outubro 19, 2015

a olhos vistos



(clica na imagem)

A verdade, digam lá o que disserem,
é que tivemos muito pouca sorte
com os poetas (?) nossos contemporâneos.

Um nasceu em Galveias e tatua-se
ou alfineta-se para disfarçar um vazio evidente;
outro gosta de andar nu em Braga,
muito depois – e aquém – de qualquer Pacheco.
(Ignoram, ambos, que a única pila maior
do que o mundo era a do João César Monteiro.)

Um terceiro, cujo nome nunca escreverei,
é a mulher moderna da edição
às cegas e da sacanice quotidiana. O quarto
ou o quinto (gabo quem os logra distinguir)
arrotam melancolia e não admitem
o mínimo desvio à sacrossanta transfiguração da lírica.

O sexto – não, não me apetece falar aqui do sexto.

Consola-nos, isso sim, saber que uns se tornaram
entretanto romancistas (pilim, pilim), e que os restantes
hão-de ser, muito em breve, ministros
ou apenas pulhas (é, no fundo, a mesma coisa).

Enquanto, de esgoto em esgoto,
Portugal progride a olhos vistos
e é bem capaz de levar, um dia destes,
com outro Nobel nas trombas.


"Inventário Plebeu", Manuel de Freitas, in Piolho (2011), revista de poesia.

outubro 18, 2015

Era estranho estar morto...

Atrevo-me a dizer que é uma coisa boa localizar tão rapidamente quanto possível o nosso próprio ridículo.

Um nota apenas


o Inútil informa que o Sporting venceu o Barcelona, na primeira mão da taça Continental em Hóquei em Patins. Nem uma chamada de capa nos (assim denominados) desportivos de hoje (embora não ocorra a ninguém chamar aquilo de jornais, muito menos desportivos).