de outra, nas estantes aqui ao lado, parece-me imperdoável não agarrar o amarelinho. A ver como. 

daqui e já vinha dacolá...